O Centro Internacional para o Diálogo (Kaiciid) convidou líderes religiosos a refletirem sobre como os seus ensinamentos e orientações éticas podem contribuir para o fim do trabalho infantil. A iniciativa aconteceu na semana passada em Marraquexe (Marrocos), à margem da Sexta Conferência Global da OIT sobre a Eliminação do Trabalho Infantil, e uma das conclusões foi a de que a destruição ambiental está na origem do aumento desse flagelo.
“O número atual de 138 milhões de vítimas do trabalho infantil só poderá ser reduzido se as causas profundas da emergência climática forem abordadas”, afirmou Frederique Seidel, coordenadora sénior do programa Crianças e Clima do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), e uma das oradoras nesta mesa-redonda.
A responsável referiu pesquisas da UNICEF e da OIT que identificam a destruição ambiental como um dos dois fatores preditivos mais fortes para o aumento do trabalho infantil.
Seidel apresentou depois o manual “Esperança para as Crianças através da Justiça Climática”, produzido pelo CMI para apoiar Igrejas envolvidas em litígios climáticos. A mina de carvão de Cerrejón (Colômbia), a maior da América Latina, foi destacada como um exemplo de exploração infantil, no qual Igrejas do Norte e do Sul globais têm estado a trabalhar para responsabilizar os principais financiadores.
Durante esta mesa-redonda, foi ainda proposto incluir líderes religiosos na Aliança 8.7, uma iniciativa global da ONU focada na Meta 8.7 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de 2030, que visa a erradicação do trabalho forçado, da escravidão moderna, do tráfico de pessoas e do trabalho infantil.
Todos os participantes concordaram que as Igrejas e organizações religiosas têm um papel significativo no auxílio às vítimas do trabalho infantil, e que a colaboração inter-religiosa é essencial para combater as causas sistémicas desse problema.










