O grito dos bispos

“Daqui, da Cova da Iria, apelamos à paz!”

| 13 Mai 2024

Cardeal Omella na homilia da Missa em Fátima, 13 maio 2024. Foto Santuário de Fátima

O cardeal Omella optou por falar de improviso durante a homilia, perante cerca de 200 mil peregrinos. Foto © Santuário de Fátima

 

“Rezemos pela paz no mundo: na Ucrânia, Rússia, na Terra Santa, na África, na América, na Ásia, quantos países precisam e reclamam a paz”, apelou o cardeal Juan José Omella, arcebispo de Barcelona, na homilia da missa conclusiva da peregrinação internacional aniversária, em Fátima, esta segunda-feira, 13 de maio. No final da mesma missa, o bispo de Leiria-Fátima, José Ornelas, tomou a palavra para também pedir a paz, em particular na Ucrânia e na “Terra de Jesus”, e denunciou: é “inconcebível” o que se passa na Faixa de Gaza.

“O pior de tudo, o que não se pode permitir, é proibir que chegue a ajuda alimentar necessária para mais de um milhão de pessoas que estão a morrer de fome. Daqui, da Cova da Iria, apelo, apelamos à paz. É inconcebível para o coração de Deus, mas é inconcebível para um coração humano que isto esteja a acontecer no mundo”, disse o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa.

“Paz para a Ucrânia, naquela cruel guerra que já dura há tanto tempo. Paz para a Terra de Jesus, a Palestina, onde mais de 35 mil pessoas já perderam e a maioria, escândalo dos escândalos, são crianças”, acrescentou, falando aos cerca de 200 mil peregrinos que enchiam o recinto de oração da Cova da Iria.

Perante uma III Guerra Mundial “aos pedaços”, de que tem falado o Papa Francisco, Omella evocou os pedidos que Maria terá feito durante as alegadas aparições de 1917, num contexto então marcado pela I Guerra Mundial, sublinhando que estes se mantêm atuais.

“O que nos pede Nossa Senhora hoje é a paz no mundo, rezar pela paz. Quantos países estão em guerra, quantas famílias estão em guerra! Quantos corações estão divididos, em guerra. Peçamos a paz”, declarou.

Colocando de lado as folhas com a longa homilia que havia preparado (entretanto disponibilizada online), o arcebispo de Barcelona preferiu “falar com o coração”: “ao começar a procissão, olhava para os ecrãs e via muita gente a chorar. Emocionei-me”, confessou.

Omella evocou a oração de São Francisco de Assis, manifestando a convicção de que “o mundo mudará” e pedindo que os cristãos sejam “testemunhas da esperança”. A fé, acrescentou, é “transformadora da realidade” e convoca todos a ser “missionários” no mundo, como pede o processo sinodal lançado pelo Papa Francisco.

“Vivam unidos, vivam a fraternidade. Uma Igreja dividida, uns contra os outros, que não está em volta do Papa, de Jesus Cristo, em volta de todos os irmãos, se não estamos unidos, capazes de nos ajudarmos e perdoarmos uns aos outros, não evangelizaremos”, referiu, para concluir: “A partir dessa fraternidade e comunhão, poderemos ser portadores de paz no meio do mundo!”.

 

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