Curdos: o maior povo sem pátria, um excelente estudo de caso de política internacional

| 1 Nov 19 | Destaque 2, Últimas

Uma guerrilheira do PKK e população curda durante uma festa nacional, em 2014. Foto © BijiKurdistan/Wikimedia Commons

 

Porque são os curdos um excelente caso de estudo de política internacional? O historiador Francisco Bethencourt, professor no King’s College, em Londres, explica: por “serem uma das maiores minorias étnicas no mundo sem Estado”; por terem “uma enorme tradição histórica, com língua própria indo-europeia”; por terem sido “o maior opositor” ao Daesh, na recente (e não concluída) guerra do Médio Oriente; e por terem “sofrido uma enorme evolução política, social e cultural no último século”.

Num ensaio no Público, Bethencourt recorda ainda que Saladino, o general que derrotou os cruzados, era curdo; que o povo passou do nomadismo para a sedentarização parcial, no século XIX; e que foi a sua exclusão do processo de definição de fronteiras depois da I Guerra Mundial que alargou a revolta desse povo da Turquia a outros países. Ao longo do século XX, várias tentativas de dar corpo ao projecto político curdo não tiveram sucesso.

No filme Sabe qual é o maior povo do mundo sem um país para viver?, realizado pelo Expresso, recordam-se os tratados de Sèvres (1920) e de Lausanne (1923) como etapas inconsequentes desse processo. O filme apresenta um resumo do que têm sido as vicissitudes deste povo de “30 milhões de pessoas sem país nem paz”.

Bethencourt recorda também, no seu ensaio, a evolução do pensamento do líder do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que passou a defender um “ideal socialista libertário, baseado em comunas popularmente eleitas”, um modelo politicamente descentralizado, democracia directa, “gestão comunal com uso privado da propriedade”, uma organização social que “promove a igualdade entre homens e mulheres, uma visão ecológica da relação com a natureza [e] a tolerância pluralista em matéria de religião, política e cultura”.

O historiador português do King’s College defende ainda que a recente operação militar dos EUA não é mais do que “uma operação de diversão face ao protesto pelo abandono dos aliados curdos” e que coloca os Estados Unidos “ao mesmo nível dos islamistas”. “Não terá qualquer impacto no terreno, como a execução de Osama bin Laden não teve qualquer efeito na situação do Afeganistão”, escreve. E acrescenta: “Aliás, a devastação provocada pelas intervenções militares norte-americanas tem sido o melhor contributo para a expansão” do islão radical.

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Dez
14
Sáb
3º Concerto de Natal da Academia de Música de Santa Cecília @ Basílica do Palácio Nacional de Mafra
Dez 14@21:00_22:30

Entrada gratuita mediante o levantamento de bilhetes nos Postos de Turismo de Mafra e Ericeira

 

A Academia de Música de Santa Cecília, escola de ensino integrado de música, apresenta o seu terceiro concerto de Natal nos dias 14 e 15 de Dezembro, no Palácio Nacional de Mafra, classificado recentemente como Património Cultural Mundial da UNESCO.

Neste concerto participa um coro constituído por 250 crianças e jovens dos 10 aos 17 anos e uma orquestra de cordas de alunos da escola, a soprano Ana Paula Russo e ainda o conjunto, único no mundo, dos seis órgãos da Basílica de Mafra.

No programa estão representados vários compositores nacionais e estrangeiros, destacando-se a obra “Seus braços dão Vida ao mundo”, sobre um poema de José Régio, da autoria da jovem Francisca Pizarro, aluna finalista do Curso Secundário de Composição da Academia de Música de Santa Cecília.

O concerto assume especial importância não apenas pela singularidade do conjunto dos seis órgãos do Palácio Nacional de Mafra mas também pela dimensão do número de jovens músicos envolvidos.

A relevância do concerto manifestou-se em edições anteriores (2016 e 2017), pela sua transmissão integral na RTP2, tendo o concerto de Natal de 2017 sido difundido em directo para a União Europeia de Rádio. O concerto tem o patrocínio da Câmara Municipal de Mafra.

Programa do concerto

Arr. Carlos Garcia (1983)
Ó Pastores, Pastorinhos (tradicional de Alferrarede)

Francisca Pizzaro (2001)
Seus braços dão Vida ao mundo (sobre um poema de José Régio), obra em estreia absoluta, encomendada para a ocasião; Francisca Pizarro é aluna do curso secundário de Composição da AMSC

Arr. Fernando Lopes-Graça (1906-1994)
O Menino nas Palhas (tradicional da Beira Baixa)

Eurico Carrapatoso (1962)
Dece do Ceo (sobre um poema de Luís de Camões)

Arr. Carlos Garcia
Gloria in excelsis Deo (tradicional francesa) *

Franz Xaver Gruber (1787-1863) Arr. Carlos Garcia
Stille Nacht

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)
Alleluia, do moteto Exsultate, jubilate

Tradicional francesa
Quand Dieu naquit à Noël

Louis-Claude Daquin (1694-1772)
Noël X

Arr. Malcolm Sargent (1895-1967)
Zither Carol (tradicional da República Checa)

Tradicional do País de Gales
Deck the Halls

John Henry Hopkins Jr. (1820-1891); Arr. Martin Neary (1940)
We three Kings

Arr. Mack Wilberg (1955)
Ding! Dong! Merrily on High (tradicional francesa)

Arr. David Willcocks (1919-2015)
Adeste Fideles (tradicional), com a participação do público.

CANTORES E MÚSICOS
Ana Paula Russo, soprano

Ensemble Vocal da AMSC
Coro do 2º Ciclo da AMSC
Coros do 3º Ciclo e Secundário da AMSC

Orquestra de Cordas da AMSC
Pedro Martins, percussão

Rui Paiva, órgão da Epístola
Flávia Almeida Castro, órgão do Evangelho
Carlos Garcia, órgão de S. Pedro d’Alcântara
João Valério (aluno da AMSC), órgão do Sacramento Liliana Silva, órgão da Conceição
Afonso Dias (ex-aluno da AMSC), órgão de Sta. Bárbara

Carlos Silva, direcção da orquestra

António Gonçalves, direcção

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