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Votação a acontecer no 5º Concílio da Igreja Católica na Austrália. Foto © Fiona Basile

Concílio da Igreja Católica na Austrália

Diaconato feminino aceite se Roma der o “sim”

| 10/07/2022

Votação a acontecer no 5º Concílio da Igreja Católica na Austrália. Foto © Fiona Basile

Votação a acontecer no 5º Concílio da Igreja Católica na Austrália. Foto © Fiona Basile

 

O chumbo de duas moções sobre o papel das mulheres na Igreja levou à suspensão temporária da assembleia final do 5º Concílio Plenário da Igreja Católica na Austrália que acabou por as aprovar depois de ligeiramente reescritas. Assim, a Igreja na Austrália decidiu criar “novas oportunidades para as mulheres participarem de ministérios relacionados com os aspetos mais importantes da vida diocesana e paroquial” e examinará “a melhor forma de permitir que as mulheres sirvam como diáconos, se tal medida for aprovada pelo Vaticano”.

O vice-presidente do concílio plenário cuja assembleia final decorreu de 3 a 9 de julho em Sydney, o bispo de Sandhurst, Shane Mackinlay disse, de acordo com a notícia do Sydney Morning Herald de 10 de julho, que a Igreja “evitou o desastre” ao aprovar as moções reformuladas, já que a sua rejeição inicial deu “uma imagem terrível” da Igreja como se a sua liderança fosse indiferente às preocupações das mulheres que frequentam a igreja. O bispo Mackinlay concluiu: “Acredito que com o tempo veremos isto [a aprovação das moções] como um evento extremamente significativo na vida da Igreja na Austrália”.

No início da semana o concílio aprovara uma moção pedindo perdão a todos os indígenas pelas responsabilidades que a Igreja Católica teve nos danos que sofreram e uma outra solicitando o perdão das vítimas e sobreviventes de abusos sexuais, às suas famílias e comunidades. Em ambas, a Igreja na Austrália define formas de atenção particular a estes dois grupos e medidas para que tais práticas não se repitam. [ver 7MARGENS].

 

Lugar dos leigos e das mulheres

Mas os trabalhos do concílio australiano, que tocaram uma enorme variedade de aspetos da vida da Igreja, desde a conversão à ecologia integral, aos litúrgicos e à formação, acabaram por ficar na sombra devido ao impasse a propósito daquelas duas moções cuja rejeição levou cerca de 60 participantes (mais de um quinto do total) a anunciar que permaneceriam em silêncio como forma de protesto. A assembleia reuniu 264 participantes, entre os quais 43 bispos.

A versão revista da moção 4.5, recomendando que “se a lei da Igreja universal for modificada para autorizar o diaconato das mulheres (…) os bispos australianos recebam esta possibilidade com abertura e examinem a melhor forma de a concretizar no contexto da Igreja na Austrália”, foi objeto de rejeição por parte de 41 dos participantes com voto consultivo (não bispos) e por 5 bispos.

Por outro lado, a moção 5.4 propondo “a emenda ao cânone 767” [do Direito Canónico] no sentido de “permitir, onde apropriado” que os leigos admitidos a pregar na Igreja de acordo com o cânone 766, “fossem autorizados a pregar na assembleia eucarística”, foi recusada por não ter obtido a maioria qualificada dos votos consultivos (141 “sim” e 63 “não”) e muito menos a maioria dos votos vinculativos (20 contra 20).

 

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