
O caso foi aberto depois de rusgas em duas casas onde o padre residia, em Finale Ligure e na cidade de Génova. Foto © Pixabay
Andrea Melis, conhecido padre italiano que coordenou uma federação de escolas católicas no norte daquele país, foi detido sob acusação de ter abusado sexualmente de um acólito menor de idade que conheceu na sua paróquia, noticiou o Religión Digital esta quinta-feira, 8. O caso assume contornos ainda mais graves dado que o presbítero contraiu o vírus da imunodeficiência humana (VIH) há vários anos, em África, e terá abusado também de outras crianças, expondo-as a todas ao risco de infeção.
Melis, de 60 anos, foi detido por alegada agressão sexual, prostituição de menores e tentativa de violência agravada. A detenção decorreu na sequência de uma queixa apresentada pela mãe do acólito.
De acordo com a acusação, Melis praticou atos sexuais com o menor em troca de dinheiro e de presentes como cigarros eletrónicos, jogos de vídeo e roupas de marca. De cada vez que se encontravam, dava-lhe 100 ou 200 euros e chegou a comprar-lhe um telemóvel no valor de 800 euros.
O padre é acusado de atuar sob “impulsos perversos”, de se aproveitar da confiança do menor e de o “atrair para sua casa”, para o levar a “aceder a tudo o que um adulto proíbe”.
O caso foi aberto depois de rusgas em duas casas onde Melis residia, em Finale Ligure e na cidade de Génova, onde os investigadores encontraram brinquedos sexuais e drogas sexualmente estimulantes, bem como cigarros eletrónicos descartáveis, bebidas energéticas, camisolas e fatos de treino de marca que ele dava às crianças.
Os investigadores identificaram ainda pagamentos com cartões e um longo histórico de mensagens de WhatsApp com o acólito, numa dinâmica de “abusos repetidos” que se estendeu por quatro anos, desde que o rapaz tinha 12 anos até aos seus atuais 16.
Para além deste caso, para o qual a Justiça apresentou a acusação principal, o Ministério Público recolheu testemunhas de mais menores que poderão ter sido abusados por Melis no passado, mas para já o juiz de instrução adiou a avaliação destes casos até um desenvolvimento mais avançado da investigação.
Como membro da ordem escolápia, Melis foi diretor de uma escola primária em Génova e presidente da Federação Ligúria das Escolas Primárias e Secundárias Católicas.
Melis foi convocado para o tribunal nesta quarta-feira, 7, para um primeiro interrogatório perante o juiz e invocou o seu direito de não testemunhar. O padre, natural da ilha da Sardenha, faz parte, desde há anos, da rede de instituições educativas católicas da Ligúria.
A diocese de Génova já manifestou “o seu pesar pelos factos denunciados” e assegurou ter informado o Dicastério para a Doutrina da Fé do Vaticano, “conforme exigido pelo direito canónico”.









