Até Dezembro decorre o ano jubilar de São João da Cruz, celebrando o terceiro centenário da canonização e os 100 anos da sua proclamação como Doutor da Igreja Católica.
O jubileu tem como lema “A esperança alcança tanto quanto espera” e propõe itinerários de renovação espiritual e mística. A propósito do ano jubilar, o 7MARGENS propõe mensalmente, aos dias 13/14 (assinalando o dia da sua morte, a 14 de Dezembro de 1591), um conjunto de textos do padre carmelita e teólogo Armindo Vaz. Desta vez, excepcionalmente, o texto é publicado dia 15.
Transcrevemos do apreciado crítico de poesia espanhola, Dámaso Alonso: «[Neste livrinho, Poesias de São João da Cruz,] condensa-se uma das maiores torrentes de luz e de calor que o espírito humano terá produzido: as poesias de São João da Cruz. Que contraste entre a brevidade material das páginas e a beleza e imensidão do seu sentido! Tão grande é o contraste que seria insensato pretender esclarecê-lo totalmente do ponto de vista humano…
Os poemas de São João da Cruz têm sido para mim fonte de serenidade e de consolação. [Bem me sentiria] se este livro chegasse a alguma dessas poucas pessoas que – perdidas em mil diários afãs – têm “inteligência de amor”…; se lhes fizesse compreender melhor um pouco da beleza dos versos de São João da Cruz; se lhes fizesse esquecer por um momento esta quotidiana fricção da vida, tão dura…
Depois de ter louvado a alta espiritualidade da poesia de Frei Luis de León, Menéndez Pelayo passa a falar da de São João da Cruz. Eis as suas palavras: “Mas ainda há uma poesia mais angélica, celestial e divina, que já não parece deste mundo, nem é possível medi-la com critérios literários. Até é mais ardente de paixão do que qualquer poesia profana; e é tão elegante e delicada na forma e tão plástica e figurativa como os mais valiosos frutos do Renascimento. São as Canções Espirituais de São João da Cruz…
Confesso que, ao tocá-las, me infundem religioso terror. Por lá passou o espírito de Deus, embelezando e santificando tudo… Avaliar tais êxtases… com a admiração com que avaliamos uma ode de Píndaro ou de Horácio parece irreverência e profanação”… É o mesmo assombro que eu sempre tinha sentido. Pensava que diante da poesia de São João da Cruz o melhor era admirar e ficar calado.»
(Dámaso Alonso, La poesía de San Juan de la Cruz [Ensaistas hispánicos; Aguilar; Madrid 1958] 17-18).
Armindo Vaz é frade da Ordem dos Carmelitas Descalços, biblista e professor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica; publicou, entre outros, Em vez de «história de Adão e Eva»: O Sentido último da vida projectado nas origens (Edições Carmelo) e Criação Divina sem pecado humano (Paulinas Editora). Este texto foi inicialmente publicado no Boletim de Espiritualidade dos Carmelitas e é aqui reproduzido por acordo do seu autor e dos responsáveis do Boletim.









