Cultura e Artes
A beleza num livro de aforismos de Tolentino Mendonça
Um novo livro do novo cardeal português foi ontem posto à venda. Uma Beleza Que nos Pertence é uma colecção de aforismos e citações, retirados dos seus outros livros de ensaio e crónicas, “acerca do sentido da vida, a beleza das coisas, a presença de Deus, as dúvidas e as incertezas espirituais dos nossos dias”, segundo a nota de imprensa da editora Quetzal.
Arte e arquitectura religiosa com semana cheia em Lisboa
Visitas à arte e arquitecura de igrejas e conventos e um curso livre sobre Arte Moderna e Arte da Igreja são várias iniciativas previstas para os próximos oito dias em Lisboa. O curso decorrerá na Capela do Rato (Lisboa), entre segunda e sexta da próxima semana (dias 23 a 27) e na Igreja de Moscavide (sábado, 28) e pretende evoca o livro publicado há 60 anos pelo padre Manuel Mendes Atanásio, mas também os 50 anos do fim do MRAR.
O jazz e a música electrónica a entrar na liturgia
LabOratório propõe-se criar música para ambientes litúrgicos; orações, conferências e concertos são de entrada livre. Entre 1 e 8 de Setembro, em Lisboa.
Reportagem: Iucatão e Chichén Itzá, entre o mar de turquesa e os “cenotes” quase ocultos
O xamán está a pedir a protecção dos que vão visitar o recinto de Chichén Itzá. Enquanto toco na nuca com um pouco de água, questiono-me quanto daquilo não é folclore para turista e apostaria que quase toda a gente que participou no ritual (?) terá feito a mesma pergunta.
O que há neste lugar? – Guia de exploração, livro de espiritualidade
Poderá um guia de exploração da paisagem, para crianças e jovens, ser um livro de espiritualidade?
Penso que sim, e não apenas para crianças.
Filhos de pescadores trazem a excelência da música filipina ao Alentejo
O concerto deste sábado, 29 de Junho, do festival Terras Sem Sombra (TSS) será uma forma de tentar captar a atenção das crianças e jovens para a música erudita, para tentar contrariar o “evidente envelhecimento do público da música erudita”.
Uma exposição missionária itinerante, porque “parar é retroceder”
Um altar budista do Tibete; uma barquinha em chifres, de Angola; um calendário eterno dos aztecas; crucifixos de África ou da Índia; uma cuia da Amazónia; uma mamã africana e uma Sagrada Família, de Moçambique; uma placa com um excerto do Alcorão; e um nilavilakku , candelabro de mesa indiano – estas são algumas das peças que podem ser vistas até sábado, 19 de Junho, na Igreja de São Domingos, em Lisboa (junto ao Rossio).
Dois portugueses deram música ao Papa
Dois músicos portugueses, o maestro António Victorino d’Almeida e o compositor Luís Zagalo, ofereceram ao Papa os seus mais recentes trabalhos: o maestro António Victorino d’Almeida ofereceu a partitura original das Missa de Santo António e Missa de São Francisco de Assis, compostas especialmente para Francisco; e Luís Zagalo o seu último disco Encontro(s), com dez canções originais dedicadas a Santa Teresa de Jesus.
António, um rapaz de Lisboa. Roteiro para uma peregrinação popular
A igreja onde vão celebrar de propósito ou a capela a que ninguém liga. Um painel numa estação ou uma escultura num hospital, a capital guarda locais improváveis de memória do rapaz de Lisboa.
Frei Agostinho da Cruz, um poeta da liberdade em tempos de Inquisição
“Poeta da liberdade”, que “obriga a pensar o que somos”, viveu em tempos de Inquisição, quando as pessoas com uma visão demasiado autónoma “não eram muito bem vistas”. Uma Antologia Poética de frei Agostinho da Cruz, que morreu há 400 anos, será apresentada esta sexta, 14 de Junho, numa sessão em que Teresa Salgueiro interpretará músicas com poemas do frade arrábido.
Agustina Bessa-Luís: Relembrar a Voz
Elevadas figuras públicas julgaram e acharam e opinaram e qualificaram a sua pessoa. Agustina dispensaria adjetivos elogiosos, artifícios de oratória, distinções de circunstância. A compensar o vazio da voz ao vivo, ficam as lembranças, folheiam-se as páginas, retoma-se o embalo do texto, saboreiam-se as personagens, guardam-se as suas reflexões. A surpresa acontece, sempre.
Música sacra e espirituais negros em concertos pelo Coro da Nova
O Coro da Nova (Universidade Nova de Lisboa) realiza dois concertos da Primavera neste fim-de-semana (sexta, 31 de Maio, às 21h, na reitoria da Universidade Nova; e domingo, 2 de Junho, às 17h30, na Igreja da Graça). Com um programa inteiramente a capella dedicado à música sacra, aos polifonistas portugueses e europeus e aos espirituais negros, os concertos têm entrada livre e serão dirigidos pelo maestro João Valeriano.
Marco Beasley em Sintra: Como sem esta música poderíamos estar?
Como sem esta música poderíamos estar? O concerto que nesta noite de sábado, dia 25 (às 21h30) encerra o ciclo Reencontros, em Sintra, promete ser intenso, divertido, profundo, íntimo, quente. Numa viagem por temas tradicionais do século XVI, entre a Apúlia e Nápoles, poderá ver-se toda a riqueza e pluriformidade de um cancioneiro tão abundante quanto musicalmente excepcional.
Gen Verde em Évora (depois de Lisboa): A paz é uma escolha e a música pode ajudar
“A paz é uma escolha, temos de a construir no dia-a-dia. “E é uma escolha concreta, não apenas poética”, diz Adriana Martins, 44 anos, do Brasi, cantora do Gen Verde, banda de música internacional ligada aos Focolares. Neste sábado, 25, o grupo dará o seu penúltimo concerto da digressão portuguesa de From Inside Outside (De dentro para fora) em Évora (Arena, 21h).
Terras Sem Sombra em Odemira: do flamenco ao jazz, um Quartetazzo de mulheres na flauta
O ensemble Quartetazzo é o grupo convidado deste sábado, 25 de Maio, no festival Terras Sem Sombra, na sua paragem na igreja da aldeia de S. Martinho das Amoreiras (Odemira). O quarteto feminino de flautas travessas dará um concerto de música contemporânea, com peças pouco conhecidas de Espanha, Brasil, Argentina e Estados Unidos, incluindo de jazz.
“Cristãos escondidos” do Japão, faceta assumida da história do país
A condecoração do Japão ao cardeal Raffaele Farina, ex-responsável da Biblioteca Vaticana, fica a dever-se ao contributo que deu “para a reorganização dos documentos históricos do período Edo”, durante o qual foi imposta a proibição do cristianismo na região japonesa do Bungo.
Conventos (antigos) de Lisboa abrem portas para visitas guiadas e livres
“O que têm em comum a Assembleia da República, o Museu Nacional de Arte Antiga, a Cúria Patriarcal ou os Armazéns do Chiado? Todos já foram conventos ou mosteiros.
Coro do Trinity College de Dublin em Lisboa para concerto e eucaristia
Neste sábado e domingo, 18 e 19 de Maio, Lisboa acolhe dois concertos do Coro da Capela do Trinity College de Dublin (Irlanda). Às 17 horas de sábado, o coro dará um concerto de música sacra na Sé de Lisboa; no domingo, participa na eucaristia dominical na Catedral Lusitana de S. Paulo em Lisboa (Comunhão Anglicana), com início às 11h00 (Rua das Janelas Verdes).
Teatro: À espera de um jogo de espelhos em Goga
Entra-se e estão as 23 personagens no palco. Em rigor, esse número inclui as personagens e os seus espelhos. Estão fixas, rígidas. São um quadro que se deve olhar, de modo a reparar em todos os pormenores. Porque está o corcunda Teobald de livro na mão? Porque há um homem e uma mulher com malas?
Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos
Não, não vamos ser todos índios, mas temos muito a aprender com eles. Por isso, Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos é muito mais que um filme.
Cinema: “Invisível herói” ganha prémio Árvore da Vida no IndieLisboa
O filme Invisível Herói, da realizadora Cristèle Alves Meira, ganhou este sábado o prémio Árvore da Vida, atribuído pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, a uma obra selecionada para a Competição Nacional do festival de cinema IndieLisboa.
Gianfranco Ravasi: “O problema não é se Deus existe. É saber qual Deus”
Numa conversa sem filtro, o cardeal Ravasi fala dos abusos sexuais na Igreja e da pequenez dos políticos, de sucesso e fé cristã, sucessos e insucessos de Jesus e do Papa Francisco, do insucesso da Igreja Católica junto das mulheres e dos jovens ou das razões do insucesso das formas contemporâneas de fazer política.
Ferenc Snétberger, mágico cigano da guitarra, no “mais belo lagar do mundo”
O Festival Terras Sem Sombra passa hoje e amanhã por Ferreira do Alentejo: o compositor e guitarrista húngaro Ferenc Snétberger, acompanhado de solistas jovens do seu país apresentam-se num palco fora do comum: o Lagar do Marmelo
O corneto, a Fénix renascida e uma luz na noite de Sintra
À quarta peça, dedicada a São Marcos, os músicos dividem-se e colocam-se nos dois extremos da sala e o efeito na Sala dos Cisnes do Palácio de Sintra soa como uma estereofonia: o som preenche todo o espaço a partir dos seus extremos, o jogo melódico parece amplificar o tamanho da sala.
Pintura e desenho de Emília Nadal no Sardoal: “Meditações” sobre a Paixão e Páscoa
São “como que meditações” acerca da paixão de Jesus, uma história “perversa” e que revela a “plena humanidade” de Cristo, diz a pintora Emília Nadal ao 7MARGENS, sobre as obras que seleccionou para a exposição Paixão. A mostra inclui obras de pintura e desenho realizadas ao longo de duas décadas e está patente no Centro Cultural Gil Vicente, no Sardoal, até 9 de Junho (Domingo de Pentecostes).
Prémio Árvore da Vida para José Mattoso: O “governo do povo” favorece quem já tem o poder
O historiador José Mattoso foi distinguido com o Prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes 2019, atribuído pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC), da Igreja Católica, noticiou o SNPC na sua página na internet.
Livro: Papa Francisco Debaixo de Fogo
O arcebispo Carlo Maria Viganò, ex-núncio do Vaticano nos Estados Unidos da América, protagonizou em Agosto do ano passado um invulgar caso com um fortíssimo impacto mediático, político e eclesial ao acusar o Papa Francisco de conhecer situações de assédio sexual cometidas pelo então cardeal Theodore McCarrick e de não ter agido contra o prelado com o vigor que a gravidade da situação requeria.
Debate: E se deixassem Notre-Dame em ruínas?
Ainda os bombeiros faziam o rescaldo do fogo e já os milhões de euros se contabilizavam às centenas para a reconstrução da catedral de Notre-Dame de Paris. Nada a opor à mobilização de famosos e anónimos, particulares e empresas, estados e até organizações como o Comité Olímpico Internacional, visto os Jogos Olímpicos estarem marcados para Paris em 2024, para a reconstrução do edifício que é dos mais visitados do mundo e um símbolo da Europa.
Mais para lá da música: Gen Verde inicia em Braga digressão portuguesa
A segunda música é como que um emblema do disco e da banda: vinte jovens mulheres em palco, oriundas de 15 nacionalidades diferentes (a que se juntam 150 jovens para cantar, dançar, fazer teatro e tocar percussão, depois de prepararem essa participação numa oficina de quatro dias) só poderiam fazer esta música assim: Terra de Paz/A Nossa Terra Comum é o título, nas versões castelhana e inglesa.
Do México, “con cariño” – das Pirâmides de Teotihuacan à Virgem de Guadalupe
A cidade do México é uma cidade imensa de habitantes – mais do que a população de Portugal –, a 1.800 metros de altitude, a pérola da colonização espanhola do século XVI. Visitei a Plaza Mayor, bem mais larga e imponente do que a de Madrid, afirmando o domínio da nação colonizadora. Uma cidade de seculares contradições na diferença abissal entre os mais ricos e os mais pobres, com uma classe média trabalhadora mas empobrecida.
Terras Sem Sombra em Elvas, entre Cabezón, os ex-votos e o jacinto-de-água
O Festival Terras Sem Sombra regressa já neste sábado e domingo à zona fronteiriça, com um concerto, um itinerário pelo património histórico e um outro pela biodiversidade ameaçada. O concerto de sábado às 21h30, na antiga catedral de Elvas, promete um momento especial, já que se poderá ouvir o Órgão Grande Oldovino, de 1762 (mas recentemente restaurado), tocado por Juan de la Rubia, organista titular da Basílica da Sagrada Família, de Barcelona e recentemente distinguido com o título de melhor organista da Europa.
Museu Internacional do Livro Sagrado apresentado dia 25 em Gouveia
O futuro Museu Internacional do Livro Sagrado será apresentado esta quinta-feira, 25 de Abril, em Gouveia, durante um colóquio que anunciará também o congresso científico sobre A Bíblia na Cultura Ocidental: Milénios de Civilização e os três volumes de Bíblia na Cultura Portuguesa.
O futuro da sociedade inscrito no futuro da religião
Sociólogo, antropólogo, teólogo e músico, Alfredo Teixeira consegue juntar as suas múltiplas competências num discurso complexo e dialeticamente multifacetado, em que a aridez dos dados sociológicos é animada pela carne do olhar antropológico (que vê gente dentro dos fenómenos), os números são substanciados pelos símbolos e os factos são reconhecidos na independência não autossuficiente da verdade.
Uma ferida que precisará de cicatrizar na nossa alma
“Nas faces desta velha rainha das nossas catedrais, ao lado de uma ruga, vê-se sempre uma cicatriz.”
Laranjeiras em Atenas
Há Laranjeiras em Atenas, de Leonor Xavier (Temas e Debates/Círculo de Leitores, 2019) reúne um conjunto diversificado de textos, a um tempo divertidos e sérios, livro de memórias e de viagens, de anotações e comentários… O gosto e a surpresa têm a ver com pequenos pormenores, mas absolutamente marcantes.
Quantas viagens são precisas para se chegar a casa?
Digo, desde já, com a maior parte dos cinéfilos, que este é um filme extraordinário, um dos melhores de Clint Eastwood, talvez o ‘canto do cisne’ da sua magnífica filmografia, como actor e realizador.
Agnès Varda, cineasta “marcada pela liberdade de expressão”
A realizadora Agnès Varda, que morreu sexta-feira, 29 de março, era uma cineasta marcada pela “liberdade de expressão”. Foi desse modo que L’Osservatore Romano, jornal oficial do Vaticano, prestou a sua homenagem à cineasta, uma das fundadoras da nouvelle vague, uma das correntes fundamentais do cinema francês e mundial, da década de 1960.
“Entre-Tanto somos símbolos e habitamos símbolos”
Refiro-me a essa fascinante obra que é Entre-Tanto, de José Frazão Correia sj.
Ora, uma das coisas que os anglo-saxónicos me ensinaram foi o chamado método indirecto. Por isso, ainda antes de sinalizar aquelas presenças, comecemos por antever alguns sintomas, como o título desta mesma obra: Entre-tanto. Não Entretanto, mas Entre-tanto. Um hífen cortava a palavra em duas, decompunha-a, para logo a recompor.
O armário de Frédéric Martel
A tese central do livro, desdobrada em 14 regras, é a de que a Igreja Católica está a ser destruída pela doutrina moral que impõe o celibato e a castidade, ao mesmo tempo que abomina a homossexualidade, mas convive com uma enorme tolerância disciplinar perante práticas homossexuais, incluindo o encobrimento de abusos sexuais.
“Sombra Silêncio” – poesia para vigiar o Mistério
Assim descreve Carlos Poças Falcão, numa breve nota final, os poemas reunidos em Sombra Silêncio: «Cançonetas de um Verão que logo passam, mas que para sempre ficam ligadas à memória mítica de um rosto, de um clima, de um lugar – assim estes poemas. Em caso algum me biografei. Mas em todos eles me vejo e me estranho.»
“Rezar no Coração” – o discípulo pergunta, o mestre responde
Em Rezar no Coração, Tomáš Špidlík, jesuíta checo, utiliza o método dos antigos mestres da espiritualidade com os seus discípulos – o discípulo pergunta e o mestre vai respondendo, sendo cada resposta um convite a nova pergunta. É este cenário de proximidade que...
Gomes Eanes: paradigma do espírito reformista no século XV, elo português no retiro do Papa
Estando o tema da Reforma da Igreja Católica, mais uma vez, na ordem do dia é de particular pertinência evocar a voz e o percurso de uma figura maior do universo religioso português do século XV e do diálogo luso-italiano que teve lugar nesta centúria: D. Gomes Eanes, tradicionalmente conhecido como o Abade de Florença. A sua voz ressoa em centenas de registos exemplificativos da abertura de Portugal às correntes reformistas e de observância que então percorriam a Cristandade.
“Como nos comportamos à porta do Inferno?”
A primeira estranheza do filme é a mistura do passado com o presente: os personagens são do passado, mas o ‘resto’ é tudo presente. Como quem sugere que, afinal, vivemos os mesmos medos e perigos, que o mundo continua a ser um ‘inferno’. É assim que começa um livro, escrito à máquina numas folhas e que o autor não chegou a editar. Estará ainda guardado pelo dono daquele café de Marselha, o Ventoux?…
Clarice Lispector e Deus
Clarice Lispector, grande escritora brasileira, nascida de uma família que teve de abandonar a Ucrânia devido às perseguições aos judeus, é considerada uma das grandes escritoras do século XX, a maior escritora judia depois de Kafka.
Terras sem Sombra (des)encantou tesouros em Monsaraz
A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Lagoa sobrelotou para aplaudir a música tardo-romântica, num concerto protagonizado pelo Trío Arbós, um dos mais reputados ensembles de câmara europeus da atualidade. No Museu do Fresco contou-se a misteriosa história por detrás da obra-prima do fresco do Bom e do Mau Juiz. Um fim-de-semana, feito de sons e matizes, para contemplar paisagens da região, na serenidade das águas do Grande Lago Alqueva.
Adélia Prado: Espírito em Corpo de Mulher
Nestes últimos tempos de violência contra as mulheres, pela onda crescente de notícias sobre horror, tortura e morte, sofremos sinais de tragédia, de prantos e lutos, a ensombrecer-nos os dias.
Atrevo-me, neste contexto, a dizer que a escritora brasileira Adélia Prado inspirou este meu pequeno texto, no sentimento divino das mais comuns circunstâncias da nossa humana condição.
cummings e a responsabilidade do humano
Dois sonetos de e.e. cummings (1894-1962), ambos publicados em Xaipe (1950), dão-nos duas possibilidades de pensarmos a responsabilidade humana na terra, para a qual o Papa Francisco apela na sua carta encíclica Laudato Si’ – sobre o cuidado da casa comum, de 2015. Ambos os poemas surgem numa pequena antologia bilingue organizada por Jorge Fazenda Lourenço (Assírio & Alvim, 1991; col. Gato Maltês), e focam dois modos de ver esta mesma responsabilidade
Entre o som e o silêncio: Terras sem Sombra estreia-se em Reguengos de Monsaraz
Pela primeira vez, o Festival Terras Sem Sombra vai a Reguengos de Monsaraz. À beira do maior lago artificial da Europa, ouvir-se-à música portuguesa e espanhola do final do século XIX. Uma visita guiada ao fresco do bom e do mau juiz e ao património ambiental da região completam o programa de sábado e domingo.
A Palavra, de Carl Dreyer: Provas de Vida
“Discute-se muito o milagre final de A Palavra, mas muitas vezes todos os outros que passam precisamente por esta potência da palavra e do gesto são esquecidos como momentos inesperados de mudança.” A crónica de cinema de Sérgio Dias Branco.
Obras de misericórdia na Cooperativa Árvore
Até à próxima sexta-feira, dia 8 de Fevereiro, ainda pode ver-se na Cooperativa Árvore, no Porto, a exposição sobre as obras de misericórdia “dar pousada aos peregrinos” e “rogar a Deus por vivos e defuntos”, com a participação de vários artistas.
Auschwitz, aqui tão perto
Até 3 de Fevereiro, ainda é possível ver em Madrid uma exposição sobre Auschwitz, que reconstrói o campo e a sua máquina de morte. A Nair Alexandra foi ver e recomenda. Quem possa, corra. Porque, como avisa o sobrevivente e grande escritor italiano Primo Levi: “Aconteceu. Em consequência pode voltar a acontecer.”
Segredos e mentiras: afinal, o que é uma família?
A crítica do filme japonês Shoplifters – Uma Família de Pequenos Ladrões de Manuel Mendes.
A Noite Escura da Fé: Luz de Inverno, de Ingmar Bergman
A crítica de cinema do filme sueco “Luz de Inverno”, por Sérgio Dias Branco.
Exaltação das comunidades errantes
Exaltation é um diamante lapidado ou um extraordinário colar que vai desfiando preciosidades raras. Desde logo, pela voz única do contratenor israelita Yaniv d’Or, de ascendência sefardita (os judeus da Península Ibérica).
Roma: distinção católica para um filme sobre a coragem solidária das mulheres
O filme Roma - realizado pelo mexicano Alfonso Cuarón -, que venceu o Leão de Ouro, prémio principal do Festival de Cinema de Veneza, foi galardoado também com o prémio da Signis – Associação Católica Mundial para a Comunicação, na 75ª edição do certame, que terminou...
Uma carga preciosa
No início do mês de Setembro de 2015, uma criança aparecia morta numa praia da Turquia. Ficou depois a saber-se que era um menino sírio. Tinha três anos e chamava-se Alan Kurdi. As imagens terríveis que o mostravam só, deitado na orla do mar, como que adormecido, ou...
Bem-aventurados os puros de coração
Este filme tinha tudo para ser ‘arrumado’ na prateleira dos que, um dia, passariam pela televisão e, se calhasse, talvez desse para uma espreitadela disfarçada: uma história mais do que contada, a tender para o choradinho, pouco mais do que um entretenimento. Enfim,...
Um caminho de quem procura o que perdeu
O disco começa num tom de caminho esforçado, talvez um pouco melancólico, de quem procura o que perdeu: “Onde te escondeste, Amado...?” Cresce, depois, para perguntas e respostas, num diálogo entre a esposa e o esposo, onde se percebe a inspiração do Cântico dos...
As questões “ambientais, económicas e éticas” do desperdício alimentar
É possível que o livro Desperdício alimentar, de Iva Pires, professora da Universidade de Lisboa, não seja para muitos um livro oportuno para a quadra natalícia. Os que pouco se apoquentam em multiplicar o esbanjamento de comida nesta altura do ano acharão, com...
O fanatismo como “inflexibilidade, sentimentalismo e falta de imaginação”
O romancista israelita Sami Michael descreveu uma viagem de táxi em que o motorista se pôs a predicar sobre quão importante era para os judeus, como ele próprio e o seu passageiro, que se matassem todos os árabes. Sami Michael escutava-o com enorme paciência e, em...
Pecadores impenitentes e pequenas epifanias
É a fotografia que empresta o título ao mais recente livro editado em Portugaldo escritor italiano Claudio Magris. Ele socorre-se, aliás, do Grande Dicionário da Língua Italiana para, logo no início de Instantâneos, explicar que o instantâneo é “obtido com um tempo de...
Teatro musical Clara – Uma luz na noite
Entrevista ao encenador Tiago Sepúlveda e imagens dos ensaios Clara – Uma luz na noite é o título do teatro musical encenado por Tiago Sepúlveda e apresentado pelo Grupo de Teatro Musical Religioso (GTMR), que será levado à cena nos próximos dias...
Uma rota para respirar o tempo
Quando se entra, três grandes ecrãs dão o mote a esta exposição diferente: neles se vêem imagens, captadas com uma câmara fixa, dos claustros das catedrais do Porto, Santarém e Évora. Vêem-se pessoas a atravessar uma ala do claustro, saem da imagem, surgem pessoas...


