Que espero do Sínodo católico? (3)

Deixem o Espírito Santo falar às Igrejas

| 28 Set 2023

Na véspera da reunião da Assembleia-Geral do Sínodo dos Bispos sobre a Sinodalidade, o 7MARGENS convida os seus leitores a dizerem o que esperam deste importante acontecimento. Todos são chamados a expressarem-se. Divulgamos hoje o terceiro texto recebido (ver textos já publicados) e publicaremos as respostas àquela interrogação à medida que nos forem chegando.

O que esperamos do sinodo_7 margens

 

Está prestes a iniciar-se o Sínodo sob o lema “Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão”. Muitos têm dito que este será o acontecimento que maior marca deixará no pontificado de Francisco. Mesmo que não se chegue a recolher os frutos desejáveis deste Sínodo e do que se há de realizar no próximo ano, está criada uma dinâmica de sinodalidade, em algumas das nossas Dioceses e comunidades cristãs que já é irreversível. Mas seria uma desilusão, com consequências nada benéficas para a Igreja, se os intervenientes no próximo Sínodo defraudarem as expectativas dos católicos de todo o mundo que se empenharam em dar os seus contributos.

Fomos tendo conhecimento das conclusões resultantes de um número muito significativo de múltiplas reflexões demonstrativas de um envolvimento com as realidades terrestres e igual compromisso com a Igreja em diferentes níveis. Daqui resulta a esperança de que possa sair do Sínodo, em definitivo, uma Igreja que seja mesmo Povo de Deus (LG 28), em que todos caminhem juntos; uma Igreja, minimamente hierarquizada, para o seu serviço e o do mundo, e não como afirmação de ‘castas superiores’, o que ainda se encontra refletido em clericalismos reinantes.

É óbvio que as estruturas são necessárias, na medida em que se inserirem numa “modalidade pastoral capaz de fazer crescer aquela eclesiologia de comunhão que a estrutura institucional é incapaz de elaborar com as suas estruturas jurídicas comuns. Isto implica uma longa e meticulosa ‘aprendizagem’: a comunhão não é imediata, mas mediada por tempos e procedimentos complexos, e também com criatividade institucional.”[1].  Espero que os participantes no Sínodo não nos roubem a esperança de uma Igreja cada vez mais sinodal.

É necessário que o Sínodo crie um dinamismo que permita uma Igreja mais dialogante com a sociedade e outras confissões religiosas. Em Portugal, já se fez algum caminho no diálogo inter-religioso, mas existem outras áreas em que se têm verificado maiores dificuldades, até mesmo desinteresse. Refiro-me a determinadas minorias, desde as comunidades ciganas, às LGBTQ, aos refugiados…; aos reclusos; à classe operária; ao combate à pobreza no sentido da sua erradicação, etc. É assim, que eu entendo o desígnio do Papa de querer uma Igreja para todos. Esta é uma tarefa em que os leigos têm uma missão incontornável, mas da qual não se podem dispensar também os clérigos.

Espero que do Sínodo venham orientações de maior corresponsabilização dos leigos, para que não sejam apenas conselheiros ou operários, mas sonhadores e empreendedores. Para isso, precisamos de um laicado bem ancorado numa formação cristã sólida na qual não fique esquecida, como acontece agora, o conhecimento da Doutrina Social da Igreja. A composição do laicado, é maioritariamente, feminino. Então, há que confiar-lhes cargos de maior relevância que têm, até agora, sido mais confiados a homens. Sei que não vai ser um tema fácil, mas  ficaria satisfeito se a possibilidade de aceder ao diaconado permanente fosse aberta também a mulheres, como acontecia nas Igrejas primitivas.

De igual modo se espera que o Sínodo abra aos jovens a possibilidade de se comprometerem em estruturas de responsabilidade no seio da comunidade cristã e não sejam apenas chamados para “biscates” ocasionais ou decorativos. Desejo que o próximo Sínodo não nos roube a esperança de podermos participar, com sentido de corresponsabilidade, nas nossas comunidades cristãs e diocesanas e, em nome delas, abrir-nos ao mundo que nos rodeia sem medo dos desafios que nos possa colocar.

Gostaria muito que do Sínodo brotassem orientações claras e firmes para que se consiga uma Igreja que seja capaz de ser cidadã, porque não foge da “cidade dos homens”, mas sempre a caminho da “cidade de Deus” que é o Reino anunciado por Jesus e que nos pediu que o continuássemos a fazer. É importante, por isso, que no Sínodo se abra um caminho para se repensarem novos modos e conteúdos da formação eclesiástica, repensando mesmo na obrigatoriedade do celibato.

Que o Sínodo abra as portas para termos uma Igreja em saída, construída com a voz de todos, que servirá os ideais de um Mundo Melhor, com mais e melhor construção de Humanidade.

Mas, primeiro que tudo isto, que os intervenientes no Sínodo estejam bem atentos ao que o Espírito Santo lhes tem a dizer, enquanto estiverem reunidos.

 

[1] Cf. LEGRAND Hervé, CAMDESSUS Michel, Uma Igreja Transformada Pelo Povo, Paulinas Editora, Prior Velho 2023, 15-16.

 

Eugénio Fonseca

 

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