Cuidar é humano

| 10 Fev 2023

Doente. Cuidar

“O cuidado é, sem dúvida, a grande experiência humanizadora onde aprendemos o verdadeiro significado da vida e cumprimos plenamente a nossa missão.” Foto: Direitos Reservados

 

Somos todos frágeis e vulneráveis. Contudo, vivemos num mundo onde há cada vez menos tempo e lugar para abraçar a fragilidade e vulnerabilidade humana.

O ritmo alucinante que consome as nossas vidas, as dificuldades económicas e sociais sentidas pelas famílias, a cultura da indiferença e do descarte, a sobrelotação de doentes e a escassez de profissionais nas instituições de saúde têm contribuído para a desumanização progressiva dos cuidados prestados aos nossos doentes.

Perante a degradação das condições de trabalho, os profissionais de saúde encontram-se desanimados, fisicamente exaustos e emocionalmente esgotados. As dificuldades na área da saúde são bem conhecidas e sentidas por todos. Mas este não é um tempo para desanimar, desistir ou resignar. A exigência deste tempo que vivemos interpela-nos a fazer uma reflexão profunda sobre o verdadeiro sentido da vida, desafia-nos a olhar mais além, para lá dos limites do nosso quotidiano e das nossas vidas, porque estamos e estaremos, cada vez mais, todos nas mãos uns dos outros.

Este é o tempo de sonhar, focar no essencial e construir uma nova sociedade capaz de cuidar de cada pessoa humana e salvaguardar o bem comum. Este é o tempo de reaprender que o amor é o único caminho que nos leva à esperança, essa esperança que abre horizontes de transcendência e nos dá coragem para assumir a vida como um dom e entregá-la por inteiro ao serviço da humanidade.

Felizmente as nossas instituições de saúde estão repletas de profissionais que se entregam de corpo e alma a cuidar da vida humana – uma missão exigente que toca o sagrado, pois cada vida é única, irrepetível e tem uma dignidade absolutamente inquestionável.

A humanização dos cuidados de saúde deve ser assumida como uma prioridade, com a excelência técnico-científica a caminhar em paralelo com a excelência do humanismo no cuidar. O doente é muito mais do que a sua doença; para cuidar com humanismo é preciso um olhar integral sobre a pessoa humana, que para além da sua corporalidade, é dotada de sentimentos, emoções, necessidades espirituais e sociais.

Para humanizar os cuidados de saúde precisamos de uma verdadeira revolução da ternura, aquele amor que se faz próximo e concreto, um caminho que permite a abertura da inteligência e o acolhimento do coração.

Para cuidar com humanismo, o que realmente importa?

– Um olhar atento e profundo, daqueles que geram encontro e são fonte de vida.
– Escutar com o ouvido do coração, numa atitude de acolhimento e respeito pela singularidade de cada pessoa.
– Reconhecer o poder transformador do toque, para voltar a abraçar, segurar a mão, beijar e acariciar sem medo.
– Fazer renascer a esperança e ajudar a encontrar um sentido para a vida de cada pessoa marcada pelo sofrimento e pela doença.
– Despertar a consciência para a dor do outro, deixarmo-nos ferir interiormente para nos tornarmos participantes na vida concreta das pessoas, isto é, cuidar com compaixão.

A experiência de cuidar de cada pessoa doente é sempre intensa, não tratamos apenas números, cuidamos de pessoas com rosto, com história e com família como nós.

No sofrimento e fragilidade de cada doente, tocamos a nossa própria fragilidade, confrontamos e vencemos os nossos demónios, descemos ao mais profundo que há em nós.

O cuidado é, sem dúvida, a grande experiência humanizadora onde aprendemos o verdadeiro significado da vida e cumprimos plenamente a nossa missão.

Este é o grande desafio dos nossos dias: amar e cuidar rostos concretos, colocando a pessoa no centro e agindo em favor do bem comum. Porque o segredo da vida é amar. E o segredo do amor é cuidar.

 

Sílvia Monteiro é médica cardiologista na Unidade de Cuidados Intensivos Cardíacos e integra o Gabinete de Humanização Hospitalar do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

 

Fernando Giesteira, o transmontano vítima da PIDE/DGS no dia 25 de Abril de 74

“Para que a memória não se apague”

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A “Revolução dos Cravos”, apesar de pacífica, ceifou a vida a quatro jovens que, no dia 25 de abril de 1974, foram mortos pela PIDE/DGS, à porta da sede da polícia política do Estado Novo, em Lisboa, depois de cercada pela multidão. 50 anos passados, recordamos a mais jovem vítima da “revolução sem sangue”, de apenas 18 anos, que era natural de Trás-os-Montes.

Uma exposição que é “um grito de alerta e de revolta” contra a perseguição religiosa

No Museu Diocesano de Santarém

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Poderá haver quem fique chocado com algumas das peças e instalações que integram a exposição “LIBERDADE GARANTIDA” (escrito assim mesmo, em letras garrafais), que é inaugurada este sábado, 20 de abril, no Museu Diocesano de Santarém. Mas talvez isso até seja positivo, diz o autor, Miguel Cardoso. Porque esta exposição “é uma chamada de atenção, um grito de alerta e de revolta que gostaria que se tornasse num agitar de consciências para a duríssima realidade da perseguição religiosa”, explica. Aqueles que se sentirem preparados, ou simplesmente curiosos, podem visitá-la até ao final do ano.

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O 7MARGENS irá publicar durante as próximas semanas os depoimentos de idosos recolhidos por José Pires, psicólogo e sócio fundador da Cooperativa de Solidariedade Social “Os Amigos de Sempre”. Este primeiro texto inclui uma pequena introdução de contextualização do autor aos textos que se seguirão, bem como o primeiro de 25 depoimentos. De notar que tanto o nome das pessoas como as fotografias que os ilustram são da inteira responsabilidade do 7MARGENS.

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