Modos de envelhecer (3)

“Desejo envelhecer sem pensar que estou a envelhecer”

| 26 Abr 2024

Vivemos em sociedades em que o envelhecimento é olhado muitas vezes como um problema económico, tanto para os estados como para as famílias, de abandono e da quebra de laços que têm como consequência a destruição de redes de solidariedade e de suporte que foram apoio durante a vida ativa. Na verdade, o envelhecimento daqueles e daquelas que nos precederam põe à prova a nossa humanidade enquanto sociedade e enquanto indivíduos.

O 7MARGENS iniciou a publicação de depoimentos de idosos recolhidos por José Pires, psicólogo e sócio fundador da Cooperativa de Solidariedade Social “Os Amigos de Sempre”. Publicamos agora o terceiro depoimento do total de vinte e cinco. Pode ler aqui os depoimentos já publicados. De notar que tanto o nome das pessoas como as fotografias que os ilustram são da inteira responsabilidade do 7MARGENS.

“Por mim, desejo envelhecer sem pensar que estou a envelhecer, pois apesar da idade avançada ainda estou naquela fase em que não penso na velhice, embora tenha medo de que a velhice pense em mim, como afirma Mia Couto.” Foto trabalhada a partir de JD Mason / Unsplash

António, 77 anos

 

Como quero eu envelhecer?

Desde a antiguidade clássica até aos dias de hoje, e de vários ângulos (do biológico e do sociocultural até ao impacto económico), o tema da velhice ou a arte de envelhecer tem sido insistentemente tratado.

Por mim, desejo envelhecer sem pensar que estou a envelhecer, pois apesar da idade avançada ainda estou naquela fase em que não penso na velhice, embora tenha medo de que a velhice pense em mim, como afirma Mia Couto.

E porque é que não penso na velhice? Porque ainda me sinto com energia, capaz de ser útil, e de vários modos. Perante a velhice – esse espantalho que significa fim de ciclo e consequente perda de capacidades – fico segurando as rédeas, pois o que importa é a saúde física e mental. Sendo sobretudo a saúde mental, com a ocupação soberana do espírito, que permite afastar esse fantasma. Para tal sirvo-me de duas armas: exercício físico regular e alimentação equilibrada. Para além de estimular um sentido positivo da vida, sustentado na minha força de vontade e na prossecução de objectivos.

Hoje, os velhos, internados em lares, sofrem da síndrome da separação e do distanciamento da comunidade, quer familiar, quer de origem. Assim, será aos próprios lares, enquanto comunidades alternativas que deverá competir, como missão superior, sublimar essa falta pelo afecto e por níveis de sociabilidade (criação de novas amizades e participação nas ofertas promovidas pela instituição) que colmatem os de origem.

Como quero eu envelhecer? Aceitando tranquilamente como um processo natural e inevitável, sem angústia, sem melancolia nem amargura, sem pena nem saudade. O futuro será sempre uma incógnita, sabemo-lo bem! E o Lar, o meu horizonte possível e previsível.

 

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A um mês da ordenação de dois bispos

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O patriarca de Lisboa, Rui Valério, escreveu uma carta a convocar “todos – sacerdotes, diáconos, religiosos, religiosas e fiéis leigos” da diocese para estarem presentes naquele que será o “momento raro da ordenação episcopal de dois presbíteros”. A ordenação dos novos bispos auxiliares de Lisboa, Nuno Isidro e Alexandre Palma, está marcada para o próximo dia 21 de julho, às 16 horas, na Igreja de Santa Maria de Belém (Mosteiro dos Jerónimos).

O exemplo de Maria João Sande Lemos

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Se há exemplo de ativismo religioso e cívico enquanto impulso permanente em prol da solidariedade, da dignidade humana e das boas causas é o de Maria João Sande Lemos (1938-2024), que há pouco nos deixou. Conheci-a, por razões familiares, antes de nos encontrarmos no então PPD, sempre com o mesmo espírito de entrega total. [Texto de Guilherme d’Oliveira Martins]

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“Sempre pensei envelhecer como queria viver”

Modos de envelhecer (19)

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O 7MARGENS iniciou a publicação de depoimentos de idosos recolhidos por José Pires, psicólogo e sócio fundador da Cooperativa de Solidariedade Social “Os Amigos de Sempre”. Publicamos hoje o décimo nono depoimento do total de vinte e cinco. Informamos que tanto o nome das pessoas como as fotografias que os ilustram são da inteira responsabilidade do 7MARGENS.

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Em que vai, afinal, desembocar o esforço reformador do atual Papa, sobretudo com o processo sinodal que lançou em 2021? Que se pode esperar daquela que já foi considerada a maior auscultação de pessoas alguma vez feita à escala do planeta? – A reflexão de Manuel Pinto, para ler no À Margem desta semana

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O apelo foi feito pelo Papa Francisco: utilizar os espaços da Igreja Católica devolutos ou sem uso para respostas humanitárias. Os Salesianos e os Jesuítas em Portugal aceitaram o desafio e, do antigo colégio de uns, nasceu o novo centro de acolhimento de emergência para refugiados de outros. Fica em Vendas Novas, tem capacidade para 120 pessoas, e promete ser amigo das famílias, do ambiente, e da comunidade em que se insere.

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