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Funeral de padre Donald Martin Ye Naing Win, assassinado em Myanmar. Foto arquidiocese de Mandalay
Funeral do padre Donald Martin Ye Naing Win, assassinado em Myanmar em fevereiro deste ano. Foto © arquidiocese de Mandalay

Relatório da Agência Fides

Dezassete missionários católicos mortos em 2025, dez deles em África

| 30/12/2025

Um total de 17 missionários católicos – padres, freiras, seminaristas e leigos – foram mortos em todo o mundo em 2025, dez dos quais em África, e cinco deles na Nigéria. Os dados, que revelam um aumento de quatro mortes face ao ano anterior, constam do relatório anual da Agência Fides, que acaba de ser divulgado.

Segundo o relatório de 2025 deste serviço das Pontifícias Obras Missionárias, dez padres, dois seminaristas, dois catequistas, duas religiosas e um leigo perderam a vida no contexto da sua missão ao longo do último ano. 

O documento salvaguarda que a definição de “missionários” é ampla, incluindo todos os católicos que estão envolvidos de alguma forma em atividades pastorais e que são mortos em circunstâncias violentas, independentemente de as  suas mortes atenderem ou não aos critérios rigorosos para o martírio.

Tal como em anos anteriores, o continente africano continua a ser um dos mais perigosos para o trabalho missionário, com dez mortes registadas em 2025. Os países afetados foram Burkina Faso, Quénia, Serra Leoa, Sudão e Nigéria, país onde ocorreram metade das mortes naquele continente.

Em entrevista à Fides, o arcebispo Fortunatus Nwachukwu, secretário do Dicastério para a Evangelização, que é nigeriano, partilhou que “tudo isto é motivo de profunda tristeza” e “também de um pouco de vergonha”. “A Nigéria é um dos países com a população mais religiosa do mundo: uma nação de crentes, cristãos e muçulmanos. Todos nós afirmamos ser um povo de paz”, acrescentou.

Na entrevista, Nwachukwu destacou que esses cristãos não morreram a tentar ser heróis, mas foram vítimas da violência no seu quotidiano, nomeadamente em seminários ou escolas. E enfatizou que o governo nigeriano deveria fazer mais para defender e proteger pessoas inocentes e melhorar a situação de segurança no país.

 

Mais do que números, nomes e histórias concretas

Depois do continente africano, a América é a região mais afetada este ano, com quatro missionários mortos em 2025: dois padres no México e nos Estados Unidos e duas religiosas no Haiti.

Na Ásia, foram assassinados um padre e um leigo em Myanmar, e um professor nas Filipinas. Por fim, na Europa, um padre foi morto na Polónia.

Entre as histórias destacadas pela Fides, está a do jovem seminarista nigeriano, Emmanuel Alabi, que morreu em julho de inanição (falta extrema de alimentos e consequente fraqueza) e devido aos ferimentos sofridos quando foi sequestrado do seminário menor onde estudava, em Ivianokpodi.

A agência menciona também a história das religiosas Evanette Onezaire e Jeanne Voltaire, ambas pertencentes às Irmãzinhas de Santa Teresa do Menino Jesus, que foram assassinadas em março por membros de gangues armadas no Haiti, como o 7MARGENS deu conta na altura.

A Fides destaca ainda a dramática história do padre Donald Martin, o primeiro sacerdote católico birmanês morto no conflito que assola Myanmar. O seu corpo mutilado e já sem vida foi encontrado em fevereiro por vários dos seus paroquianos no complexo da igreja [ver 7MARGENS].

Choque e medo após assassinato de padre católico em Myanmar

De 2000 a 2025, a Fides contabilizou a morte de 626 missionários ou agentes pastorais.

 

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