
Cuevas: outras pandemias em Lisboa, Espinho e Coimbra. Foto: Direitos reservados.
O embrulho do flamenco com a eletrónica não é uma novidade, nem o mundo do folclore e das tradições populares se mantém impermeável às investidas sonoras mais contemporâneas. Não nos faltam exemplos, mas de Espanha chegam bons ventos com este casamento: Rodrigo Cuevas sobe esta quinta-feira ao palco, em Lisboa, na abertura do Misty Fest – que decorre num formato mais contido, sob o signo da pandemia.
Cuevas fala-nos de outras pandemias destes tempos, ele que celebra os “direitos inegociáveis”. Este asturiano de Oviedo resgata no seu último trabalho de 2019, Manual de Cortejo, questões sociais ou de identidade de género, num discurso que não ignora o seu ponto de partida. “Era maricón de nacimiento, una cosa mítica en Xixón”, ouve-se a abrir Rambalín, a canção que se veste com as gaitas de La Tarabica e as vozes do Coro Minero de Turon, ambos das Astúrias.
Noutros temas são os sons das Adufeiras de Salitre, galegas que também têm procurado uma linguagem renovada para a música tradicional da Galiza, tudo sob a batuta na produção de Raül Refree – e este nome remete-nos para uma das mais espantosas surpresas de 2020, que é o álbum homónimo de Lina e Raül Refree, onde o fado namora também linguagens eletrónicas.
No palco, Cuevas (que ainda atua em Espinho, esta sexta-feira,6, e Coimbra, no domingo, 8) apresenta o seu espetáculo de“agitação folclórica e eletrónica, estrela do campo, humor, erotismo elegante, hedonismo e celebração dos direitos inegociáveis”, sob o nome de Trópico de Covadonga”.
A sinopse aponta para uma abordagem ao “conceito de tempo e dos ciclos do ano, através de um cancioneiro popular contemporâneo, somando histórias e canções folclóricas, códigos musicais atuais, assim como humor, performance e eletrónica”. Quem se lembrar de Conan Osíris, não estranhe, mas o universo musical é bem mais clássico.
Esta minidigressão de Rodrigo Cuevas insere-se no Misty Fest, festival que este ano resume a sua programação por conta do estado pandémico, mas promete ainda concertos de Rodrigo Leão, Nancy Vieira e o projeto Duplex, com João Barradas e Ricardo Toscano.









