Nomeação oficial nos próximos dias

D. José Ornelas será o novo bispo de Leiria-Fátima

| 25 Jan 2022

Bispo de Setúbal. José Ornelas.

Bispo de Setúbal. José Ornelas. Foto Paulo Rocha/Agência Ecclesia

 

O actual bispo de Setúbal, D. José Ornelas, será nomeado nos próximos dias como sucessor do cardeal António Marto à frente da diocese de Leiria-Fátima, soube o 7MARGENS junto de várias fontes eclesiásticas. Na diocese está tudo a postos e a expectativa entre vários padres e leigos católicos é que esse anúncio possa ocorrer até à próxima sexta-feira, 28 de Janeiro, ou na semana seguinte.

Várias fontes eclesiásticas confirmaram ao 7MARGENS aquilo que, como noticiámos em Setembro, alguns previam que pudesse acontecer ainda antes do final do ano de 2021. 

Havia responsáveis católicos que apostavam em José Ornelas, 68 anos, para futuro patriarca de Lisboa: daqui a dois ou três anos chegará a vez de D. Manuel Clemente ser substituído, já que o cardeal completa 75 anos em 16 de Julho de 2023, duas semanas antes de receber o Papa e centenas de milhares de jovens em Lisboa, para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Os 75 anos são a idade estabelecida para que um bispo peça a resignação e, no caso dos cardeais, esse limite costuma ser estendido por mais um ano ou dois. Ou seja, quando chegasse a altura, o ainda bispo de Setúbal já teria 70 ou 71 anos, o que lhe daria um mandato curto em Lisboa. 

Na diocese de Leiria-Fátima, o facto de ser José Ornelas o bispo escolhido é visto como positivo por várias fontes ouvidas pelo 7MARGENS. Além de ser presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) desde 2020, o facto de ser um dos membros do episcopado mais alinhado com as orientações do Papa Francisco é encarado como um ponto importante a seu favor. Aliás, não é de estranhar que o cardeal Marto tenha influenciado esta escolha, já que ambos têm perspectivas muito semelhantes sobe vários temas. Um dos últimos exemplos foi na questão dos abusos sexuais de membros do clero: na assembleia da CEP, em Novembro, estiveram ambos do mesmo lado, a defender a criação de uma comissão independente de estudo sobre o tema – aquela que veio a ser apresentada no início de Janeiro. 

No caso do cardeal Marto, a substituição não tinha de ocorrer já, uma vez que o ainda bispo de Leiria-Fátima só completa 75 anos em Maio próximo. Mas o problema de saúde que enfrentou há um ano e que o forçou a uma hospitalização, bem como algum cansaço, nomeadamente com polémicas públicas como a das contas do Santuário de Fátima, em 2020, terão levado o cardeal a pedir a antecipação e rapidez na substituição.

Isto, apesar de o próprio ter afirmado, em Maio do ano passado, em entrevista à Família Cristã, que não lhe faltava que fazer e que não atiraria a “toalha ao chão” antes de terminar o actual programa pastoral da diocese, que se conclui no Verão de 2023. 

Rapidez é o que estes processos não têm tido, pelo menos em Portugal, nos últimos tempos: várias dioceses têm aguardado largos meses por novo responsável quando, em outros países, em casos como este – que envolvem a nomeação de um bispo que está à frente de uma diocese para outra –, as duas nomeações são feitas ao mesmo tempo. Os casos piores, ultimamente, foram os de Viana do Castelo, que esteve um ano à espera, e Braga, cujo arcebispo já tinha apresentado a carta de renúncia há quase três anos (fará 78 anos em 5 de Março próximo).

José Ornelas está em Setúbal desde Agosto de 2015, quando foi nomeado depois de o próprio Papa o ter chamado para o convencer a aceitar a diocese. Com a sua nomeação para Leiria-Fátima, três dioceses ficam agora a aguardar novo titular: Angra (o anterior, João Lavrador, foi nomeado para Viana do Castelo em Setembro e os trâmites para a nomeação do sucessor já estão a correr); Bragança, que perdeu o seu bispo, José Cordeiro, no dia 3 de Dezembro, em favor de Braga (o processo de auscultação do nome do sucessor ainda não começou); e agora Setúbal. 

Perguntas sem resposta

Ivo Scapolo, núncio em Lisboa, nomeado em agosto de 2019.

 

Sobre esta questão da demora e outros aspectos das nomeações dos bispos, o 7MARGENS enviou ao núncio apostólico (embaixador do Vaticano) em Portugal, por correio electrónico, um conjunto de perguntas. As perguntas não irão ter resposta. Nesta terça-feira, às cinco da tarde, num mail não assinado, em nome do núncio, arcebispo Ivo Scapolo, depois de acusar a recepção da mensagem de dia 17 de janeiro com as sete perguntas, a Nunciatura “comunica que não será dada resposta às perguntas formuladas”.

As perguntas pretendiam saber se o processo de nomeação do novo bispo de Angra pode estar concluído ainda na Primavera; qual a razão para esperar a tomada de posse de um bispo na nova diocese para iniciar o processo da sua substituição na diocese de que estava à frente; porque se faz uma consulta sobre o “perfil” de um bispo, quando há já vários documentos da Igreja a defini-lo; e quando “muitas vezes, as nomeações correspondem a desejos dos bispos confessados mesmo publicamente, ou a escolhas pessoais de outros bispos”. 

O 7MARGENS pretendia ainda saber se o facto de o núncio ter estado de férias entre meados de Dezembro e meados de Janeiro não introduzia também um grande atraso no processo. Fazendo referência ao inquérito que é feito às pessoas consultadas num processo de nomeação, perguntava-se ainda se ele não deveria ser completamente reformulado, tendo em conta que “não se refere nunca ao evangelho, não aponta para uma linguagem de escuta ou diálogo ou para as questões da forma de governo e criatividade pastoral, mas insiste na disciplina eclesiástica e na doutrina moral. 

A última pergunta relacionava estes processos com o momento que a Igreja Católica está a viver: “E o próprio processo de auscultação não deveria prever uma consulta alargada a todo o povo de Deus, até tendo em conta aquilo que está em causa no actual Sínodo sobre a sinodalidade?”

E agora, Lisboa?

Américo Aguiar, bispo auxiliar de Lisboa, em Março de 2019.

 

A notícia da saída do actual bispo da diocese sadina foi referida também como certa pelo jornal O Setubalense, na sua edição de segunda-feira. O jornal chegou mesmo a contactar o bispo, que não confirmou nem desmentiu a informação: “Essas notícias, quando chegam, chegam pelos canais próprios. Pela Santa Sé. Nada me chegou. Já sabem mais do que eu. Não vou fazer comentários”, afirmou o bispo, citado pelo jornal. 

Com esta nomeação para Leiria-Fátima e a possibilidade de José Ornelas ir para Lisboa completamente posta de lado, abre-se desde já a definição de posições de candidatos ao lugar de futuro patriarca. Tem sido notada a forma como o bispo auxiliar Américo Aguiar vem sendo incumbido pelo cardeal Manuel Clemente de várias tarefas importantes: além de presidente da Rádio Renascença, da Fundação JMJ e da Comissão de Protecção de Menores do Patriarcado, foi também nomeado no final de Dezembro como director do Departamento de Comunicação do Patriarcado e do respectivo jornal semanal, Voz da Verdade – é a única diocese do país, aliás, onde o semanário diocesano é dirigido por um bispo (a maior parte tem padres à frente). É também membro da Comissão Episcopal das Comunicações Sociais e, desde há 15 dias, responsável da capelania nacional da Liga dos Bombeiros Portugueses, que abrange todo o território nacional.

Dois padres de Lisboa com quem o 7MARGENS falou davam conta de alguma perplexidade, considerando ambos que as sucessivas nomeações são um sinal do sucessor que D. Manuel Clemente gostaria de ter: “Parece que não há mais ninguém para fazer nada…”, dizia um. De qualquer modo, o outro acrescentava que é importante esperar pelos próximos tempos e nomeações de novos bispos. “Pode ser cedo estar já a prever quem pode ser o sucessor…”

No contexto agora surgido, também há quem aponte outra possibilidade: a de o agora bispo auxiliar de Lisboa passar a ser o titular de Setúbal. Em qualquer caso, é cedo para os diferentes cenários.

 

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