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Pobreza. Covid-19

Desigualdades económicas cresceram em todos os países

| 26/01/2021

Pobreza. Covid-19

Uma mulher sem-abrigo: Oxfam e OIT coincidem no diagnóstico de que pobreza e desigualdades estão a aumentar por causa da pandemia. Foto: Russ Allison Loar/Wikimedia Commons

 

A atual pandemia deverá determinar um inédito crescimento das desigualdades económicas em praticamente todos os países do mundo, facto que nunca tinha ocorrido desde que existem estatísticas deste tipo, ou seja, há mais de um século – revela o relatório da Oxfam O Vírus das Desigualdades, divulgado nesta segunda-feira, 25 de janeiro.

Na mesma data, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou a 7ª edição do seu observatório sobre “A Covid-19 e o Mundo do Trabalho”, no qual estima que durante o ano de 2020 mais de 114 milhões de trabalhadores em todo o mundo terão visto as suas horas de trabalho reduzidas, ou perdido o seu emprego. Em consequência, os rendimentos globais do trabalho terão caído 8,3 por cento, montante equivalente a 15 vezes o PIB português.

O relatório da Oxfam exemplifica o efeito da covid-19 sobre as desigualdades no planeta, apontando o facto de as mil pessoas mais ricas do mundo terem recuperado, em nove meses, as perdas que tinham registado no início da pandemia, enquanto serão necessários dez anos para que os mais pobres vejam os seus rendimentos voltar a atingir os valores que tinham em fevereiro de 2019. A organização recorda que “na sequência da crise financeira de 2008 foram precisos cinco anos para que a riqueza detida pelos ‘bilionários’ se recompusesse.”

Como meios de luta contra a pobreza extrema e as desigualdades, a organização propõe cinco eixos principais: 1. Políticas governamentais visando a redução radical, durável e sustentável das desigualdades; 2. Fortes investimentos públicos em cuidados de saúde universais, na educação e noutros serviços e bens públicos; 3. Reorientação das empresas para privilegiarem o serviço à comunidade em vez de distribuírem dividendos colossais aos seus acionistas ricos; 4. Conseguir que os mais ricos paguem a sua justa parte de impostos; 5. Atribuir carácter prioritário à luta contra as alterações climáticas.

Por seu turno, a OIT, embora prevendo uma forte retoma da economia mundial no segundo semestre de 2021, considera que, mesmo no cenário mais otimista, o ano em curso registará ainda uma perda significativa de horas de trabalho em relação ao final de 2019, pelo que recomenda que os governos adotem “medidas favoráveis a uma retoma robusta e sustentável, visando a melhoria do emprego, do rendimento, do direito ao trabalho e do diálogo social”.

 

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