Desafia-te a viver positiva(mente)!
Não podendo, neste texto, dar conta de toda a riqueza e grandeza dos desafios ali colocados, gostaria de sublinhar alguns aspetos que constituem verdadeiros reptos pedagógicos e ilustrar com alguns testemunhos que fazem eco disso mesmo.
Partiu-se de um conjunto de questões/ preocupações que constituem, se assim podemos designar, o “lugar comum” da própria experiência quotidiana marcada pela pandemia: Quão frágeis ou quão fortes podemos sair desta experiência de confinamento? Como transformamos fatores de adversidade em forças de crescimento pessoal? O que nos leva a pensar e a agir para que tudo fique bem?
A partir daí, o encontro foi dando ênfase às inúmeras possibilidades que estão ao nosso alcance, num olhar que ajude a viver as próprias contrariedades de uma forma diferente e a cimentar, a partir delas, uma visão resiliente e criativa do presente.
Cientes de que estamos a viver tempos difíceis e sem menosprezar a consciência da fragilidade e da relatividade da experiência humana, importa arriscar formas de ser mais radicais e compreender que a forma como olhamos para a realidade tem algo de pessoal e, portanto, de decisão própria.
Assim, viver positivamente deverá impulsionar-nos a transcender essa visão ontológica do ser humano que tende a acentuar mais aquilo que é negativo ou que não funciona, procurando antes focar o olhar naquilo que cada circunstância oferece como aprendizagem, caminho necessário à mudança e ao crescimento, assim como naquilo que no mundo e no ser humano há de melhor.
Por isso, este convite a viver positivamente lembra-nos que precisamos de lidar com a ambiguidade da experiência humana que atesta que, na mesma realidade, podemos ver coisas positivas e coisas negativas, desenvolvendo o treino de emoções positivas, a capacidade de ser espelho do que está certo, de ver o que funciona, de dar espaço às virtudes e de exercitar a vida espiritual.
Estaremos também mais preparados para viver mais positivamente se nos posicionarmos de forma diferente perante o mundo e os bens materiais e percebermos verdadeiramente a importância dos bens relacionais. Perante o repto de não dissociar o bem de cada pessoa do bem coletivo (repto lançado repetidas vezes durante o confinamento), torna-se crucial repensar a felicidade pública, assente num desenvolvimento económico capaz de se conciliar com uma sociedade promotora de virtudes e de bens relacionais, compreendendo progressivamente que a felicidade é um bem comum e não um bem individual (eu estarei melhor se todos à minha volta estiverem bem!). Ao dedicar atenção ao que funciona e ao que há de bom, tornamo-nos amplificadores do bom e do belo e facilitadores da transformação. O maior desafio educativo de hoje é combater os elevados níveis de indiferença, desconfiança, ceticismo e consumismo, libertando as pessoas dos seus múltiplos “confinamentos” (em vidas nas quais não existe prazer ou orgulho no que se faz), para que passem a apreciar e a ver algo de virtuoso em si, nos outros, no seu quotidiano.
A interioridade, a gratidão e a simplicidade foram algumas das âncoras sugeridas pela Dr.ª Helena Marujo, para levar a cabo uma verdadeira ação transformadora, que passe por:
- Cultivar a gratidão e os bens relacionais (recíprocos, gratuitos e fraternos);
- compreender que a história humana é cíclica e que, na maioria das vezes, saímos melhor e mais preparados das situações de crise;
- o positivo gera felicidade, cultivando os 3 B (bem, bom, belo);
- a visão positiva requer treino e uma linguagem que alimente a possibilidade;
- aquilo a que damos atenção cresce;
- é muito importante que se criem espaços onde as pessoas continuem a sentir-se bem (alimentar as emoções positivas);
- buscar construir ambientes educativos que mostrem que a vida vale a pena ser vivida; para tal temos de educar a sensibilidade para depois ter a visibilidade (se eu não me deixar emocionar com o belo ou com o bom, não consigo vê-lo);
- A felicidade não é isenta de contrariedades;
- as coisas aparentemente mais simples e insignificantes da nossa vida têm um potencial enorme de transformação;
- viver positivamente é abraçar esta tarefa de, diariamente, despertar a capacidade de criar horizontes de esperança.
A pertinência dos testemunhos relatados pelos jovens que participaram no encontro conferem razão de ser aos três verbos enunciados no início deste artigo, numa missão que pretende servir, humanizar e contribuir para ajudar a viver positivamente!
Dina Pinto é professora de Educação Moral e Religiosa Católica no Agrupamento de Escolas Abade de Baçal, de Bragança.
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