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Oikos, Moçambique, Cabo Delgado, crianças

Alarme em Moçambique

Dezenas de jovens raptados em Niassa e Cabo Delgado

| 06/12/2021

Oikos, Moçambique, Cabo Delgado, crianças

Os raptos de crianças e jovens continuam a causar preocupação no Norte de Moçambque. Foto © Oikos

 

Dois ataques, um na sexta-feira, 3 de Dezembro, na aldeia Nova Zambézia, distrito de Macomia, Cabo Delgado; e outro, no fim-de-semana anterior, na aldeia de Naulala, província de Niassa (extremo norte de Moçambique), estão a lançar o alarme entre a população.

No incidente mais recente, na madrugada da última sexta-feira, 3, terão sido queimadas cerca de 15 casas, mas não há, no entanto, registo de vítimas; no ataque anterior, no último fim-de-semana de Novembro, os terroristas terão raptado cerca de uma centena de jovens, além de que foram também saqueadas e incendiadas algumas habitações.

Ambas as ocorrências estão a gerar apreensão entre a população local, tanto mais que há o receio, cada vez mais insistente, de que os chamados insurgentes ou al-shabaab, como os grupos terroristas são conhecidos localmente, estarão a implantar-se já na província de Niassa, podendo inclusivamente ser uma ameaça para a cidade de Lichinga.

O ataque a Naulala veio reforçar os receios de que os terroristas estarão agora espalhados por uma vasta área em consequência da operação militar em curso em Cabo Delgado. Esta envolve não só as Forças de Segurança e Defesa de Moçambique, mas também do Ruanda e de países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

Em Novembro, Manuel Nota, director da Cáritas em Pemba, a capital de Cabo Delgado, afirmava à Fundação AIS (Ajuda à Igreja que Sofre), que teria havido já em Setembro um ataque na zona de Meluco. Isso seria, acrescentava, um indicador de que os grupos armados continuavam activos.

“Os terroristas estão em debandada, como dizem, e já não têm nenhuma base, mas andam pelas matas em pequenos grupos… Há grupos que já incendiaram [casas] e houve mortos”, afirmou Nota à AIS.

Sobre o ataque em Setembro, o responsável da Cáritas não conseguiu identificar a aldeia visada pelos terroristas mas assegura que acompanhou toda a situação. “Queimaram uma aldeia na zona de Macomia, pois eu passei lá quando ia para Meluco e a aldeia estava toda queimada. Este ataque foi a 24 de Setembro”, disse ainda.

Posteriormente, a 13 de Novembro, terá ocorrido outro ataque. O padre Edegard Silva, actualmente na Paróquia de Nossa Senhora do Carmo, em Mieze, comentou: “São dois relatos muito tristes que demonstram que os insurgentes estão aí, que os terroristas estão aí. São relatos muito concretos.”

Estes ataques terroristas, que tiveram início em Outubro de 2017, terão já provocado a morte de 3 mil pessoas e mais de 800 mil deslocados.

A Fundação AIS tem, desde a primeira hora, procurado auxiliar a Igreja de Moçambique com acções de solidariedade para com as populações mais atingidas pela violência, nomeadamente através do apoio psicossocial aos deslocados, que se está a revelar essencial para as populações atingidas pela experiência traumática associada aos ataques.

 

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