Cento e vinte e cinco deputados do Parlamento Europeu e de vários parlamentos nacionais de toda a Europa apoiaram uma declaração dos relatores especiais das Nações Unidas e dos peritos do Grupo de Trabalho das Nações Unidas que condena a crescente perseguição das mulheres bahá’í no Irão.
“A situação das mulheres bahá’í no Irão exige atenção e acção urgentes por parte da comunidade internacional”, diz o texto, a cujo conteúdo o 7MARGENS teve acesso. “Nós, deputados do Parlamento Europeu e dos parlamentos nacionais europeus, apoiamos os dezoito relatores especiais e peritos do grupo de trabalho da ONU que emitiram uma carta conjunta de alegações que denunciam a República Islâmica do Irão pelo recente aumento dos ataques contra as mulheres bahá’í”, que são perseguidas no Irão, “tanto enquanto mulheres como enquanto bahá’ís”.
Já os peritos da ONU afirmavam também que, “no contexto mais vasto da perseguição das mulheres no Irão e dos desafios em matéria de igualdade de género, este aumento dramático da perseguição contra as mulheres bahá’í constitui uma escalada alarmante”.
A Missão de Averiguação das Nações Unidas sobre o Irão e o relatório “Boot on my Neck”, da Human Rights Watch, “descrevem em pormenor os abusos sofridos pelos bahá’ís em quase todos os aspectos da vida, tendo este último classificado o tratamento dado pelo Governo iraniano aos bahá’ís como um crime de perseguição contra a humanidade”, resumem os deputados. “Estas conclusões põem em evidência o padrão perturbador do Governo iraniano de perseguição sistemática e patrocinada pelo Estado aos bahá’ís através de leis, políticas e práticas discriminatórias.”
Esta posição vem na linha do que o Parlamento Europeu já tinha denunciado no final de Novembro, conforme o 7MARGENS noticiou. Nesse texto de há dois meses, os eurodeputados referiam um memorando de 1991 sobre a “questão bahá’í”, assinado pelo líder supremo do Irão, e que enumerava as medidas para “bloquear o progresso e o desenvolvimento” dos crentes daquela fé no país. Antes, em Julho do ano passado, mais de 50 deputados europeus também tinham assinado uma declaração conjunta condenando o tratamento dado pelo Irão às mulheres bahá’ís.
Prisões, detenções, desaparecimentos

Manifestação de apoio às mulheres do Irão, em Março de 2024. Foto © Amnistia Internacional
Em 23 de Dezembro, relatores e peritos da ONU manifestaram “séria preocupação com o que parece ser um aumento do número de mulheres iranianas pertencentes à minoria religiosa bahá’í sistematicamente visadas em todo o país”.
“Desde os protestos desencadeados pela trágica morte de Mahsa Jina Amini [em Setembro de 2022], a perseguição sistemática das mulheres bahá’ís tem aumentado, sendo que dois terços de todos os bahá’ís perseguidos no Irão são mulheres”, diz o documento. “[Elas] enfrentam uma série cruel de abusos, incluindo detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados, limitações à sua liberdade de movimentos, rusgas nas suas casas e negação de educação”.
As mulheres bahá’ís têm enfrentado sobretudo prisões e detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados e separações familiares, restrições severas à liberdade de circulação, invasões de casas e confisco de bens ou negação do acesso à educação.
O documento conclui: “Apelamos veementemente às autoridades iranianas para que ponham termo à perseguição das mulheres bahá’í e a salvaguardar os seus direitos humanos.”
Numa reacção à posição dos deputados, Rachel Bayani, representante da Comunidade Internacional Bahá’í junto das instituições europeias em Bruxelas, agradeceu o apoio dos deputados, acrescentando que a solidariedade dos deputados demonstra que “a preocupação com os bahá’ís no Irão e com as mulheres bahá’í está a aumentar à medida que o Governo iraniano aumenta a sua perseguição a estas pessoas inocentes.”
Entre os 125 deputados, estão os portugueses Fernando Medina (PS) Rodrigo Saraiva (Iniciativa Liberal), Inês Sousa Real (PAN), Nuno Simões de Melo e Cristina Rodrigues (Chega), o mesmo partido de Tânger Corrêa, mas no Parlamento Europeu.
(Foto de destaque: Mahvash Sabet e Fariba Kamalabadi, duas mulheres bahá’í que estavam presas no Irão em 2022. Foto © Comunidade Internacional Bahá’í.)










