D. Aninhas, a “criadora” do Dia dos Avós

| 26 Jul 20

Ana Elisa do Couto, mentora do Dia dos Avós, aqui junto de Alberto Santos, presidente da Câmara Municipal de Penafiel até 2013, e o então bispo auxiliar do Porto, João Miranda Teixeira. Foto: Direitos reservados

Quando se fala do Dia dos Avós é assim um pouco como se falássemos do Dia da Mãe ou Dia da Criança: existe, e ainda bem que existe, mas ninguém se preocupa em saber como é que ele chegou até nós.

Ora acontece que o Dia dos Avós é comemoração ainda recente: a Assembleia da República promulgou-o no dia 4 de Junho de 2003.

Mas foram necessários muitos anos – exactamente 17… – para que isso fosse possível, e graças à luta persistente de D. Aninhas de Penafiel.

Nascida em 1926, Ana Elisa do Couto Faria cedo percebeu o valor dos mais velhos na vida dos mais novos – como transmissores de cultura, de história, de valores. E como mesmo as normais relações diárias entre avós e netos eram importantes porque, como dizia muitas vezes, “é mais importante pedir conselhos do que dá-los”.  E como por tudo isso o país se devia empenhar em ter, oficialmente, um Dia dos Avós.

Desde 1981 que não parou um momento nessa luta.

Ela contactou figuras da Igreja, políticos, deputados, ministros, presidentes da república, autarquias, artistas, escritores, atletas, comunicação social.

Ela correu o pais de lés a lés a colar cartazes e a falar com as pessoas.

Ela fez viagens a países onde houvesse uma grande comunidade portuguesa como o Brasil, a França, a Suíça, a Itália.

Até que finalmente, no dia 4 de Junho de 2003, a Assembleia da República promulgava oficialmente o dia 26 de Julho – dia de S. Joaquim e Santa Ana, os avós de Jesus, segundo a tradição – o Dia Nacional dos Avós.

“Valeu a pena” – foi o que ela disse quando recebeu a notícia.

D. Aninhas ainda festejou essa data com os seus netos durante tês anos. Depois de um AVC que a deixou inactiva, morreu em 2007.

Nesse ano, a Câmara de Penafiel mandou colocar uma lápide numa parede com o seu retrato e o agradecimento de todos os penafidelenses por toda a sua luta – e um dos filhos, António Couto Faria, publicou um livro com a biografia da mãe, a história de todas as suas lutas, documentos, cartas e entrevistas.

Sim, Vale a Pena – é o título.

E não podia ser outro.

 

Alice Vieira é escritora e autora de Rosa, Minha Irmã Rosa; entre os seus últimos livros, estão Contos de Perrault para Crianças Aventureiras, Histórias da Bíblia, Diário de Um Adolescente na Lisboa de 1910Lindo, lindíssimo; sobre o Dia dos Avós e a sua experiência de avó, pode ler-se esta entrevista de Alice Vieira à agência Ecclesia e Rádio Renascença.

 

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