Cultura e Artes
Peste Malina novidade
Não, não é O Ano da Morte de Ricardo Reis, mas é o ano d’A Peste. As Ondas de pequenos monstros transformaram a terra num Vasto Mar de Sargaços. Qualquer Coisa Como um Lugar de Massacre. Nada vai voltar a ser como O Mundo em que Vivi. Sim, Os Dias Tranquilos acabaram, Os Anjos desfizeram As Estrelas Propícias (se é que, na verdade, alguma vez existiram). Agora, a vida está Em Frente da Porta, do Lado de Fora e toda a gente está confinada aos Pequenos Delírios Domésticos.
Credo
O Deus em que acredito não é pertença de ninguém, não tem registo, é sem patente. É polifónico, é um entrecruzar de escolhas e de acasos, de verdades lidas nos sinais dos tempos, de vida feita de pedaços partilhados e também de sonhos.
Diálogos com Paulo Freire
Trata-se de dois livros inspirados na filosofia de Pauloreire, a quem de há largos anos chamo meu “Mestre”: o primeiro, de Christopher Damien Auretta, Diz-me TU quem EU sou: Diálogo com Paulo Freire. O segundo, do mesmo autor com João Rodrigo Simões: Autobiografia de uma Sala de Aula: Entre Ítaca e Babel com Paulo Freire (Epistolografia).
“Travessia com Primavera”, um exercício criativo diário
O desafio partiu da Casa Velha, associação de Ourém que liga ecologia e espiritualidade: um exercício artístico e criativo diário, a partir da Bíblia. Sandra Bartolomeu, irmã das Servas de Nossa Senhora de Fátima, apaixonada pela pintura, aceitou: “Algo do género, entre a oração e o desenho – rezar desenhando, desenhar rezando ou fazer do desenho fruto maduro da oração – já emergia em mim como um apelo de Deus, convite a fazer do exercício do desenho e da criação plástica meio para contemplar Deus e dar concretude à sua Palavra em mim”, diz a irmã Sandra. O 7MARGENS publica dez aguarelas resultantes desse exercício.
A poesia é a verdade justa
“A coisa mais antiga de que me lembro é dum quarto em frente do mar dentro do qual estava, poisada em cima duma mesa, uma maçã enorme e vermelha”, escreve Sophia de Mello Breyner na sua Arte Poética III. Foi destas palavras que me lembrei ao ver o filme Poesia do sul coreano Lee Chang-dong, de 2010
Urbano Duarte: padre, professor e jornalista, 40 anos de uma marca perene
Completam-se neste domingo, 17 de Maio, 40 anos sobre a morte do cónego Urbano Duarte, padre, professor e jornalista, que marcou gerações e se envolveu em polémicas mediáticas. A efeméride será recordada durante a missa celebrada no Seminário Maior de Coimbra, a partir das 11h00.
Os espectros são sobretudo os longínquos outros
As vidas precárias “são vidas em relação às quais não faz sentido o luto porque já estavam perdidas para sempre ou porque, melhor ainda, nunca ‘chegaram a ser’, e devem ser eliminadas a partir do momento em que parecem viver obstinadamente nesse estado moribundo. A este estado moribundo das vidas humanas Butler chama desrealização porque transforma o humano em espectro.”
Hinos e canções ortodoxas e balcânicas para a “Theotokos”
Este duplo disco, Hymns and Songs to the Mother of God reúne, como indicado no título, hinos bizantinos (o primeiro) e canções tradicionais (o segundo), dedicados à Mãe de Deus. O projecto levou três anos a concretizar, entre a recolha, estudo e gravação, como conta a própria Nektaria Karantzi na apresentação.
O perdão, a maior alegria de Deus
Há experiências cuja reflexão sobre elas exige humildade e coragem: experiências que marcam a nossa história e o nosso quotidiano, e das quais qualquer pensamento pode pecar pela superficialidade ou pelo idealismo. O perdão é uma dessas experiências. É por isso um ato de coragem a proposta – tão breve como significativa! 112 páginas em formato de bolso – do monge italiano Enzo Bianchi.
Investigadores da Faculdade de Teologia propõem “palavras para este tempo”
“Esta epidemia que parece tão horrível e funesta põe à prova a justiça de cada um e experimenta o espírito dos homens, verificando se os sãos servem os enfermos, se os parentes se amam verdadeira e sinceramente, se os patrões têm piedade dos servos enfermos, se os médicos não abandonam os doentes que imploram auxílio.”
O inimaginável amanhã
“(…) A escrita favoreceu o aparecimento de poderosas entidades ficcionais que organizaram as vidas de milhões de pessoas e deram novas formas à realidade de rios, pântanos e crocodilos. Ao mesmo tempo a escrita fez com que fosse mais fácil para os homens acreditarem na existência de tais entidades ficcionais, porque acostumou as pessoas a experimentarem a realidade através da mediação de símbolos abstratos.” Diz isto Yuval Noah Harari, em Homo Deus, História Breve do Amanhã.
Luis Sepúlveda (1949-2020): viajar para contar
“Eu estive aqui e ninguém contará a minha história”. A frase com que Luis Sepúlveda se confrontou no campo de concentração de Bergen Belsen marcou-o. Deparou-se com ela numa extremidade do campo e muito próximo do lugar onde se erguiam os infames fornos crematórios. Na superfície áspera de uma pedra, viu que “alguém (quem?) gravou, talvez com o auxílio de uma faca ou de um prego” esse que considerou como “o mais dramático dos apelos”.
Iconografia cristã primitiva, nascida no confinamento
A edição em português de Os Primeiros Cristãos – as histórias, os monumentos, as figuras, da autoria do historiador italiano Fabrizio Bisconti, constitui um acontecimento muito significativo. Magnificamente apetrechada de imagens ilustrativas, a obra conduz o leitor na descoberta da arte cristã primitiva, presente em catacumbas, monumentos e vestígios arqueológicos.
Fr. Agostinho da Cruz, professor da liberdade (e o seu último poema, quase “inédito”)
Da leitura dos poemas de Frei Agostinho da Cruz, nascido no dia 3 de Maio de 1540 (faz 480 anos), na vila de Ponte da Barca, nunca saímos de mãos vazias. Ao lê-lo, esquecemos que a sua linguagem tem mais de quatrocentos anos. Trata-se de um poeta cuja actualidade se torna patente a cada hora de convívio. Não se limitou a revestir de beleza artificial os lugares comuns do seu tempo. Confrontamo-nos com um ser que se expôs em cada linha, na sua biografia tumultuosa, cheia de “guerras” e de desilusões.
Diários de quarentena (45): “Da Pacem Domine”, de Alfredo Teixeira
Porque há sofrimento e dor, inquietação e angústia, pedimos que cessem e que possamos viver em tranquilidade e segurança.
Diários de quarentena (40): Uma pequena deceção
Tomei o Tomo 2 do Volume IV (Os Livros Sapienciais) da Bíblia traduzida por Frederico Lourenço (FL) com elevada expetativa sobre os salmos reescritos por ele. Apesar de se estar a rir para mim desde o último Natal, ainda não lhe tinha pegado. Pensei que este tempo de recolhimento lhe seria propício.
Diários de quarentena (39): “A Verdadeira Liberdade”, de Álvaro de Campos, dito pelo TUT
A liberdade, sim, a liberdade!
A verdadeira liberdade!
Pensar sem desejos nem convicções.
25 de Abril sempre! Mesmo (e sobretudo) em tempo de pandemia
Não fizemos um estudo científico, mas não estaríamos a mentir se disséssemos que nunca como este ano nos chegaram à redação tantas informações de iniciativas para celebrar o Dia da Liberdade. Dos municípios aos museus, passando por ONGs, companhias de teatro e IPSS – sem esquecer a Assembleia da República, cuja sessão terá provavelmente uma excelente audiência depois de toda a polémica que a envolveu, a lista é quase interminável. E original. Em tempo de pandemia, 46 anos depois da revolução, este será um 25 de abril em grande parte virtual, mas com uma vontade bem real de celebrarmos e estarmos juntos.
Diários de quarentena (35): Por quem os sinos dobram (e a foto de quando podíamos estar juntos)
Muitos europeus, quando tomaram consciência da pandemia do covid-19 e se preparavam para a quarentena, correram a comprar A Peste, de Albert Camus, e Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago. Os dois romances subiram nos tops de alguns países. Perante uma crise que atrai o adjetivo “inimaginável”, talvez algumas pessoas busquem na ficção, além de um refúgio, uma forma de, recorrendo à imaginação de outros, se prepararem para situações imprevisíveis.
Diários de quarentena (33): Registar o tempo que passa
Dizem os historiadores que a Guerra da Secessão (1861-64) é a primeira sobre a qual se sabe muito, se pode investigar e conhecer imenso. Porquê? Porque, ao contrário do que se passara em anteriores conflitos, nela muitos soldados e baixas patentes sabiam escrever. E escreveram. Diários, cartas e outros textos. Sobretudo cartas. Durante a guerra e nos anos posteriores. Um enorme registo de emoções, razões, expetativas, interpretações, sofrimentos e alegrias.
Padres cantores brasileiros encantam mais de um milhão nas redes sociais
O que fazem durante a quarentena 40 padres que habitualmente usam a música no seu trabalho de evangelização? Escolhem um tema, cantam-no, cada um na sua casa, e reúnem tudo num videoclipe, que apesar de amador, atingiu um milhão de visualizações e mais de mil comentários em apenas 24 horas.
Diários de quarentena (32): O que fazemos para ultrapassar esta quarentena? (e um poema de Miguel Torga)
Joana Damasceno, Ana Carapina e Lara Martins, alunas de Educação Moral e Religiosa Católica do Agrupamento de Escolas José Estêvão (Aveiro): O que é a nossa quarentena. “Neste vídeo mostramos o que temos feito para ocupar a nossa quarentena. Pode também servir como ideias de atividades para outras pessoas, há muita coisa que se pode fazer! Em fundo, Joana Damasceno canta Andrà Tutto Bene (Tudo ficará bem), de Cristóvam.
O desejo de ir além dos confins
A cidade dos desejos ardentes é fruto das meditações orientadas pelo monge italiano Bernardo Gianni no retiro de 2019 da Cúria Romana, no qual participou o Papa Francisco. Este acontecimento é o cenário que permite agora, ao público português, aceder a uma proposta de aprofundamento espiritual densa de sentido e de beleza.
Diários de quarentena (29): Dos telemóveis e da salvação; e uma peça de Liszt com Khatia Buniatishvili ao piano
Ainda alguém se lembra da canção dos “telemóveis”? Aquela que rezava assim: “eu parti o telemóvel/ a tentar ligar para o céu/ pa’ saber se eu mato a saudade/ ou quem morre sou eu”? Lembram-se?
Diários de quarentena (27): Humor pascal e Jesus Christ Superstar
Com esta pandemia, até Jesus tem de encontrar novas formas de aparecer diante dos seus discípulos. Este ano, todos estão sozinhos em quarentena e ninguém foi ao túmulo, os discípulos não puderam estar juntos, Tomé teve de manter distanciamento social e não pôde tocar nas suas feridas.
Atribuído a Eduardo Lourenço o prémio Padre Manuel Antunes
Falar de Eduardo Lourenço é invocar o grande intérprete de Portugal. O Prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes que lhe foi atribuído este ano é o reconhecimento de um percurso de vida de quem tem refletido profundamente sobre a cultura com uma especial inquietação espiritual.
Krzysztof Penderecki (1933-2020) – a memória religiosa no coração da música contemporânea
Esta Páscoa está a ser marcada pela “passagem” de muitos. Os anónimos e outros, cujo legado singular celebramos. O compositor polaco Krzysztof Penderecki (1933-2020) morreu num domingo, no passado 29 março, na cidade polaca de Carcóvia, com a idade de 86, depois de doença prolongada.
A ressurreição do Cordeiro Místico
A Semana Santa poderia muito bem ter oferecido a ocasião adequada para observar demoradamente uma das obras mais singulares da História da Arte: A Adoração do Cordeiro Místico ou Retábulo de Gent.
Diários de quarentena (24): “In manus tuas” – um violino e um cântico
“É uma das muitas músicas de Taizé, que nos acompanha durante aquela que é, para todos os que lá vão, uma das melhores experiências durante o nosso ano e que nos faz entrar em diálogo connosco próprios e com Deus.”
“Ágora”: Inquietação de Deus, poesia que emerge da arte
Ágora, o novo livro de poemas de Ana Luísa Amaral, é uma combinação da bela poesia que lhe conhecemos com imagens de obras de arte. Melhor diria, são poemas que emergem da contemplação de obras de arte.
Diários de quarentena (23): Fonte de Vida e A Última Ceia
Trouxe as palavras e colocou-as sobre a mesa./ Trouxe-as dentro das mãos fechadas (alguns disseram/ que apenas escondia as feridas do silêncio).
Diários de quarentena (22): Um cartaz em Sintra e um poema de Drummond
Obrigado como todos nós a ficar em casa, Luís mandou estendeu uma bandeirola na varanda do seu apartamento, em Sintra: “Separados mas juntos!” Quem passa pela pequena praceta onde ele mora, sorri ao abraço. Não sabe é que o autor do bom grito, um jovem técnico de iluminação, 28 anos, desempregado, mandou o seu recado ao mundo quando também perdia a namorada
Egito Gonçalves, poeta desaparecido, mas presente
Falo de Egito Gonçalves, que faz 100 anos neste 8 de Abril de 2020 (Matosinhos, 1920 – Porto, 2001). Editor, tradutor, poeta com vasta obra publicada e traduzida em francês, inglês, castelhano, catalão, búlgaro, polaco, turco.
Diários de quarentena (21): “Modinha”, uma suite ao piano; uma lua sagrada; e uma Semana Santa ressurrecional
Esta é uma das variadas formas que tenho arranjado para tentar ocupar da melhor forma o meu novo dia-a-dia. Acredito que podemos aproveitar este aparentemente interminável tempo para nos dedicarmos àquilo que nos desculpamos de falta de oportunidades para fazer noutras ocasiões.
Tagore: Em busca de Deus
Rabindranath Tagore (1861-1941), Nobel de Literatura em 1913, é um grande poeta universal. Indiano, de família principesca, estudou Direito e Literatura, em Inglaterra, em 1877, não chegando a acabar o curso devido à secura do ensino superior ministrado. Tal como o seu amigo Gandhi, que sabia de cor e recitava todos os dias as Bem-aventuranças, foi atraído pelo cristianismo e
A verdade não é tudo, mas é um bom princípio
O affaire Dreyfus, que abalou a França no final do século XIX, foi um momento provavelmente decisivo, por ser um marco – alguns dizem que um farol – do empenhamento público e político dos intelectuais.
Eduardo Lourenço, “o mais reputado pensador português da actualidade”, é Prémio Árvore da Vida, da Igreja Católica
O ensaísta Eduardo Lourenço foi distinguido com o Prémio Árvore da Vida-Padre Manuel Antunes 2020, atribuído pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, da Igreja Católica, para destacar um percurso ou obra que, além de atingirem elevado nível de conhecimento ou criatividade estética, reflectem o humanismo e a experiência cristã.
Editora francesa oferece “panfletos” sobre a crise
Sendo certo que as doações essenciais neste período de pandemia dizem respeito a tudo o que nos pode tratar da saúde física, não há razão para negligenciar outras dádivas. É o caso de uma das mais famosas editoras francesas, a Gallimard, que diariamente oferece textos que pretendem ser uma terceira via entre a solenidade da escrita de um livro e o anódino da informação de um ecrã.
Diários de quarentena (16): Labirinto sem saída
Por estes dias em que se começam a ouvir algumas queixas por este confinamento a que estamos sujeitos, tenho pensado no que será estar preso “a sério”.
O testamento espiritual de Mardones: para uma verdadeira imagem de Deus
Este livro póstumo do padre católico José Maria Mardones, investigador do Instituto de Filosofia de Madrid e doutor em Sociologia e Teologia, foi concluído dois dias antes da sua morte e é considerado, por muitos, o seu testamento espiritual.
Diários de quarentena (13): Um “Va, pensiero” através da música, gravado em casa de cada um dos membros do coro
A música começa com os violinos e a flauta e só depois se junta a orquestra e, finalmente, todo o coro: Va, pensiero sull’ali dorate… “Vai, pensamento, nas asas douradas. Vai, pousa nas falésias, nas colinas… Do Jordão saúda a costa, de Sião…”
Nick Cave e o espanto de Maria Madalena defronte do túmulo
É um assombro que espanta Nick Cave, aquele em que Maria Madalena e Maria permanecem junto à sepultura. Para o músico australiano, este é provavelmente o seu momento preferido da Bíblia. Jesus tinha sido retirado da cruz, o seu corpo depositado num túmulo novo, mandado talhar na rocha, e uma pesada pedra rolou para fazer a porta da sepultura. Os doze discípulos fugiram, só Maria Madalena e “a outra Maria” ali ficaram diante do túmulo.
Apesar de tudo, a liberdade
Sinto a doença à minha volta e à volta dos meus. E, nesta reclusão involuntária, lembro-me de Trujillo e de suas altas torres. Não de todas, mas de uma que, na sua delgada altivez, se assumiu como mirante.
Diários de quarentena (11): Quando vier a Primavera, poema de Alberto Caeiro
Quando vier a Primavera – um poema de Alberto Caeiro, escolhido por J. Lopes Morgado
Júlio Martín, actor e encenador: O Teatro permite “calçar os sapatos do outro”
O actor e encenador Júlio Martín diz que o teatro permite fazer a experiência de “calçar os sapatos do outro”, mantém uma conversa em aberto e, tal como a religião, “faz religar e reler”. E permite ainda fazer a “experiência de calçar os sapatos do outro, como os americanos dizem; sair de mim e estar no lugar do outro, na vida do outro, como ele pensa ou sente”, afirma, em entrevista à agência Ecclesia.
Diários de quarentena (9): Corvida 20 e um vírus discriminatório
De repente o dia acordou sem cor / O olhar fechou-se entre o chão e o tecto / O som da rua é o da gota de água da torneira da cozinha / E a Terra encolheu-se num simples quadro…
Diários de quarentena (8): Viver confinado – (Part)Ida, poema de Daniel Faria e música de Alfredo Teixeira
Viver confinado é, também, uma experiência simbólica. Os primeiros cientistas socias, que estudaram o fenómeno urbano moderno, explicaram como nós, os humanos, usamos estratégias de distanciamento psíquico quando nos falta espaço.
Música, acompanhamento espiritual, reflexões e propostas de oração dos jesuítas para a quarentena
Mais de duas dezenas de pessoas foram já atendidas nos primeiros dias de funcionamento da iniciativa “Converse com um jesuíta”, lançada na semana passada pelos padres da Companhia de Jesus, em Portugal, a par de outras ideias e sugestões que tentam ir ao encontro de quem quer sentir-se acompanhado, rezar, ser ouvido por telefone ou internet…
Terras sem Sombra em Arraiolos: música e património celebram arte, ciência e mulheres
O Festival Terras Sem Sombra faz neste fim-de-semana escala em Arraiolos, com a flautista checa Monika Streitová e a pianista portuguesa Ana Telles a interpretarem obras de mulheres compositoras, da Idade Média à actualidade.
Reclusos integram quadros do Presépio Vivo de Priscos
O envolvimento de reclusos detidos no Estabelecimento Prisional de Braga é uma das marcas que, à semelhança das edições anteriores, está de novo presente na 14ª edição do “Presépio Vivo”, de Priscos (concelho e diocese de Braga), inaugurada neste domingo, 14 de Dezembro.
Sophia lida pelos mais novos (6) – A Floresta
Uma floresta onde se esconde um tesouro – e o que fazer com ele? Um convento de frades e um bando de bandidos, uma menina que acredita em anões e um anão que guarda a floresta há 200 anos. E ainda um músico que só precisa de 20 moedas e um cientista olhado como louco. Ingredientes de “A Floresta”, um dos contos infantis de Sophia de Mello Breyner, hoje aqui relido em textos e ilustrações de alunos do 4º ano, turma C, da Escola Básica Bom Pastor (Porto) – e ainda numa placa de pasta de modelar dos alunos do 6º ano do Externato da Luz (Lisboa).
Sophia lida pelos mais novos (5) – A Árvore
Uma árvore de que as pessoas gostam, que se transforma em sombra demasiada, que é cortada e partilhada, que se transforma em memória e cantiga, num barco grande ou em cerejeiras… A Árvore, um dos contos infantis de Sophia de Mello Breyner, é hoje aqui recontada com textos e ilustrações de alunos do 4º ano, turma C, da Escola Básica Bom Pastor (Porto).
Zambujo, Sardet e Travassos em concerto solidário apoiam estudantes de Coimbra com dificuldades
António Zambujo, André Sardet e Luís Travassos (e ainda Ricardo J. Dias, André Dias e Ni Ferreirinha) juntam-se nesta terça-feira, 19 de Novembro, em Coimbra, num concerto solidário em Coimbra, destinado a recolher fundos para apoio de estudantes universitários com dificuldades.
“No tempo dividido” – Mistagogia da temporalidade na poesia de Sophia
Sophia chegou cedo. Tinha dez ou onze anos quando li O Cavaleiro da Dinamarca, cuja primeira edição data de 1964. É difícil explicar o que nos ensina cada livro que lemos. Se fechar os olhos, passados mais de 30 anos, recordo ainda que ali aprendi a condição de pe-regrino, uma qualquer deriva que não só nos conduz de Jerusalém a Veneza, como – mais profundamente – nos possibilita uma iniciação ao testemunho mudo das pedras de uma e às águas trémulas dos canais da outra, onde se refletem as leves colunas dos palácios cor-de-rosa.
Clara Bingemer, teóloga da mística de olhos abertos, no simpósio dos 50 anos da Faculdade de Teologia
Apresentando-se como carioca, mãe de três filhos e avó de quatro netos, Bingemer é professora de Teologia Fundamental na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Nesta quarta-feira, Mara Clara Bingemer estará no Porto, no centro regional da Universidade Católica, para falar sobre “Tendências teológicas na América Latina”. Bingemer será um dos nomes que intervém no simpósio sobre “Teologia e Espaço Público”, que se inicia nesta terça-feira, 5 de Novembro, às 11h.
Uma metáfora da condição humana na obra de um escultor iemenita, para ver em Bragança
Uma verdadeira metáfora da condição e da comunicação humanas é como se apresenta a obra do escultor Zadok Ben-David (Iémen, 1949), em exposição no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais (Bragança) até ao dia 10 de Novembro (depois de prolongada a data inicialmente prevista para o fecho).
Nobel para Olga Tokarczuk, uma “mística na busca perpétua da verdade”
Uma das suas amigas, Kinga Dunin, explica sobre a vencedora do Nobel da Literatura, Olga Tokarczuk: “É uma mística na busca perpétua da verdade, verdade que só pode ser alcançada em movimento, transgredindo as fronteiras. Todas as formas, instituições e idiomas concertados são a morte.”
A beleza num livro de aforismos de Tolentino Mendonça
Um novo livro do novo cardeal português foi ontem posto à venda. Uma Beleza Que nos Pertence é uma colecção de aforismos e citações, retirados dos seus outros livros de ensaio e crónicas, “acerca do sentido da vida, a beleza das coisas, a presença de Deus, as dúvidas e as incertezas espirituais dos nossos dias”, segundo a nota de imprensa da editora Quetzal.
O quarto de brinquedos que é espelho do mundo
Toy Story/4 é uma metáfora da Humanidade que vale a pena ver devagar. Foram vários os críticos que não tiveram pudor em enunciar todas as lições de vida que tinham aprendido com este(s) filme(s).
Salgado e doce na criação musical e litúrgica do LabOratório
Mal se chega, ouve-se um canto. Nesta manhã fresca, depois de atravessar o corredor, o som leva-nos à igreja do Convento de São Domingos, em Lisboa. O canto, na sonoridade das vozes, traz-nos uma construção melódica, transporta-nos para algo novo, sem deixar de ser familiar. Estão cerca de vinte pessoas na igreja: professores, organizadores e participantes no LabOratório rezam a oração de laudes, ou oração de manhã.
Arte e arquitectura religiosa com semana cheia em Lisboa
Visitas à arte e arquitecura de igrejas e conventos e um curso livre sobre Arte Moderna e Arte da Igreja são várias iniciativas previstas para os próximos oito dias em Lisboa. O curso decorrerá na Capela do Rato (Lisboa), entre segunda e sexta da próxima semana (dias 23 a 27) e na Igreja de Moscavide (sábado, 28) e pretende evoca o livro publicado há 60 anos pelo padre Manuel Mendes Atanásio, mas também os 50 anos do fim do MRAR.
O jazz e a música electrónica a entrar na liturgia
LabOratório propõe-se criar música para ambientes litúrgicos; orações, conferências e concertos são de entrada livre. Entre 1 e 8 de Setembro, em Lisboa.
Reportagem: Iucatão e Chichén Itzá, entre o mar de turquesa e os “cenotes” quase ocultos
O xamán está a pedir a protecção dos que vão visitar o recinto de Chichén Itzá. Enquanto toco na nuca com um pouco de água, questiono-me quanto daquilo não é folclore para turista e apostaria que quase toda a gente que participou no ritual (?) terá feito a mesma pergunta.
O que há neste lugar? – Guia de exploração, livro de espiritualidade
Poderá um guia de exploração da paisagem, para crianças e jovens, ser um livro de espiritualidade?
Penso que sim, e não apenas para crianças.
Filhos de pescadores trazem a excelência da música filipina ao Alentejo
O concerto deste sábado, 29 de Junho, do festival Terras Sem Sombra (TSS) será uma forma de tentar captar a atenção das crianças e jovens para a música erudita, para tentar contrariar o “evidente envelhecimento do público da música erudita”.
Uma exposição missionária itinerante, porque “parar é retroceder”
Um altar budista do Tibete; uma barquinha em chifres, de Angola; um calendário eterno dos aztecas; crucifixos de África ou da Índia; uma cuia da Amazónia; uma mamã africana e uma Sagrada Família, de Moçambique; uma placa com um excerto do Alcorão; e um nilavilakku , candelabro de mesa indiano – estas são algumas das peças que podem ser vistas até sábado, 19 de Junho, na Igreja de São Domingos, em Lisboa (junto ao Rossio).
Dois portugueses deram música ao Papa
Dois músicos portugueses, o maestro António Victorino d’Almeida e o compositor Luís Zagalo, ofereceram ao Papa os seus mais recentes trabalhos: o maestro António Victorino d’Almeida ofereceu a partitura original das Missa de Santo António e Missa de São Francisco de Assis, compostas especialmente para Francisco; e Luís Zagalo o seu último disco Encontro(s), com dez canções originais dedicadas a Santa Teresa de Jesus.
António, um rapaz de Lisboa. Roteiro para uma peregrinação popular
A igreja onde vão celebrar de propósito ou a capela a que ninguém liga. Um painel numa estação ou uma escultura num hospital, a capital guarda locais improváveis de memória do rapaz de Lisboa.
Frei Agostinho da Cruz, um poeta da liberdade em tempos de Inquisição
“Poeta da liberdade”, que “obriga a pensar o que somos”, viveu em tempos de Inquisição, quando as pessoas com uma visão demasiado autónoma “não eram muito bem vistas”. Uma Antologia Poética de frei Agostinho da Cruz, que morreu há 400 anos, será apresentada esta sexta, 14 de Junho, numa sessão em que Teresa Salgueiro interpretará músicas com poemas do frade arrábido.
Agustina Bessa-Luís: Relembrar a Voz
Elevadas figuras públicas julgaram e acharam e opinaram e qualificaram a sua pessoa. Agustina dispensaria adjetivos elogiosos, artifícios de oratória, distinções de circunstância. A compensar o vazio da voz ao vivo, ficam as lembranças, folheiam-se as páginas, retoma-se o embalo do texto, saboreiam-se as personagens, guardam-se as suas reflexões. A surpresa acontece, sempre.
Música sacra e espirituais negros em concertos pelo Coro da Nova
O Coro da Nova (Universidade Nova de Lisboa) realiza dois concertos da Primavera neste fim-de-semana (sexta, 31 de Maio, às 21h, na reitoria da Universidade Nova; e domingo, 2 de Junho, às 17h30, na Igreja da Graça). Com um programa inteiramente a capella dedicado à música sacra, aos polifonistas portugueses e europeus e aos espirituais negros, os concertos têm entrada livre e serão dirigidos pelo maestro João Valeriano.
Marco Beasley em Sintra: Como sem esta música poderíamos estar?
Como sem esta música poderíamos estar? O concerto que nesta noite de sábado, dia 25 (às 21h30) encerra o ciclo Reencontros, em Sintra, promete ser intenso, divertido, profundo, íntimo, quente. Numa viagem por temas tradicionais do século XVI, entre a Apúlia e Nápoles, poderá ver-se toda a riqueza e pluriformidade de um cancioneiro tão abundante quanto musicalmente excepcional.
Gen Verde em Évora (depois de Lisboa): A paz é uma escolha e a música pode ajudar
“A paz é uma escolha, temos de a construir no dia-a-dia. “E é uma escolha concreta, não apenas poética”, diz Adriana Martins, 44 anos, do Brasi, cantora do Gen Verde, banda de música internacional ligada aos Focolares. Neste sábado, 25, o grupo dará o seu penúltimo concerto da digressão portuguesa de From Inside Outside (De dentro para fora) em Évora (Arena, 21h).
Terras Sem Sombra em Odemira: do flamenco ao jazz, um Quartetazzo de mulheres na flauta
O ensemble Quartetazzo é o grupo convidado deste sábado, 25 de Maio, no festival Terras Sem Sombra, na sua paragem na igreja da aldeia de S. Martinho das Amoreiras (Odemira). O quarteto feminino de flautas travessas dará um concerto de música contemporânea, com peças pouco conhecidas de Espanha, Brasil, Argentina e Estados Unidos, incluindo de jazz.
“Cristãos escondidos” do Japão, faceta assumida da história do país
A condecoração do Japão ao cardeal Raffaele Farina, ex-responsável da Biblioteca Vaticana, fica a dever-se ao contributo que deu “para a reorganização dos documentos históricos do período Edo”, durante o qual foi imposta a proibição do cristianismo na região japonesa do Bungo.
Conventos (antigos) de Lisboa abrem portas para visitas guiadas e livres
“O que têm em comum a Assembleia da República, o Museu Nacional de Arte Antiga, a Cúria Patriarcal ou os Armazéns do Chiado? Todos já foram conventos ou mosteiros.
Coro do Trinity College de Dublin em Lisboa para concerto e eucaristia
Neste sábado e domingo, 18 e 19 de Maio, Lisboa acolhe dois concertos do Coro da Capela do Trinity College de Dublin (Irlanda). Às 17 horas de sábado, o coro dará um concerto de música sacra na Sé de Lisboa; no domingo, participa na eucaristia dominical na Catedral Lusitana de S. Paulo em Lisboa (Comunhão Anglicana), com início às 11h00 (Rua das Janelas Verdes).
Teatro: À espera de um jogo de espelhos em Goga
Entra-se e estão as 23 personagens no palco. Em rigor, esse número inclui as personagens e os seus espelhos. Estão fixas, rígidas. São um quadro que se deve olhar, de modo a reparar em todos os pormenores. Porque está o corcunda Teobald de livro na mão? Porque há um homem e uma mulher com malas?
Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos
Não, não vamos ser todos índios, mas temos muito a aprender com eles. Por isso, Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos é muito mais que um filme.
Cinema: “Invisível herói” ganha prémio Árvore da Vida no IndieLisboa
O filme Invisível Herói, da realizadora Cristèle Alves Meira, ganhou este sábado o prémio Árvore da Vida, atribuído pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, a uma obra selecionada para a Competição Nacional do festival de cinema IndieLisboa.
Gianfranco Ravasi: “O problema não é se Deus existe. É saber qual Deus”
Numa conversa sem filtro, o cardeal Ravasi fala dos abusos sexuais na Igreja e da pequenez dos políticos, de sucesso e fé cristã, sucessos e insucessos de Jesus e do Papa Francisco, do insucesso da Igreja Católica junto das mulheres e dos jovens ou das razões do insucesso das formas contemporâneas de fazer política.
Ferenc Snétberger, mágico cigano da guitarra, no “mais belo lagar do mundo”
O Festival Terras Sem Sombra passa hoje e amanhã por Ferreira do Alentejo: o compositor e guitarrista húngaro Ferenc Snétberger, acompanhado de solistas jovens do seu país apresentam-se num palco fora do comum: o Lagar do Marmelo
O corneto, a Fénix renascida e uma luz na noite de Sintra
À quarta peça, dedicada a São Marcos, os músicos dividem-se e colocam-se nos dois extremos da sala e o efeito na Sala dos Cisnes do Palácio de Sintra soa como uma estereofonia: o som preenche todo o espaço a partir dos seus extremos, o jogo melódico parece amplificar o tamanho da sala.
Pintura e desenho de Emília Nadal no Sardoal: “Meditações” sobre a Paixão e Páscoa
São “como que meditações” acerca da paixão de Jesus, uma história “perversa” e que revela a “plena humanidade” de Cristo, diz a pintora Emília Nadal ao 7MARGENS, sobre as obras que seleccionou para a exposição Paixão. A mostra inclui obras de pintura e desenho realizadas ao longo de duas décadas e está patente no Centro Cultural Gil Vicente, no Sardoal, até 9 de Junho (Domingo de Pentecostes).
Prémio Árvore da Vida para José Mattoso: O “governo do povo” favorece quem já tem o poder
O historiador José Mattoso foi distinguido com o Prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes 2019, atribuído pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC), da Igreja Católica, noticiou o SNPC na sua página na internet.
Livro: Papa Francisco Debaixo de Fogo
O arcebispo Carlo Maria Viganò, ex-núncio do Vaticano nos Estados Unidos da América, protagonizou em Agosto do ano passado um invulgar caso com um fortíssimo impacto mediático, político e eclesial ao acusar o Papa Francisco de conhecer situações de assédio sexual cometidas pelo então cardeal Theodore McCarrick e de não ter agido contra o prelado com o vigor que a gravidade da situação requeria.
Debate: E se deixassem Notre-Dame em ruínas?
Ainda os bombeiros faziam o rescaldo do fogo e já os milhões de euros se contabilizavam às centenas para a reconstrução da catedral de Notre-Dame de Paris. Nada a opor à mobilização de famosos e anónimos, particulares e empresas, estados e até organizações como o Comité Olímpico Internacional, visto os Jogos Olímpicos estarem marcados para Paris em 2024, para a reconstrução do edifício que é dos mais visitados do mundo e um símbolo da Europa.
Mais para lá da música: Gen Verde inicia em Braga digressão portuguesa
A segunda música é como que um emblema do disco e da banda: vinte jovens mulheres em palco, oriundas de 15 nacionalidades diferentes (a que se juntam 150 jovens para cantar, dançar, fazer teatro e tocar percussão, depois de prepararem essa participação numa oficina de quatro dias) só poderiam fazer esta música assim: Terra de Paz/A Nossa Terra Comum é o título, nas versões castelhana e inglesa.
Do México, “con cariño” – das Pirâmides de Teotihuacan à Virgem de Guadalupe
A cidade do México é uma cidade imensa de habitantes – mais do que a população de Portugal –, a 1.800 metros de altitude, a pérola da colonização espanhola do século XVI. Visitei a Plaza Mayor, bem mais larga e imponente do que a de Madrid, afirmando o domínio da nação colonizadora. Uma cidade de seculares contradições na diferença abissal entre os mais ricos e os mais pobres, com uma classe média trabalhadora mas empobrecida.
Terras Sem Sombra em Elvas, entre Cabezón, os ex-votos e o jacinto-de-água
O Festival Terras Sem Sombra regressa já neste sábado e domingo à zona fronteiriça, com um concerto, um itinerário pelo património histórico e um outro pela biodiversidade ameaçada. O concerto de sábado às 21h30, na antiga catedral de Elvas, promete um momento especial, já que se poderá ouvir o Órgão Grande Oldovino, de 1762 (mas recentemente restaurado), tocado por Juan de la Rubia, organista titular da Basílica da Sagrada Família, de Barcelona e recentemente distinguido com o título de melhor organista da Europa.
Museu Internacional do Livro Sagrado apresentado dia 25 em Gouveia
O futuro Museu Internacional do Livro Sagrado será apresentado esta quinta-feira, 25 de Abril, em Gouveia, durante um colóquio que anunciará também o congresso científico sobre A Bíblia na Cultura Ocidental: Milénios de Civilização e os três volumes de Bíblia na Cultura Portuguesa.
O futuro da sociedade inscrito no futuro da religião
Sociólogo, antropólogo, teólogo e músico, Alfredo Teixeira consegue juntar as suas múltiplas competências num discurso complexo e dialeticamente multifacetado, em que a aridez dos dados sociológicos é animada pela carne do olhar antropológico (que vê gente dentro dos fenómenos), os números são substanciados pelos símbolos e os factos são reconhecidos na independência não autossuficiente da verdade.
Uma ferida que precisará de cicatrizar na nossa alma
“Nas faces desta velha rainha das nossas catedrais, ao lado de uma ruga, vê-se sempre uma cicatriz.”
Laranjeiras em Atenas
Há Laranjeiras em Atenas, de Leonor Xavier (Temas e Debates/Círculo de Leitores, 2019) reúne um conjunto diversificado de textos, a um tempo divertidos e sérios, livro de memórias e de viagens, de anotações e comentários… O gosto e a surpresa têm a ver com pequenos pormenores, mas absolutamente marcantes.
Quantas viagens são precisas para se chegar a casa?
Digo, desde já, com a maior parte dos cinéfilos, que este é um filme extraordinário, um dos melhores de Clint Eastwood, talvez o ‘canto do cisne’ da sua magnífica filmografia, como actor e realizador.
Agnès Varda, cineasta “marcada pela liberdade de expressão”
A realizadora Agnès Varda, que morreu sexta-feira, 29 de março, era uma cineasta marcada pela “liberdade de expressão”. Foi desse modo que L’Osservatore Romano, jornal oficial do Vaticano, prestou a sua homenagem à cineasta, uma das fundadoras da nouvelle vague, uma das correntes fundamentais do cinema francês e mundial, da década de 1960.
“Entre-Tanto somos símbolos e habitamos símbolos”
Refiro-me a essa fascinante obra que é Entre-Tanto, de José Frazão Correia sj.
Ora, uma das coisas que os anglo-saxónicos me ensinaram foi o chamado método indirecto. Por isso, ainda antes de sinalizar aquelas presenças, comecemos por antever alguns sintomas, como o título desta mesma obra: Entre-tanto. Não Entretanto, mas Entre-tanto. Um hífen cortava a palavra em duas, decompunha-a, para logo a recompor.
O armário de Frédéric Martel
A tese central do livro, desdobrada em 14 regras, é a de que a Igreja Católica está a ser destruída pela doutrina moral que impõe o celibato e a castidade, ao mesmo tempo que abomina a homossexualidade, mas convive com uma enorme tolerância disciplinar perante práticas homossexuais, incluindo o encobrimento de abusos sexuais.
“Sombra Silêncio” – poesia para vigiar o Mistério
Assim descreve Carlos Poças Falcão, numa breve nota final, os poemas reunidos em Sombra Silêncio: «Cançonetas de um Verão que logo passam, mas que para sempre ficam ligadas à memória mítica de um rosto, de um clima, de um lugar – assim estes poemas. Em caso algum me biografei. Mas em todos eles me vejo e me estranho.»
“Rezar no Coração” – o discípulo pergunta, o mestre responde
Em Rezar no Coração, Tomáš Špidlík, jesuíta checo, utiliza o método dos antigos mestres da espiritualidade com os seus discípulos – o discípulo pergunta e o mestre vai respondendo, sendo cada resposta um convite a nova pergunta. É este cenário de proximidade que...
Gomes Eanes: paradigma do espírito reformista no século XV, elo português no retiro do Papa
Estando o tema da Reforma da Igreja Católica, mais uma vez, na ordem do dia é de particular pertinência evocar a voz e o percurso de uma figura maior do universo religioso português do século XV e do diálogo luso-italiano que teve lugar nesta centúria: D. Gomes Eanes, tradicionalmente conhecido como o Abade de Florença. A sua voz ressoa em centenas de registos exemplificativos da abertura de Portugal às correntes reformistas e de observância que então percorriam a Cristandade.
“Como nos comportamos à porta do Inferno?”
A primeira estranheza do filme é a mistura do passado com o presente: os personagens são do passado, mas o ‘resto’ é tudo presente. Como quem sugere que, afinal, vivemos os mesmos medos e perigos, que o mundo continua a ser um ‘inferno’. É assim que começa um livro, escrito à máquina numas folhas e que o autor não chegou a editar. Estará ainda guardado pelo dono daquele café de Marselha, o Ventoux?…
Clarice Lispector e Deus
Clarice Lispector, grande escritora brasileira, nascida de uma família que teve de abandonar a Ucrânia devido às perseguições aos judeus, é considerada uma das grandes escritoras do século XX, a maior escritora judia depois de Kafka.
Terras sem Sombra (des)encantou tesouros em Monsaraz
A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Lagoa sobrelotou para aplaudir a música tardo-romântica, num concerto protagonizado pelo Trío Arbós, um dos mais reputados ensembles de câmara europeus da atualidade. No Museu do Fresco contou-se a misteriosa história por detrás da obra-prima do fresco do Bom e do Mau Juiz. Um fim-de-semana, feito de sons e matizes, para contemplar paisagens da região, na serenidade das águas do Grande Lago Alqueva.
Adélia Prado: Espírito em Corpo de Mulher
Nestes últimos tempos de violência contra as mulheres, pela onda crescente de notícias sobre horror, tortura e morte, sofremos sinais de tragédia, de prantos e lutos, a ensombrecer-nos os dias.
Atrevo-me, neste contexto, a dizer que a escritora brasileira Adélia Prado inspirou este meu pequeno texto, no sentimento divino das mais comuns circunstâncias da nossa humana condição.
cummings e a responsabilidade do humano
Dois sonetos de e.e. cummings (1894-1962), ambos publicados em Xaipe (1950), dão-nos duas possibilidades de pensarmos a responsabilidade humana na terra, para a qual o Papa Francisco apela na sua carta encíclica Laudato Si’ – sobre o cuidado da casa comum, de 2015. Ambos os poemas surgem numa pequena antologia bilingue organizada por Jorge Fazenda Lourenço (Assírio & Alvim, 1991; col. Gato Maltês), e focam dois modos de ver esta mesma responsabilidade
Entre o som e o silêncio: Terras sem Sombra estreia-se em Reguengos de Monsaraz
Pela primeira vez, o Festival Terras Sem Sombra vai a Reguengos de Monsaraz. À beira do maior lago artificial da Europa, ouvir-se-à música portuguesa e espanhola do final do século XIX. Uma visita guiada ao fresco do bom e do mau juiz e ao património ambiental da região completam o programa de sábado e domingo.
A Palavra, de Carl Dreyer: Provas de Vida
“Discute-se muito o milagre final de A Palavra, mas muitas vezes todos os outros que passam precisamente por esta potência da palavra e do gesto são esquecidos como momentos inesperados de mudança.” A crónica de cinema de Sérgio Dias Branco.
Obras de misericórdia na Cooperativa Árvore
Até à próxima sexta-feira, dia 8 de Fevereiro, ainda pode ver-se na Cooperativa Árvore, no Porto, a exposição sobre as obras de misericórdia “dar pousada aos peregrinos” e “rogar a Deus por vivos e defuntos”, com a participação de vários artistas.
Auschwitz, aqui tão perto
Até 3 de Fevereiro, ainda é possível ver em Madrid uma exposição sobre Auschwitz, que reconstrói o campo e a sua máquina de morte. A Nair Alexandra foi ver e recomenda. Quem possa, corra. Porque, como avisa o sobrevivente e grande escritor italiano Primo Levi: “Aconteceu. Em consequência pode voltar a acontecer.”
Segredos e mentiras: afinal, o que é uma família?
A crítica do filme japonês Shoplifters – Uma Família de Pequenos Ladrões de Manuel Mendes.
A Noite Escura da Fé: Luz de Inverno, de Ingmar Bergman
A crítica de cinema do filme sueco “Luz de Inverno”, por Sérgio Dias Branco.
Exaltação das comunidades errantes
Exaltation é um diamante lapidado ou um extraordinário colar que vai desfiando preciosidades raras. Desde logo, pela voz única do contratenor israelita Yaniv d’Or, de ascendência sefardita (os judeus da Península Ibérica).
Roma: distinção católica para um filme sobre a coragem solidária das mulheres
O filme Roma - realizado pelo mexicano Alfonso Cuarón -, que venceu o Leão de Ouro, prémio principal do Festival de Cinema de Veneza, foi galardoado também com o prémio da Signis – Associação Católica Mundial para a Comunicação, na 75ª edição do certame, que terminou...
Uma carga preciosa
No início do mês de Setembro de 2015, uma criança aparecia morta numa praia da Turquia. Ficou depois a saber-se que era um menino sírio. Tinha três anos e chamava-se Alan Kurdi. As imagens terríveis que o mostravam só, deitado na orla do mar, como que adormecido, ou...
Bem-aventurados os puros de coração
Este filme tinha tudo para ser ‘arrumado’ na prateleira dos que, um dia, passariam pela televisão e, se calhasse, talvez desse para uma espreitadela disfarçada: uma história mais do que contada, a tender para o choradinho, pouco mais do que um entretenimento. Enfim,...
Um caminho de quem procura o que perdeu
O disco começa num tom de caminho esforçado, talvez um pouco melancólico, de quem procura o que perdeu: “Onde te escondeste, Amado...?” Cresce, depois, para perguntas e respostas, num diálogo entre a esposa e o esposo, onde se percebe a inspiração do Cântico dos...
As questões “ambientais, económicas e éticas” do desperdício alimentar
É possível que o livro Desperdício alimentar, de Iva Pires, professora da Universidade de Lisboa, não seja para muitos um livro oportuno para a quadra natalícia. Os que pouco se apoquentam em multiplicar o esbanjamento de comida nesta altura do ano acharão, com...
O fanatismo como “inflexibilidade, sentimentalismo e falta de imaginação”
O romancista israelita Sami Michael descreveu uma viagem de táxi em que o motorista se pôs a predicar sobre quão importante era para os judeus, como ele próprio e o seu passageiro, que se matassem todos os árabes. Sami Michael escutava-o com enorme paciência e, em...
Pecadores impenitentes e pequenas epifanias
É a fotografia que empresta o título ao mais recente livro editado em Portugaldo escritor italiano Claudio Magris. Ele socorre-se, aliás, do Grande Dicionário da Língua Italiana para, logo no início de Instantâneos, explicar que o instantâneo é “obtido com um tempo de...
Teatro musical Clara – Uma luz na noite
Entrevista ao encenador Tiago Sepúlveda e imagens dos ensaios Clara – Uma luz na noite é o título do teatro musical encenado por Tiago Sepúlveda e apresentado pelo Grupo de Teatro Musical Religioso (GTMR), que será levado à cena nos próximos dias...
Uma rota para respirar o tempo
Quando se entra, três grandes ecrãs dão o mote a esta exposição diferente: neles se vêem imagens, captadas com uma câmara fixa, dos claustros das catedrais do Porto, Santarém e Évora. Vêem-se pessoas a atravessar uma ala do claustro, saem da imagem, surgem pessoas...

