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Encontro de leitores do 7MARGENS em Lisboa, 20 setembro 2025. Foto Clara Raimundo destaque
O encontro de leitores de Lisboa decorreu este sábado, 20 de setembro, na casa das Servas de Nossa Senhora de Fátima. Foto © Clara Raimundo/7MARGENS

Encontro em Lisboa

“Dar mais voz às crianças e jovens” e “levar o jornal às universidades”, pedem leitores do 7MARGENS

| 23/09/2025

A iniciativa de dar voz às crianças no 7MARGENS foi uma das mais valorizadas pela meia centena de pessoas que acompanham regularmente o jornal e que marcaram presença no encontro de leitores e colaboradores que decorreu no último sábado, 20 de setembro, em Lisboa, na casa das Servas de Nossa Senhora de Fátima. A iniciativa deve não só ter continuidade como ser alargada também aos jovens adultos, consideraram os participantes.

A este encontro de Lisboa, seguir-se-á um outro no Porto, no próximo dia 4 de outubro. Os interessados em participar devem inscrever-se desde já para o endereço setemargens@setemargens.com.

Nascida da sugestão de um grupo de leitores presentes nos encontros de 2024, a iniciativa de dar voz às crianças culminou numa edição especial do 7MARGENS com vários contributos de crianças com idades compreendidas entre os quatro e os 14 anos, que incluíram testemunhos, poesia, ilustrações, e até música e foram publicados no dia 1 de Junho.

Ana Cordovil, que coordenou a equipa, referiu que a iniciativa teve a participação de 44 crianças e que, apesar do calendário pouco favorável (pós-férias da Páscoa e pouco antes do final do ano letivo), essa participação foi conseguida. No final, a equipa enviou a todas as crianças um caderno impresso com todos os materiais que tinham sido publicados.

Encontro de leitores do 7MARGENS em Lisboa, 20 setembro 2025. Foto Clara Raimundo (2)

Pausa para um almoço partilhado durante o encontro de leitores do 7MARGENS em Lisboa. Foto © Clara Raimundo/7MARGENS

 

O desafio de continuar a dar voz às crianças no 7MARGENS veio ao encontro das aspirações da equipa do jornal, que anunciou ter já prevista para os próximos meses a publicação regular de artigos de opinião da autoria dos mais novos. Ao mesmo tempo, também a criação de um novo podcast para poder dar-lhes – literalmente – voz está também no horizonte.

Quanto ao desafio subsequente – o de estender a iniciativa também a jovens e jovens adultos –, uma das propostas dos leitores presentes no encontro de sábado foi a de “levar o jornal às universidades”, dando-o a conhecer às direções das associações académicas, ou estabelecendo um contacto mais próximo com os alunos dos cursos de comunicação social.

“É preciso transmitir aos jovens que temos aqui esta plataforma e dar-lhes a possibilidade de construírem o seu espaço dentro do 7MARGENS”, disse uma das participantes no encontro, enquanto outro sugeria que se convidassem os jovens desses cursos “a editar o 7MARGENS durante um dia”.

Importante será também que o jornal “dê continuidade à expressão dos migrantes em Portugal”, porque “vivemos numa sociedade muito fraturada, mas ninguém ama o que não conhece”, defendeu outra leitora. Os abusos sexuais na Igreja, o diálogo entre cristãos e entre religiões e a perseguição religiosa em vários países do mundo foram outros dos temas a que o 7MARGENS deverá continuar a dedicar muita atenção, pediram os leitores.

Grupos de discussão: continuar e abrir  

Encontro de leitores do 7MARGENS em Lisboa, 20 setembro 2025. Foto Clara Raimundo (5)

Estiveram presentes no encontro alguns dos inscritos nos círculos de discussão formados por leitores do 7MARGENS. Foto © Clara Raimundo/7MARGENS

O encontro em Lisboa foi também ocasião para fazer um primeiro ponto de situação sobre os três círculos de discussão formados por leitores do 7MARGENS ao longo do último ano, na sequência dos encontros de leitores do ano passado.

José Centeio (editor de opinião no 7MARGENS) deu conta de como, no grupo dedicado à Não-Violência, foi frutuosa a partilha sobre as evidências de violência no mundo de hoje – desde as atitudes no trânsito à violência institucional – mas mais difícil chegar às respostas de “como podemos ser construtores de paz” neste mundo. Ao fim de cinco reuniões, o grupo composto por seis pessoas chegou a ponderar ficar por ali, mas rapidamente percebeu que a paz, “sendo uma utopia em todas as dimensões”, é também “o horizonte que nos orienta”.

Sobre o grupo dedicado à “Democracia em Perigo” falou Jorge Wemans, editor do jornal que também integra aquele círculo. No seu âmbito, referiu, foram identificadas as crescentes ameaças e dificuldades que enfrentam as democracias, bem como os sinais da sua efetiva degradação, nomeadamente o fim dos meios de comunicação tradicionais como principal fonte de informação – cada vez mais substituídos pelas redes sociais – e a perda da ideia da gestão da coisa pública, entregue muitas vezes a interesses privados. Os últimos dois encontros do grupo, que conta com 23 inscritos, foram dedicados à Inteligência Artificial e suas implicações no exercício da democracia; o próximo será sobre a educação para a democracia, adiantou.

Já a leitora e colaboradora Ana Nunes de Almeida apresentou um resumo do percurso do grupo dedicado à Sinodalidade, que se tem reunido mensalmente e no qual estão inscritas 21 pessoas, de diferentes gerações e incluindo um seminarista e um agnóstico. “O processo de construir o grupo tem sido ele próprio uma experiência de sinodalidade”, sublinhou. Experiência essa que os seus membros – ligados a diferentes dioceses católicas de norte a sul do país – afirmam “dificilmente encontrar noutro lugar”, pela resposta à solidão de algumas pessoas na sua experiência de busca espiritual.

A representante do grupo recordou a carta que juntos redigiram e enviaram em junho a todos os bispos portugueses “sobre aspetos que devem merecer atenção e prioridade na concretização de uma Igreja sinodal”. E lamentou que, às 50 cartas enviadas, tenham recebido “apenas três respostas, e meramente a acusar a receção”. Assegurando que o grupo está “aberto a outros contributos e a acolher novos membros”, Ana Nunes de Almeida anunciou que a próxima reunião, em 10 de outubro, será para refletir sobre “o lugar das mulheres na Igreja”. E deixou um apelo: “A sinodalidade tem se ser vivida por todos nós”. Se assim for, “é ela própria a força motriz da esperança”.

No final do encontro, vários dos participantes manifestaram vontade de passarem também a integrar os círculos de discussão, e surgiu a possibilidade de criar ainda um clube de leitura 7MARGENS, dedicado a debater livros, sejam ficção ou ensaios, que tragam contributos à reflexão espiritual.

 

Partilhar “esperanças e desesperanças”

Encontro de leitores do 7MARGENS em Lisboa, 20 setembro 2025. Foto Clara Raimundo

A professora e sociodramatista Margarida Belchior (na mesa, de branco) partilhou quais as suas “esperanças e desesperanças em tempos de grandes diversidades”. Foto © Clara Raimundo/7MARGENS

“Viver a esperança, viver com esperança” foi precisamente o mote lançado pelo 7MARGENS para a conversa que dera início a este primeiro encontro de leitores. No início do encontro, a irmã Mafalda Leitão, que vive na comunidade que nos acolheu, explicou a origem da congregação, com Luiza Andaluz. E a casa onde reuníamos é a casa onde a congregação foi aprovada, em 1939.

Depois da leitura de um texto da realizadora Graça Castanheira – para quem “a esperança, ao contrário do imobilismo da queixa, da crítica e do desalento, é (afinal) uma forma de ativismo” – coube à professora e sociodramatista Margarida Belchior partilhar quais as suas “esperanças e desesperanças em tempos de grandes diversidades”.

Nesta intervenção inicial, a também leitora do 7MARGENS falou daquelas que são as suas principais preocupações, desde as assimetrias na distribuição da riqueza às discriminações (nomeadamente das mulheres na Igreja), passando pela solidão dos mais velhos, os abusos de diversos tipos, as guerras, as “lideranças autoritárias e autocráticas”, a opacidade do mundo financeiro ou a negação das alterações climáticas.

Reconhecendo que precisa de “procurar intensamente por sinais de esperança”, Margarida Belchior falou depois de alguns dos que tem encontrado, sobretudo nas diferentes redes de afetos, da família e dos amigos, da comunidade do Bairro da Flamenga (Marvila) à qual está ligada através de um projeto social onde a dimensão do cuidado é importante, e do trabalho que desenvolve enquanto professora, onde aprendeu com o pedagogo brasileiro Paulo Freire a importância do democratização e do conhecimento para a educação.

Também o 7MARGENS tem sido para ela “um grande exemplo de esperança”, afirmou. “Porque a persistência de um grupo de pessoas que tem conseguido manter um projeto que se autofinancia e que nos tem permitido manter o contacto uns com os outros e com base em informação espiritual, aberta a diversas tradições, nos permite exprimir sensibilidades e pontos de vista variados e diversos, que vão além daqueles que são dominantes”, justificou.

Encontro de leitores do 7MARGENS em Lisboa, 20 setembro 2025. Foto Clara Raimundo (3)

Foram mais de 50 os leitores e colaboradores que marcaram presença no encontro de Lisboa. Foto © Clara Raimundo/7MARGENS

 

Seguiram-se os testemunhos de vários outros leitores sobre os seus motivos de esperança: o “legado do Papa Francisco e o que é possível salvar dele”, a partilha de casa com uma sobrinha de 21 anos que “argumenta sempre com a linguagem da esperança”, a importância de por vezes “recuar e meditar, para encontrar o equilíbrio entre a denúncia e a ação”, o valor de um jornal como o 7MARGENS, que não só denuncia como age, como aconteceu quando tomou a iniciativa de mobilizar diversos órgãos de comunicação social para subscrever uma carta dirigida e enviada aos governos de Portugal, Brasil, Espanha, Itália, e aos responsáveis da União Europeia, exigindo a denúncia do acordo de comércio entre União Europeia e Israel, o fim do comércio de armas com o Estado judaico, o reconhecimento do Estado da Palestina e a libertação imediata de todos os reféns em poder do Hamas.

Outras intervenções destacaram a importância de refletir sobre “o pecado que pode ser o bem-estar em que vivemos”, a importância de, por exemplo no ideal europeu, “olharmos mais longe”, de assumir a “tensão entre realismo e optimismo, sem renunciar à denúncia”. O estudo sério dos assuntos, o conceito de frugalidade como desafio a todas as pessoas e o aprender a conhecer a utopia de cada pessoa foram sugestões no debate tido.

Espera-se que esta partilha e o enunciado de desafios e sugestões prossigam no encontro do Porto, que decorrerá no próximo dia 4 de outubro, no Espaço da Porta, da comunidade dos Padres Redentoristas (Rua da Firmeza, 163), onde já fomos acolhidos no ano passado.

Quem estiver interessado(a) em participar, recorde-se – e esperamos que sejam muitas pessoas – deve enviar uma mensagem para setemargens@setemargens.com. Porque, para o 7MARGENS, uma das maiores razões de esperança são os seus leitores.

 

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