Dez anos depois do sismo, o Haiti “está a morrer”, denuncia bispo católico

| 14 Jan 20

Bispo Desinord Jean, de Hinche (Haiti): está na hora de mudar a situação no Haiti. Foto © ACN-Portugal. Janeiro 2017

 

O bispo de Hinche (Haiti), Désinord Jean, diz que o país “está a morrer”. Dez anos depois do sismo que devastou o país, registam-se manifestações e protestos em todo o país, que já provocaram pelo menos 17 mortos e cerca de 200 feridos. As manifestações paralisaram o país e o combustível esgotou. “As pessoas não podem sair. Estamos fechados em nossas casas. Todas as estradas estão bloqueadas. Mesmo em casos urgentes, as ambulâncias ou os carros de emergência” não conseguem sair, explica o bispo, em declarações à Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

Pedindo moderação aos manifestantes, de modo a evitar mais vítimas, e orações a quem está fora, Désinord Jean refere que o desemprego atinge 80% das pessoas activas, o que é mais grave ainda por se falar de um país em que 65% da população é jovem… “A pobreza extrema tira a esperança das pessoas.”

O bispo denuncia ainda que o regime corrupto do presidente Jovenal Moïse está no centro da crise e continua surdo aos apelos da sociedade e da Igreja. “Apesar dos nossos pedidos repetidos ao longo de quase dois anos, os políticos do Haiti continuam surdos. Em Julho de 2018, já tínhamos uma grande crise e o governo não fez nada”, disse o bispo, citado pela mesma fonte.

Numa carta aberta publicada em Setembro, a Conferência Episcopal acusou o governo e a oposição de serem incapazes de dialogar: “Se o país está em chamas, é por causa da vossa irresponsabilidade.”

Considerado um dos países mais pobres do mundo, o Haiti foi atingido, a 12 de Dezembro de 2010, pelo mais violento terramoto nos últimos dois séculos. A tragédia provocou 230 mil mortos, mais de três milhões de pessoas foram afectadas e a capital, Port au Prince, ficou devastada. As consequências, dez anos depois, são ainda visíveis, recorda a AIS.

Em Dezembro, a religiosa brasileira Maria Goreth Ribeiro, entrevistada pela Rádio Vaticana, descrevia: “A miséria, a fome e o desemprego atingem primeiro os mais pobres, que sofrem as consequências da violência e do caos social. Toda esta situação de dor, de sofrimento e de muita violência nos deixa inquietas e nos faz renovar o nosso compromisso e opção pelos mais pobres”, acrescentando que ninguém fica imune à violência que tomou de assalto as ruas. “Em muitos momentos temos medo, mas a gente procura, através da fé, que o medo não nos paralise. Os pobres ensinam-nos a fortalecer a nossa fé e esperança em Deus”, acrescentava a missionária brasileira.

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