
O genuflexório que esta semana foi oferecido a Francisco foi construído a partir de um pedaço de um barco que naufragou ao largo de Itália. Foto © Vatican media
Passou precisamente um ano desde aquela trágica noite em Cutro, no sul de Itália, em que um barco que saíra da Turquia com cerca de 200 migrantes a bordo colidiu com um banco de areia a cem metros da praia. O acidente custou a vida a 94 pessoas, 35 delas crianças. “Que o Senhor nos dê a força para entender e chorar”, disse então o Papa. E das lágrimas derramadas no luto surgiu uma ideia: transformar um pedaço daquele barco, símbolo de morte, num apelo à esperança. Assim nasceu o genuflexório que esta semana foi oferecido a Francisco.
A ideia partiu de Giuliano Crepaldi, presidente da associação São Vicente de Paulo, em Roma. “Triste por esta tragédia, pensei em como oferecer um sinal de solidariedade e proximidade. O tema dos refugiados é para mim uma prioridade porque trabalho numa organização que se ocupa de acolhimento e integração daqueles que, fugindo da guerra, das perseguições e da fome, foram obrigados a abandonar os seus países de origem”, explicou ao Vatican News.
E quem construiu o genuflexório foi Alireza, um refugiado iraniano apoiado pela associação São Vicente de Paulo, a partir de um projeto desenvolvido pelo engenheiro Guglielmo Zamparelli, voluntário daquela organização. “Dar forma ao genuflexório – explicou Alireza – foi para mim um testemunho de amor, uma forma de recordar quem perdeu a vida nestas e outras terríveis catástrofes”.
Os três estiveram na audiência geral desta quarta-feira, 28 de fevereiro, para oferecer ao Papa este primeiro “genuflexório de Cutro”,e fazer uma proposta, que Francisco aceitou de imediato: a de doar a todas as dioceses italianas outros genuflexórios construídos com a madeira de barcos que chegaram à costa italiana transportando migrantes.
O cardeal Matteo Zuppi e o bispo Giancarlo Perego, presidente da Fundação Migrantes, da Conferência Episcopal Italiana, também estavam presentes na audiência para a visita ad limina dos bispos de Emilia-Romagna, e tomaram conhecimento do compromisso assumido.
O presente do Papa foi, assim, o primeiro de uma longa série de presentes, para que de tragédias como a de Cutro surjam inúmeras oportunidades de oração e “uma luz de esperança, desde que o homem tenha coragem de se ajoelhar”.
No mesmo dia, outro presente de madeira foi levado à audiência pelo padre Sauro Profiri, pároco de San Martino in Apecchio, na província de Pesaro: um báculo inteiramente decorado à mão por crianças ugandenses de Karamoja, ajudadas pela associação sem fins lucrativos Africa Mission.
A organização foi fundada há 50 anos pelo padre Vittorio Pastori, com o qual o padre Porfiri tem colaborado de perto. Só neste ano letivo, é através da sua ajuda que 200 crianças têm a oportunidade de frequentar a escola… as mesmas que decoraram mais este presente carregado de esperança.

O báculo decorado por crianças do Uganda, oferecido ao Papa na audiência de 28 de fevereiro. Foto © Vatican media





