Nathalie Becquart, subsecretária, ao 7M

“Desafio do Sínodo é escutar os mais pobres, incluindo as mulheres”

| 1 Jun 2022

Um dos desafios do Sínodo católico actualmente em processo é o de “escutar os mais pobres”, onde se incluem as mulheres, diz a irmã Nathalie Becquart, subsecretária do Sínodo dos Bispos, em entrevista ao 7MARGENS, por ocasião da sua recente passagem por Lisboa.

A irmã Nathalie fez pós-graduação na Escola de Negócios de Paris, estudou filosofia e teologia no Centro Xavier (universidade jesuíta de Paris) e sociologia na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS), também na capital francesa, especializando-se em Eclesiologia com uma pesquisa sobre sinodalidade na Escola Superior de Teologia e Ministério de Boston (EUA).

Desde 1995, integra o Instituto La Xavière – Missionários de Jesus Cristo. Teve responsabilidades na área do marketing e na formação de jovens: foi directora espiritual da Rede Inaciana da Juventude na França, coordenou o programa de escutismo para jovens em áreas urbanas pobres e multiculturais e dirigiu (2012-18) o Serviço Nacional para a Evangelização da Juventude e das Vocações na Conferência Episcopal Francesa.

Nesta entrevista, Nathalie Becquart diz ainda que o Sínodo que está em andamento pretende “escutar verdadeiramente o conjunto do povo de Deus”, com o “objectivo muito claro” da conversão sinodal da Igreja”. “Trata-se de reler o que já vivemos e discernir precisamente o que é preciso mudar.

 

Nathalie Becquart foto c antonio marujo tirada em lisboa a 13 marco 2022

Nathalie Becquart: “Para transmitir hoje a fé e para que a Igreja continue a proclamar o evangelho, não há outro modo que não o de ser uma Igreja sinodal.” Foto © António Marujo

 

 

7MARGENS – Em 2015, no discurso sobre os 50 anos do Sínodo, o Papa disse que não se deveria cair na tentação de repetir o que é indiscutível. Podemos perguntar para que serve um sínodo? E este sínodo, em concreto, para que serve?

NATHALIE BECQUART – Um sínodo é um processo de escuta e discernimento que deve aconselhar o Papa. Os sínodos foram criados, nesta nova forma de Sínodo dos Bispos, como um fruto do Concílio Vaticano II, em 1965: é um encontro de bispos que discerne sobre um tema e sobre o qual depois o Papa escreve orientações.

O Sínodo actual adopta uma nova fórmula, porque coloca o acento na primeira fase, que se vive actualmente, para escutar verdadeiramente o conjunto do povo de Deus. E este sínodo tem um objectivo muito claro, que é a conversão sinodal da Igreja. É um processo que deve ajudar-nos, em Igreja, a avançar para este estilo de Igreja que é a sinodalidade.

Este Sínodo é ao mesmo tempo o tema –“Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação, missão” –, mas o objectivo é o processo que nos deve ajudar, através de uma maneira de nos escutarmos e discernir em conjunto, a fazer avançar a Igreja neste estilo sinodal.

 

7M – Quer dizer que se deve debater a sinodalidade, colocá-la em processo e ficar por aí ou também se deve dizer o que se quer da Igreja e o que se quer mudar na Igreja?

N.B. – A questão principal desta consulta é muito simples: como vivemos já a sinodalidade, este caminhar juntos, esta visão da Igreja? Todos nós, enquanto baptizados e povo de Deus, uma Igreja em que todos são chamados a ser sujeitos e actores, já vivemos isso nas paróquias, nas comunidades, nos movimentos? Como vivemos já este estilo sinodal, da participação, da corresponsabilidade, em vista da missão através de um dinamismo de comunhão?

Trata-se de reler o que já vivemos e discernir precisamente o que é preciso mudar. Por exemplo, se na minha paróquia não há conselho pastoral e o padre decide sozinho, talvez faça emergir que é preciso mudar isso.

 

7M – Há estratégias para esse caminho?

N.B. – Para declinar essa questão fundamental – como vivemos já esse caminho conjunto nesse espírito sinodal e a que etapa seguinte o Espírito nos convida para ir a uma “sinodalização” mais forte – há dez temas muito concretos que estão no documento preparatório, que são como dez maneiras mais concretas de olhar para a sinodalidade em acto. [Por exemplo:] com quem caminhamos verdadeiramente – não apenas na Igreja, mas com os outros? Como se vive a escuta na nossa Igreja: escutamos verdadeiramente os jovens, as mulheres, os mais pobres? Como tomamos as decisões e como são partilhadas as responsabilidades? Como dialogamos com as outras igrejas, uma vez que a dimensão ecuménica é também muito importante? Que vivemos nós na liturgia? Temos um estilo de participação activa do povo de Deus na liturgia ou não?

São estes temas práticos que somos convidados a discutir em conjunto e sobre os quais somos convidados a escutarmo-nos e a discernir muito concretamente, em cada lugar, o que é preciso mudar.

 

7M – Na primeira avaliação do caminho feito, verificava-se que uma boa parte do clero não está muito comprometida com o sínodo. O que se pode fazer?

N.B. – É verdade que essa verificação se vê um pouco por todo o lado – e não só na Europa. Por razões diversas: em muitos sítios, os padres estão submersos em muitas coisas a fazer, têm prioridades pastorais e vêem o sínodo como mais uma coisa… Também é verdade que este apelo a viver a sinodalidade é qualquer coisa de novo: no discurso de 2015, o Papa Francisco disse que a sinodalidade é o apelo de Deus para a Igreja de hoje, é a maneira de ser Igreja no mundo para o terceiro milénio, para que a Igreja seja fiel à sua missão.

Não se trata, por isso, da escolha pessoal de um padre ou de um bispo ou de muitos de nós. É porque essa foi discernida como a vontade de Deus. O sínodo já trouxe à luz o facto de que, para transmitir hoje a fé e para que a Igreja continue a proclamar o evangelho e a fé no mundo actual, não há outro modo que não o de ser uma Igreja sinodal: particularmente na Europa, em sociedades que se secularizam, se a missão da Igreja não for assumida por todos e não só pelo padre, não irá a lado nenhum.

 

O acontecimento mais importante desde o Concílio

 

7M – É também uma questão de identidade?

N.B. – Este sínodo é o acontecimento eclesial mais importante desde o [Concílio] Vaticano II. Não é sobre um tema como outros – tivemos o sínodo sobre a família, o sínodo sobre os jovens… –, é um sínodo sobre a identidade mais profunda da Igreja, que não o será sem redescobrir a natureza constitutiva da sinodalidade que faz parte de si própria, enquanto comunhão missionária.

A Igreja não será tal sem que todos sejam verdadeiramente discípulos missionários, usando a expressão do Papa Francisco. Por isso, o objectivo é reforçar a comunhão entre nós, em particular entre padres e leigos, vivendo verdadeiramente como Igreja que é uma comunidade a caminho – um povo de peregrinos missionários, que se deixa guiar pelo Espírito nos caminhos da história e do mundo tal como ele está hoje, com tudo o que conhecemos: crise, guerra, transformação social extremamente profunda…

Não podemos continuar a fazer pastoral como na Idade Média ou como no século XVIII. Trata-se de ser a mesma Igreja, mas num contexto diferente. E é isso que é preciso discernir, através do processo sinodal.

 

7M – O Sínodo deve ter como consequências também a mudança de formação do clero, a criação de novos ministérios ou mesmo o estatuto da instituição Sínodo?

N.B. – As coisas estão abertas. Estamos na fase de escuta, não podemos dizer o que sairá daqui. As pessoas vão discernir o que vai sobressair nas dioceses e das conferências episcopais e [no secretariado internacional] vamos receber todos esses frutos da consulta sinodal. Não podemos pronunciar-nos por antecipação.

Estamos num processo e este Sínodo vem depois de outros: o da família, que já colocou o acento sobre o discernimento e o estilo de acompanhamento; o Sínodo dos jovens, que colocou bem a questão da formação dos padres e que, em particular, fez a proposta de que hoje deveria haver mais formação conjunta de padres e leigos, para levar a cabo a missão.

Para ser uma Igreja sinodal que seja uma Igreja da escuta, onde todos aprendem mutuamente, deveríamos trabalhar mais em equipa – nomeadamente os padres, mas não só. Isso aprende-se. O que é preciso mudar na formação dos padres, para formar sobretudo pessoas neste estilo de liderança colaborativa, de trabalho em equipa, de serviço, de escuta? Isso aprende-se, também…

 

7M – Escreveu um texto em Março, a propósito do Dia Internacional da Mulher, sobre a escuta das mulheres. Como se podem escutar as mulheres, num tempo em que também elas abandonam a Igreja?

N.B. – As mulheres fazem parte do povo de Deus e em muitos âmbitos e em muitas igrejas, assembleias ou compromissos elas são maioritárias. Mas é preciso também tomar consciência de [que são] quem deixa a Igreja. Por exemplo nos Estados Unidos, os inquéritos mostram que há uma inversão e que, nas novas gerações, há mais rapazes que raparigas que praticam e permanecem na Igreja. É preciso interrogarmo-nos sobre isso.

A questão das mulheres é um sinal dos tempos e coloca-se repetidamente não só na Igreja, mas também na sociedade. Há uma nova ordem masculina-feminina na sociedade e isso toca também na Igreja.

Os dois últimos sínodos lançaram apelos muito fortes – não só de jovens e de mulheres, mas também de padres e bispos – que dizem que é preciso dar mais espaço de participação às mulheres e que elas devem estar mais implicadas nos processos de decisão na Igreja, que devem ser mais chamadas a responsabilidades. Isso está já a caminho e é um apelo muito forte partilhado nos documentos dos sínodos sobre os jovens e do Sínodo da Amazónia.

 

7M – O que falta mais?

N.B. – Na [exortação apostólica] Christus Vivit, está escrito, preto no branco, que a Igreja deve lutar contra todas as discriminações em relação às mulheres na sociedade e na Igreja. Agora, a questão é como o colocar em prática. Regressando ao exemplo do trabalho em equipa: como, no maior número de lugares incluímos as mulheres, como escutamos a sua experiência, o seu olhar. Não para dizer que é melhor que o dos homens; mas, se nos colocarmos à escuta de todos, devemos escutar as mulheres.

 

Manifestação da Revolta das Mulheres na Igreja, em Madrid, a 1 de Março de 2020. Foto reproduzida da página da Revolta das Mulheres na Igreja, na rede social Twitter.

 

7M – Elas são ainda pouco escutadas?

N.B. – Um dos desafios deste sínodo é também o de escutar os mais pobres. Todos os dados mostram que, em todo o mundo – vemos o que se passa na Ucrânia – as primeiras vítimas das migrações, das guerras, das violências, são as mulheres. As primeiras vítimas do desemprego e da pobreza são as mulheres. Por isso, a Igreja, que tem na sua essência o procurar estar sempre junto dos mais pobres e escutá-los, e se as mulheres são as primeiras a ser afectadas, tem de as escutar.

Na missão da Igreja, devemos ter em conta que o papel dos homens e das mulheres mudou na sociedade e vai continuar a mudar: é um processo muito longo sair de uma mentalidade patriarcal e de dominação dos homens sobre as mulheres. Hoje há uma aspiração muito forte, em particular das novas gerações, para ser mais igual, no respeito mútuo e na reciprocidade. E vemos bem que é mais frutuoso trabalhar em conjunto, homens e mulheres.

É preciso encontrar esses caminhos novos, escutarmo-nos mutuamente e ter esta visão de corresponsabilidade. Em particular, no mundo complexo que temos hoje, precisamos da diversidade para tomar as decisões certas.

 

7M – Isso pode levar também ao debate sobre a ordenação de mulheres?

N.B. – O que é muito claro dos sínodos precedentes é que a Igreja é convidada a trabalhar sobre a questão dos ministérios, que não serão forçosamente ministérios ordenados: o facto de o Papa ter já aberto o ministério do leitorado e acolitado às mulheres, e depois também o de catequista – que são ministérios instituídos – é qualquer coisa de novo. Precisamos de criatividade nos ministérios. O Sínodo da Amazónia pediu claramente, no documento final, que se criasse um ministério de responsável das comunidades: muitas delas, na Amazónia, estão sob a responsabilidade de mulheres, o padre só lá vai uma ou duas vezes por ano.

O desafio, hoje, em primeiro lugar, não é o dos ministérios, mas como é que a Igreja se deve organizar e de que tipo de ministérios precisamos para a missão. Se olharmos para a história da Igreja, houve evoluções na sua organização ministerial. Por exemplo, o Vaticano II reinstituiu o ministério de diácono, mas [deixando às] conferências episcopais ou dioceses [a decisão] de o pôr em prática.

 

É preciso implicar os jovens

 

7M – A Jornada Mundial da Juventude (JMJ) vai realizar-se em Portugal. A sua preparação deveria ser articulada com o processo do Sínodo, tendo em conta que pode ser uma forma de escutar os jovens?

N.B. – Sem dúvida, foi isso que recomendámos. O Sínodo sobre os jovens mostrou que a única maneira de ser Igreja com os jovens, de se aproximar dos jovens e de os evangelizar é de ter este estilo sinodal, quer dizer: que os jovens sejam actores, protagonistas. Não chega estar com os jovens para os evangelizar, são eles os primeiros actores da evangelização.

A minha experiência em França é que para preparar bem a JMJ e que os jovens participem, é preciso implicá-los e apoiarmo-nos em jovens líderes e trabalhar com eles em corresponsabilidade.

 

7M – É isso que eles pedem?

N.B. – Os jovens são motores de sinodalidade porque é isso que eles pedem à Igreja: querem o estilo de escuta mútua, de diálogo e espontaneamente preferem o trabalho em equipa. Por isso, é uma bela oportunidade, em particular para a Igreja em Portugal, poder articular os dois.

Vê-se, um pouco por todo o mundo, que os jovens são dos mais entusiastas deste processo sinodal. É um enorme desafio para Lisboa, organizar esta JMJ e não se pode fazer isso sem os jovens, seja no comité local ou nas dioceses.

O programa tem de ser feito com os jovens e não sem eles. São eles que serão os que melhor conhecem a sensibilidade, o modo de funcionamento da sua geração. A chave do êxito da JMJ é de os preparar através de um processo sinodal. Foi osso que verdadeiramente aprendi na pastoral dos jovens: em particular para organizar grandes encontros, é preciso ter um estilo sinodal.

 

7M – Falou dos pobres, também a propósito das mulheres. Na Europa, a Igreja fala para os pobres mas eles fazem pouco parte dela. E se pensarmos nas periferias existenciais – homossexuais, recasados, etc. – essas pessoas também não estão na Igreja. Como se devem escutar os mais pobres, os mais frágeis, os mais abandonados, os mais longe da Igreja, essas periferias existenciais?

N.B. – É um grande desafio escutá-los, desde logo através de organizações já presentes no terreno, por exemplo através da Cáritas. Implicando-os no processo sinodal, podemos escutá-los.

Em Portugal, também há uma boa rede de escolas católicas, uma universidade católica, com jovens ou famílias que não estão forçosamente todos os domingos nas paróquias. Como apoiar-se nessa rede? Há já movimentos ou grupos de pessoas que se encontram e que estejam, por exemplo, preocupadas com a homossexualidade? E é-lhes proposto que elas dêem o seu contributo?

Trata-se de se apoiar nas redes já existentes em ligação com essas periferias para lhes propor que recebam delas [contributos]. Muitas dessas pessoas fazem parte da Igreja. É também um modo de alargar a nossa visão, porque a Igreja sinodal é também a que dá espaço a todos os carismas e que se apoia nesses dois pilares co-essenciais: a dimensão hierárquica, a organização por território (paróquia, diocese, conferência episcopal) e a realidade dos carismas, movimentos e comunidades. Sei que em Portugal, por exemplo, o movimento católico escutista é muito forte. Será que toda essa realidade vai também contribuir com a sua voz, que será um meio de envolver muitos jovens?

O desafio é, quando se pensa a Igreja e a consulta sinodal, apoiarmo-nos nessa diversidade – incluindo os média católicos, que têm um papel a desempenhar.

 

Nigeria, liberdade religiosa, violência,

Em alguns países, a consulta sinodal chegou às pessoas refugiadas, incluindo muçulmanos. Foto © ACN Portugal/IPIC.

 

7M – Nas informações do secretariado internacional, dá-se conta de uma grande diversidade de experiências que a dinâmica sinodal está a provocar em todo o mundo. Quer referir duas que a tenham tocado mais?

N.B. – Há muitas. Fiquei muito tocada com um relatório (e também ouvi directamente num webinar) sobre como envolver pessoas refugiadas, num dos maiores campos de refugiados em África, no Quénia. A partir de uma comunidade que vive no campo, em ligação também com o JRS, adaptou-se e propôs-se a consulta sinodal às pessoas refugiadas, incluindo a muçulmanos. Fiquei muito sensibilizada por este exemplo de se pôr verdadeiramente à escuta dessas pessoas.

Outro: o da consulta sinodal nas prisões, através das capelanias prisionais, que são também uma realidade. Ou da assistência espiritual nos hospitais ou nos lares de idosos…

 

7M – E o que se faz agora? Esperamos sentados dois anos para que o Papa escreva o documento final?

N.B. – Não… O objectivo deste sínodo é a conversão sinodal da Igreja, a esta maneira de viver a Igreja. É o trabalho de uma geração. Como se diz no último parágrafo do documento preparatório, o objectivo deste sínodo não é de produzir documentos, mas de fazer germinar sonhos, cicatrizar as feridas e voltar a dar esperança.

Deve ser um acontecimento de graça, uma experiência de renovação para um novo dinamismo missionário. E deve continuar-se, numa busca conjunta, a discernir como em cada diocese, cada movimento, cada comunidade, cada realidade eclesial – também em Portugal, em particular com este horizonte da JMJ – se pode prosseguir o caminho sinodal?

Não chega, como diz o Papa, fazer um sínodo. O que é preciso é tornar-se um sínodo: como continuo um caminho de conversão pessoal e comunitário, como me torno uma religiosa sinodal, um padre sinodal, um pai ou mãe, um leigo sinodal, um bispo sinodal – quer dizer, alguém com esse estilo de se pensar em interacção com os outros num “nós” eclesial; e a sinodalidade pretende reforçar esse “nós” e isso nunca está terminado.

 

7M – Mas não tendo o objectivo de produzir documentos, podemos esperar ainda documentos preparatórios?

N.B. – Claro. O Instrumentum Laboris será produzido a partir de todos os relatórios e servirá para a etapa continental: haverá delegados de todos os países. E é bom que a etapa continental seja preparada no âmbito local, para que aqueles que vão ao encontro continental se façam porta-vozes dos seus povos. Nestes dois anos, haverá uma ida e volta [permanente] entre o que se vive localmente e o que se produz no nível central.

 

7M – As sínteses diocesanas e nacionais devem ser conhecidas publicamente ou ficar reservadas?

N.B. – Esse deve ser um discernimento das igrejas locais, depende dos contextos. Hoje, em muitos países, há uma aspiração à transparência e sei que houve conferências episcopais que já decidiram publicar as sínteses. É muito importante também, uma vez que a síntese diocesana esteja concluída, ver como é ela partilhada, debatida e como irriga a continuação do caminho na diocese. O mesmo para a síntese nacional. É um discernimento nacional, mas pode ser importante, quando for possível, uma vez que isso resulta da escuta, poder partilhá-la com aqueles que contribuíram.

 

7M – A sinodalidade é o tema do pontificado do Papa Francisco?

N.B. – Sim, é verdade que é um dos temas maiores do Papa Francisco, porque ele foi eleito sobre um projecto de reforma da Igreja. Há uma ligação entre a sinodalidade e a reforma da Igreja, designada aliás como Ecclesia semper reformanda, Igreja chamada sem cessar a reformar-se. O discurso do 50º aniversário do Sínodo dos Bispos, em 17 de Outubro de 2015, é um dos discursos-chave do Papa Francisco, que fez [dessa instituição] um instrumento maior da sua reforma. O Sínodo é como uma escola de sinodalidade e um instrumento para ajudar a Igreja a mudar e avançar.

Com o Papa Francisco, estamos sem dúvida numa nova etapa da recepção do Vaticano II, que coloca o acento sobre a sinodalidade, mas este – mesmo se o Papa Francisco fez dele um tema importante – não é um tema dele. É um fruto do Vaticano II e faz parte da natureza da Igreja desde as origens: a governação da Igreja nos primeiros séculos era colegial e sinodal. Depois, por razões várias, perdemos um pouco essa maneira de fazer através de concílios e sínodos e hoje estamos a redescobri-la como um fruto do Vaticano II.

 

7M – Podemos dizer então que é um fruto do Evangelho e da identidade evangélica?

N.B. – Claro. A sinodalidade está enraizada no mistério da Trindade e o primeiro modelo de sinodalidade é Jesus. Uma imagem para compreender o que é a sinodalidade e o estilo de uma Igreja sinodal é a de Jesus a caminhar com os discípulos de Emaús. Ele começa por ir ao encontro do ponto em que estão: escuta-os, em todos os seus sofrimentos, dificuldades e ilusões, depois explica-lhes as Escrituras, come com eles e envia-os em missão.

A sinodalidade funda-se no modo de ser de Deus, que se revela à humanidade como um Deus trinitário e que entra em diálogo com a humanidade. São raízes muito profundas, que temos de redescobrir para pôr em prática nas situações concretas do nosso mundo de hoje. É uma visão da Igreja encarnada, de uma Igreja em peregrinação na história, mas fundada sobre a Trindade.

 

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Uma coleção de livros infanto-juvenis que é uma missão para estas férias… e para o resto da vida

[O papel das estórias]

Uma coleção de livros infanto-juvenis que é uma missão para estas férias… e para o resto da vida novidade

Miúdos de férias rima com… leituras sérias. Calma: o objetivo era rimar, não assustar! Até porque os livros sobre os quais vos venho falar são, de facto, sobre temas sérios, mas não são nada aborrecidos. Ou, como diriam os miúdos a quem se dirigem: não são “uma seca”. Pelo contrário, podem ser uma lufada de ar fresco neste verão que se adivinha estar para aquecer.

Um casal em 2024

Um casal em 2024 novidade

“A D. Georgina e o Senhor Amaro comentam o trânsito dos jovens, ele irritado: isto é gente de fora, do karaté ou lá o que é, daquelas coisas chinesas de dar porrada. Ela, rancorosa: pois, deixam-nos vir para cá para aprenderem a fazer-nos mal, deviam era mandá-los a todos para a terra dele”. Um texto de Nuno Caiado, baseado num episódio real testemunhado em Lisboa.

Clientes de supermercados convidados a apoiar a Cruz Vermelha

Campanha Vale +

Clientes de supermercados convidados a apoiar a Cruz Vermelha novidade

Até ao próximo dia 26 de julho, uma nova edição da campanha Vale +, promovida pela Cruz Vermelha Portuguesa (CVP), está a decorrer em 597 grandes superfícies de todo o país. Os clientes dos supermercados podem contribuir para esta iniciativa através da aquisição de vales monetários ou alimentares no ato de pagamento das suas compras, sendo que no próximo fim de semana, dias 20 e 21, donativos como bens alimentares e de higiene poderão ser diretamente entregues a voluntários que estarão em loja.

Agenda

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This