
Fotografia de perfil do Facebook de Emília Castro.
Numa das últimas conversas que tive com a Emília Castro, uma das três vítimas mortais no acidente, no passado sábado, na A1, a caminho do Santuário de Fátima, ela repetiu uma das frases que mais usava: “Deus é a única certeza que temos na vida.” Falávamos sobre a catequese, sobre a dificuldade em trabalhar com adolescentes, da Igreja, da família e do trabalho. A pandemia que nos afastou de tudo e de todos e que de como era bom estar a voltar “ao normal”.
A Mila, mulher de gargalhada inesquecível, de abraços, de afetos e de Fé. Sem grandes estudos académicos, aprendeu por conta própria música, teologia, filosofia, psicologia e muitas outras ciências. “Os livros estão por aí à espera de ser lidos”, dizia.
Entre o trabalho na fábrica têxtil (fazia o turno da noite com o marido), a catequese, o ensaio da grupo coral e a família, a Mila ainda tinha tempo e vontade para ajudar a organizar viagens a Fátima. No sábado, de Figueiredo, em Guimarães, partiram três autocarros cheios de pessoas para rezar à Virgem. No autocarro acidentado, onde também viajavam o marido, uma irmã e outros familiares, a minha Amiga Emília, sentada junto ao motorista para ter acesso ao microfone do autocarro, tinha acabado de rezar o terço e de fazer a Consagração a Nossa Senhora. Morreu segundos depois.
Ao falar com um familiar muito próximo, sinto que o facto de ela ter partido depois de ter rezado a Nossa Senhora, dá paz a quem mais a ama. De facto, pensando bem, se “Deus é a única certeza que temos na vida”, a morte não poderia ter sido de outra forma.
O funeral é esta quarta-feira, dia 25, pelas 18h30, na Igreja de S. Paio de Figueiredo, em Guimarães.










