AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

criança nas ruas de Mossul, Iraque, foto © UNICEF / Anmar

Iraque

Dez anos depois da ocupação jihadista, menos de 50 famílias cristãs regressaram a Mossul

e | 11/06/2024

criança nas ruas de Mossul, Iraque, foto © UNICEF / Anmar

Criança nas ruas de Mossul, Iraque. Foto © UNICEF/Anmar

Aquando da invasão que os jihadistas perpetraram na cidade iraquiana de Mossul em 2014, pelo menos 1.200 famílias cristãs viram-se obrigadas a fugir. Desde então, passados dez anos, poucas regressaram. “São cerca de 30 a 40 famílias, muitas vezes não completas. Muitos são idosos. Várias famílias vêm e vão de outros lugares, mas não representam uma presença estável que se possa notar”, afirma Paul Thabit Mekko, bispo caldeu de Alqosh, cidade iraquiana localizada a norte de Mossul, citado pela Agência Fides.

Os dias da conquista de Mossul pelos jihadistas são lembrados como o início de uma época repleta de traumas e dores, que parece ter modificado profundamente o perfil de uma cidade outrora descrita como um lugar de convivência entre diferentes comunidades de fé, naquela que é reconhecida como uma das mais antigas comunidades cristãs do mundo.

Até há duas décadas, havia mais de 100 mil cristãos em Mossul, inseridos num tecido social em que a maioria sunita coexistia com xiitas, yazidis e outras minorias. O número de cristãos começou a diminuir após a intervenção militar liderada pelos Estados Unidos da América que levou à queda do regime de Saddam Hussein em 2003. Desde então, a violência sectária aumentou.

Nas semanas que se seguiram à conquista de Mossul pelos jihadistas, o êxodo de milhares de cristãos de Mossul continuou. As suas casas foram “marcadas”, juntamente com as dos xiitas, como habitações que poderiam ser expropriadas por milicianos e novos seguidores do Estado Islâmico. Duas freiras e três rapazes foram temporariamente capturados pelos jihadistas. Depois, em janeiro de 2015, os milicianos do autoproclamado Califado expulsaram de Mossul dez idosos cristãos caldeus e sírio-católicos, recolhidos em aldeias da planície de Nínive e alojados temporariamente na segunda cidade do Iraque, depois de terem recusado abjurar a sua fé cristã e converter-se ao Islão.

Durante a ocupação jihadista, Mossul tornou-se a capital iraquiana do Estado Islâmico. Um ano depois, em junho de 2015, o Daesh controlava um terço do Iraque e quase metade da Síria, ameaçava a Líbia e contava com a adesão de dezenas de grupos armados no Médio Oriente e em África. A operação militar para pôr fim ao domínio jihadista de Mossul, em 2017, durou meses e teve fases extremamente sangrentas.

“Creio que mais de 90% dos cristãos que fugiram de Mossul não tencionam regressar. O que eles viram e sofreram criou um muro psicológico. Alguns foram expulsos, outros sentiram-se traídos. Não sabemos se a situação vai mudar. Atualmente, muitos vivem em Ankawa, o bairro de Erbil habitado por cristãos, sentem-se mais seguros e têm mais oportunidades de trabalho. Não pensam regressar a uma cidade que mudou muito em relação ao que era quando lá viviam. Não a reconheceriam”, afirma o bispo Paul Thabit Mekko.

Últimas Notícias

Últimas Notícias

Das cantigas de amigo à vinha

[Metáforas vivas]

Das cantigas de amigo à vinha novidade

Este texto corresponde à homilia de domingo, 4 de outubro, [domingo xxvii do tempo comum ― a ― 2026; 1º dia da semana da educação cristã; 800 anos da morte de S. Francisco], proferida pelo padre Joaquim Félix na igreja de S. Paulo, do Seminário Conciliar de Braga.

Jesus salva-nos de nós mesmos

[Entre Margens]

Jesus salva-nos de nós mesmos novidade

Uma das mais profundas obras de salvação realizadas por Jesus consiste em libertar-nos não apenas do pecado e da morte, mas também das falsas imagens que construímos acerca de Deus. Muitas vezes, consciente ou inconscientemente, projectamos sobre Deus os nossos medos, inseguranças e formas humanas de exercer o poder. [Texto de Vítor Rafael].

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.

Pin It on Pinterest

Share This