São “relatos alarmantes” os que chegam de diferentes regiões da Síria nos últimos dias. As casas de 38 famílias cristãs foram incendiadas e destruídas, uma igreja greco-católica foi atacada, e registou-se ainda um atentado frustrado contra outro templo cristão, avança a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) nesta quinta-feira, 17 de julho, dado conta do “sentimento de medo crescente” que se instala entre os fiéis.
Ainda com a memória recente do atentado na Igreja de Santo Elias, em Damasco, que no passado dia 22 de junho provocou mais de 80 vítimas entre mortos e feridos, a Fundação AIS recebeu agora informações sobre um grave incidente ocorrido na passada terça-feira, dia 15 de julho, na aldeia de Al-Soura Al Kabira, na província de Suwayda, no sul da Síria. “De acordo com várias fontes locais ligadas à fundação pontifícia, a igreja greco-melquita de São Miguel, em Al-Soura, foi atacada e incendiada por assaltantes desconhecidos. A extensão total dos danos não pôde ser confirmada, uma vez que o acesso à zona é para já impossível devido à tensão que persiste em toda a região, mas imagens publicadas nas redes sociais parecem confirmar o ataque”, pode ler-se no sítio da AIS.
“Na mesma zona, 38 casas de cristãos foram incendiadas e destruídas, deixando muitas famílias sem teto. Em consequência disso, cerca de 70 pessoas procuraram refúgio num grande salão de igreja em Shahba, onde estão atualmente em condições precárias”, prossegue o comunicado da fundação pontifícia. “Esta comunidade perdeu tudo”, disse uma fonte local à Fundação AIS Internacional. “Tinham muito pouco, já eram dos mais pobres da região, e agora não têm mais nada”, acrescentou.
Enquanto isto, as autoridades e os populares impediram um atentado à Igreja maronita de Mar Elias, situada noutra zona, na vila de Al-Kharibat, na província de Tartous, no oeste da Síria. À meia-noite do último domingo, dia 13 de julho, um velho automóvel, carregado com grandes quantidades de explosivos, armas e panfletos de propaganda, foi descoberto estacionado perto da igreja. Graças a uma ação coordenada entre as forças de segurança e os habitantes locais, “evitou-se uma tragédia e os terroristas foram capturados numa emboscada”.
A Irmã Maria Lúcia Ferreira, a única religiosa portuguesa a viver neste país do Médio Oriente, enviou nas últimas horas uma mensagem para a Fundação AIS, em Lisboa, a apelar à ajuda do Ocidente e às orações de todos, confirmando tanto o atentado frustrado à igreja em Tartous, como os ataques em Suwayda.
Maria Lúcia Ferreira fez também eco de incidentes que estão a envolver a minoria druza na região de Suwayda, e referiu o ataque por Israel, nesta quarta-feira, 16, a um edifício governamental em Damasco. “A situação é realmente delicada e os cristãos têm medo e só têm uma ideia na cabeça, principalmente os mais jovens, que é partir daqui para fora”, afirma a religiosa, conhecida como irmã Myri, que pertence às Monjas de Unidade de Antioquia, e vive no Mosteiro de São Tiago Mutilado, na vila de Qara.
“Rezem por nós, intervenham, falem junto das autoridades, façam qualquer coisa, ao menos para levantar a voz contra o que se está a passar, e rezem por nós”, apela a religiosa.










