Depois da tragédia do Idai, começa a reconstrução em Moçambique

| 23 Ago 19 | Cooperação e Solidariedade, Destaques, Newsletter, Sociedade - homepage, Últimas

Uma casa atingida pelo Idai: “Tivemos muito medo…” Foto © Caritas Internationalis

 

“Tivemos muito medo mesmo. Vimos muitas pessoas que se afogaram e muitas casas a serem levadas pelas inundações. As nossas colheitas foram todas destruídas. Conseguimos salvar um pequeno cacho de bananas e temos vindo a geri-lo para que dure o maior tempo possível. Vimos aqui à escola para conseguirmos uma porção de arroz ou feijão para toda a família.”

Foi assim que Juan Carlos, 45 anos, testemunhou o que lhe estava a acontecer, e à sua família, após os dias 14 e 15 de Março, quando a região da Beira (Moçambique) foi atingida pelo ciclone Idai que, de forma severa, destruiu a região central do país. Um mês depois, o Instituto Nacional de Calamidades de Moçambique registava 603 mortes em consequência do Idai, mas calcula-se que o número de vítimas mortais tenha excedido as mil. Mais a norte, poucos dias depois, o país foi também atingido pelo ciclone Kenneth, que terá provocado pelo menos 41 mortos.

Após o trauma inicial, a comunicação mediática do acontecimento foi esmorecendo. Mas a Cáritas Internacional pretende que o acontecimento permaneça na consciência da comunidade internacional, ajudando os que sofreram e auxiliando o Governo moçambicano na reconstrução do que se perdeu.

Será essa fase de reconstrução que começa em breve, fazendo para já que a tragédia se torne de novo relevante – um dos fatores que pode recolocar Moçambique no mapa mediático internacional pode ser a visita do Papa à capital do país, Maputo, entre 4 e 6 de setembro, naquela que será a primeira etapa de uma viagem que o levará também a Madagáscar e Ilhas Maurícias.

“Durante esta fase de reconstrução, é importante que as pessoas se lembram de Moçambique”, diz Isabel Quintão, gestora de projetos na Unidade Internacional da Cáritas Portuguesa e coordenadora da campanha “Cáritas Ajuda Moçambique”. O principal investimento será centrado na construção de escolas, mas o conjunto traduziráum “grande investimento”. Da verba necessária, que o Governo moçambicano calcula em 2,8 mil milhões de euros, a Cáritas Moçambicana fixou o seu programa para a fase de reconstrução em 2.317.112 euros, valor esse que ainda não foi angariado na totalidade (e dos quais 450 mil euros foram disponibilizados pela Cáritas Portuguesa). Aquela verba permitirá apoiar cinco mil famílias, nas áreas da habitação, agricultura e meios de subsistência, e água e saneamento.

Na primeira fase, a ajuda tinha de ser transportada de todas as maneiras possíveis. Foto © Caritas Internationalis

 

Um ano para reconstruir

O plano “Cáritas ajuda Moçambique” começou em Julho de 2019 e vai ter uma duração de doze meses, terminando em Junho de 2020, explica Isabel Quintão. “As áreas que este projeto pretende contemplar inserem-se nos meios de subsistência e dinamização da economia familiar, como habitação, agricultura, água e saneamento”. No caso da água e saneamento e dos bens de subsistência, procura-se, ao mesmo tempo, dar formação às populações, ensinando-as e instruindo-as com campanhas de sensibilização para o uso da água e noções de higiene.

“A rede internacional Cáritas, onde se inclui a Cáritas Portuguesa, está a acompanhar e a apoiar a Cáritas Moçambicana, em articulação com as entidades que são responsáveis pela coordenação da resposta de emergência criada pelo Governo Moçambicano e pelas Nações Unidas” de acordo com um comunicado da Cáritas. Desta forma, a Cáritas de Moçambique serve como equipa de coordenação de entidades como as equipas diocesanas e pessoas no terreno, que chegam às cinco dezenas.

Técnicos e voluntários da Cáritas a debater questões da ajuda de emergência: um dos critérios foi o de dinamizar a economia de Moçambique. Foto © Caritas Internationalis

 

“No âmbito das contribuições mais comuns, valorizamos mais as financeiras” afirma Isabel Quintão. “A razão porque a Cáritas fez esta escolha foi para valorizar a economia de Moçambique e dar às povoações a opção sobre o que querem.” As regiões intervencionadas após o furacão foram Quelimane, Chimoio e Beira, onde foram ajudadas 11.659 pessoas – número que chegou às 27.500 pessoas até final de junho. Na nova fase agora iniciada, serão concretizados projetos nas províncias de Sofala, Manica, Zambézia e Cabo Delgado.

Além da ajuda financeira, a Cáritas dos Estados Unidos da América (CRS) distribuiu oito mil lonas adicionais, que serviram as populações de Chibavava e Nhamatanda, no território da diocese da Beira e outras à volta. A ajuda dada aos agricultores incluiu uma fase de emergência, com entrega de equipamentos agrícolas e sementes, e ações de formação e irrigação, destaca a responsável da Cáritas Portuguesa. “O objetivo foi tentar que as famílias tenham, de uma forma gradual, os bens de subsistência”.

 

Sementes e escola, instrumentos de futuro

Depois da passagem dos ciclones, Alexandre Uate foi um dos muitos pequenos agricultores moçambicanos apoiados: “Como não tínhamos nada, tudo o que recebemos foi muito relevante. Recebemos os kits de ferramentas para trabalhar e os kits de cozinha. Cada um deles foi realmente importante, mas o que nos falta agora é a casa. Mas agora que tenho as ferramentas para a agricultura e as sementes, posso começar a construir a minha vida e pensar no futuro dos meus filhos e da minha família”, diz, num testemunho recolhido pela Cáritas Internacional.

Também a educação dos filhos é um objetivo de Uate: “O futuro em que estou pensando inclui escolarização para meus filhos e uma casa para a minha família. Adoraria ver meus filhos poderem ficar na escola. Continuarei a trabalhar com as ferramentas que me foram dadas para poder alimentar a minha família e garantir que o seu futuro seja brilhante. Fico feliz quando posso trabalhar e fazer as minhas atividades normais e posso cuidar da minha família. O milho que veem crescer no campo foi plantado em abril com sementes que recebi das distribuições da Cáritas.”

Alexandre Uate a utilizar as novas ferramentas agrícolas e as sementes que a Cáritas lhe forneceu: agora, sementes e educação são a promessa de futuro para a sua família. Foto © Caritas Internationalis

 

“A ajuda da Cáritas ao povo moçambicano nunca se poderia esgotar na fase de emergência e esta segunda etapa é também muito importante”, afirma Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa, para explicar a importância desta nova etapa da ajuda. “Agora é o momento de dar às pessoas que foram vítimas desta catástrofe um sinal claro de esperança. Depois da resposta imediata, esta é a resposta que lhe vai dar uma nova oportunidade de futuro, de poderem planear as suas vidas.”

O apoio à população de Moçambique pode ser feito através do Fundo de Emergências Internacionais da Cáritas Portuguesa (IBAN PT 50 0033 0000 01090040150 12). Em alternativa, podem ser usadas as caixas da rede Multibanco (entidade 22 222 e referência 222 222 222). Para mais informações, pode consultar-se a página oficial da Cáritas Portuguesa.

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Dez
14
Sáb
3º Concerto de Natal da Academia de Música de Santa Cecília @ Basílica do Palácio Nacional de Mafra
Dez 14@21:00_22:30

Entrada gratuita mediante o levantamento de bilhetes nos Postos de Turismo de Mafra e Ericeira

 

A Academia de Música de Santa Cecília, escola de ensino integrado de música, apresenta o seu terceiro concerto de Natal nos dias 14 e 15 de Dezembro, no Palácio Nacional de Mafra, classificado recentemente como Património Cultural Mundial da UNESCO.

Neste concerto participa um coro constituído por 250 crianças e jovens dos 10 aos 17 anos e uma orquestra de cordas de alunos da escola, a soprano Ana Paula Russo e ainda o conjunto, único no mundo, dos seis órgãos da Basílica de Mafra.

No programa estão representados vários compositores nacionais e estrangeiros, destacando-se a obra “Seus braços dão Vida ao mundo”, sobre um poema de José Régio, da autoria da jovem Francisca Pizarro, aluna finalista do Curso Secundário de Composição da Academia de Música de Santa Cecília.

O concerto assume especial importância não apenas pela singularidade do conjunto dos seis órgãos do Palácio Nacional de Mafra mas também pela dimensão do número de jovens músicos envolvidos.

A relevância do concerto manifestou-se em edições anteriores (2016 e 2017), pela sua transmissão integral na RTP2, tendo o concerto de Natal de 2017 sido difundido em directo para a União Europeia de Rádio. O concerto tem o patrocínio da Câmara Municipal de Mafra.

Programa do concerto

Arr. Carlos Garcia (1983)
Ó Pastores, Pastorinhos (tradicional de Alferrarede)

Francisca Pizzaro (2001)
Seus braços dão Vida ao mundo (sobre um poema de José Régio), obra em estreia absoluta, encomendada para a ocasião; Francisca Pizarro é aluna do curso secundário de Composição da AMSC

Arr. Fernando Lopes-Graça (1906-1994)
O Menino nas Palhas (tradicional da Beira Baixa)

Eurico Carrapatoso (1962)
Dece do Ceo (sobre um poema de Luís de Camões)

Arr. Carlos Garcia
Gloria in excelsis Deo (tradicional francesa) *

Franz Xaver Gruber (1787-1863) Arr. Carlos Garcia
Stille Nacht

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)
Alleluia, do moteto Exsultate, jubilate

Tradicional francesa
Quand Dieu naquit à Noël

Louis-Claude Daquin (1694-1772)
Noël X

Arr. Malcolm Sargent (1895-1967)
Zither Carol (tradicional da República Checa)

Tradicional do País de Gales
Deck the Halls

John Henry Hopkins Jr. (1820-1891); Arr. Martin Neary (1940)
We three Kings

Arr. Mack Wilberg (1955)
Ding! Dong! Merrily on High (tradicional francesa)

Arr. David Willcocks (1919-2015)
Adeste Fideles (tradicional), com a participação do público.

CANTORES E MÚSICOS
Ana Paula Russo, soprano

Ensemble Vocal da AMSC
Coro do 2º Ciclo da AMSC
Coros do 3º Ciclo e Secundário da AMSC

Orquestra de Cordas da AMSC
Pedro Martins, percussão

Rui Paiva, órgão da Epístola
Flávia Almeida Castro, órgão do Evangelho
Carlos Garcia, órgão de S. Pedro d’Alcântara
João Valério (aluno da AMSC), órgão do Sacramento Liliana Silva, órgão da Conceição
Afonso Dias (ex-aluno da AMSC), órgão de Sta. Bárbara

Carlos Silva, direcção da orquestra

António Gonçalves, direcção

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