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Quarta Assembleia Sinodal do Caminho Sinodal, em Frankfurt. Foto © Synodaler Weg/Maximilian von Lachner.

[Olhar de teóloga]

De pastoral para pastoral

Quarta Assembleia Sinodal do Caminho Sinodal, em Frankfurt. Foto © Synodaler Weg/Maximilian von Lachner.

Quarta Assembleia Sinodal do Caminho Sinodal, em Frankfurt. Foto © Synodaler Weg/Maximilian von Lachner.

 

Estamos de parabéns! Terminou a fase diocesana do Sínodo, mas não o Sínodo em si, e começamos o caminho com tudo fresco na cabeça. Aquilo que dissemos nos grupos e que foi recolhido nas sínteses diocesanas e nacionais está disponível para refrescar a memória. A nossa voz soou clara, com conteúdo e força, e agora temos a grande oportunidade de iniciar o caminho vivendo as primeiras práticas sinodais.

O momento oportuno

Em muitas dioceses, vão começar a aplicar-se os planos pastorais que ficaram parados porque o Sínodo exigia toda a atenção, e que vinham “de cima”, segundo a rançosa explicação de “porque sempre se fez assim”. No entanto, estamos num momento em que as mudanças podem tornar-se evidentes. E se, em vez de aceitar um determinado Plano, elaborado por especialistas (cujos nomes raramente são conhecidos), o fizéssemos juntos? As mudanças têm de vir já “de baixo”. Vamos praticar um pouco?

Na hora de elaborar um plano pastoral entre todos, todos deveremos ter alguns pontos claros para poder realizá-lo. Alguns desses pontos seriam, por exemplo, conhecer a real situação da diocese, o que equivale a transparência em todas as áreas; não ter pressa em ter o plano acabado; estamos a começar a andar de maneira sinodal e vai demorar algum tempo; conhecer as diretrizes de governo do bispo é evidentemente mais do que necessário porque, caso contrário, daria a impressão de que o bispo age como um senhor feudal do seu território sem querer compartilhar nada com aqueles que caminham com ele; todos os contributos dos grupos sinodais deveriam ser recolhidos e tidos em conta, porque manifestam as preocupações concretas de quem vive na diocese (mesmo que não se declarem crentes) e assinalariam linhas essenciais no plano pastoral; na elaboração do mesmo deveriam participar sacerdotes – independentemente dos seus cargos pastorais – e leigos; e que fique claro que os grupos onde se trabalhe o plano pastoral não terão nada a ver com as formas de trabalho seguidas durante a fase diocesana do Sínodo.

Diante das resistências

Agora estaríamos a falar de desenhar formas concretas de pastoral para a diocese: realidade rural, urbana, universitária, paroquial, de reforma dos costumes. Algo novo, diferente, criativo, atraente… Afinal de contas, a pastoral já aponta para ir evoluindo da pastoral dos planos – que poucas vezes funcionaram porque são maioritariamente ideais e não planos avaliáveis – para uma pastoral de atitudes. Nós poderíamos ser os artífices dessa mudança necessária, aliás, urgente. Soa bem, não é verdade? Poder fazer isto entre todos.

A mudança é séria. Compreendo que há pessoas a quem lhes custa aceitar que algo de novo está a nascer. Não o notam? As resistências apenas projetam uma imagem patética de quem resiste – não abertamente, é claro – porque não vá ser que se perca um pingo de poder, sem ser conscientes que perder esse pingo nocivo de poder vale toneladas de autoridade moral.

Vamos lá! Ânimo! Nas dioceses onde não se proponha o trabalho conjunto do plano pastoral, digamos ao bispo que queremos fazê-lo. Estou certa de que, na sua maioria, se alegrarão ao ver a boa disposição, o interesse e o desejo de começar a ser sinodais de verdade.

A mudança veio para ficar. Recordemos que estamos em pleno processo espiritual – e é isso a sinodalidade – e se o processo é espiritual, até que ponto não se envolver ou tentar travá-lo não é ir contra o Espírito?

Sinodais ou rançosamente feudais? That is the question…

Cristina Inogés Sanz é teóloga e integra a comissão metodológica do Sínodo da Igreja Católica. Este texto é publicado por cedência da autora e da revista espanhola Vida Nueva ao 7MARGENS. Tradução de Júlio Martin.

 

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