DGS avisa contra “risco aumentado de propagação do vírus” nos lugares de culto na véspera do reinício de celebrações religiosas

| 29 Mai 20

Mesquita de Lisboa

Mesquita de Lisboa: os lugares de culto vão voltar a ser frequentados comunitariamente, mas a DGS avisa contra os riscos. Foto Khalid Jamal, cedida pelo autor.

 

A Direcção-Geral da Saúde (DGS) divulgou apenas nesta sexta-feira, ao início da tarde, véspera do reinício das celebrações religiosas comunitárias, as “medidas de prevenção e controlo em locais de culto e religiosos”, relativas à contenção da covid-19.

As recomendações agora divulgadas seguem, em grande parte, o que tem sido apontado para diferentes situações de espaços fechados. Mas o documento não deixa de chamar a atenção para o risco acrescido destes lugares: “Considerando a interacção social e proximidade entre membros da comunidade, importa reconhecer o risco aumentado de propagação do vírus, bem como o impacto da doença em grupos que podem ter uma representatividade considerável nos cultos, nomeadamente pessoas com mais de 65 anos e pessoas com comorbilidades”, diz o texto.

Por comparação, as orientações sobre os espaços culturais, divulgadas na quinta-feira, apenas referem que “os espaços culturais, pelas suas características, representam locais de risco de transmissão da covid-19, devido à elevada afluência e rotatividade de pessoas”.

As orientações propostas para os espaços religiosos incluem a limitação ou adiamento de celebrações ou actos de culto ou formação quando não seja possível cumprir essas orientações, a utilização de recursos tecnológicos sempre que possível, o distanciamento físico, a etiqueta respiratória, higienização das mãos, utilização de dispensadores de álcool, arejamento dos lugares de culto, limitação de acesso a visitas colectiva e sinalização de circuitos.

Orientações mais específicas são a remoção de objectos e substâncias não indispensáveis, como a água benta no caso católico ou a partilha de objectos, como os tapetes de oração no caso dos muçulmanos. No que respeita às próprias celebrações, há recomendações para pessoas com factores de risco, distanciamento de dois metros, criação de esquemas de reserva ou de senhas para limitar o acesso, ter pessoas a acolher e dar indicações e o uso de máscara facial, entre as três dezenas de conselhos cuja lista completa pode ser consultada na página da DGS.

O processo de elaboração destas regras mereceu reparos de várias confissões religiosas que se sentiram marginalizadas e não foram ouvidas. E, apesar de a DGS (além das ministras da Saúde e da Justiça) terem reunido dia 14 com algumas das confissões minoritárias, há quem sinta que algumas das sugestões não foram acolhidas. Uma das pessoas que esteve na reunião disse ao 7MARGENS que tinha sido pedido que o distanciamento não fosse além dos 1,5 metros, com o argumento de que há lugares de culto demasiado pequenos para cumprir a obrigação dos dois metros. Afinal, a regra estabelecida ficou na mesma nos dois metros, lamenta o responsável – apesar de nos cinemas, por exemplo, apenas se pedir uma cadeira de intervalo.

 

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