Teólogo jesuíta em Portugal

Diálogo inter-religioso não é estratégia, mas atitude existencial, diz Javier Melloni

| 22 Mai 2022

Javier Melloni: um dos mais importantes teólogos do diálogo inter-religioso está nos próximos dias em Portugal. Foto: Direitos reservados

Javier Melloni: um dos mais importantes teólogos do diálogo inter-religioso está nos próximos dias em Portugal. Foto © Direitos reservados

 

“O diálogo inter-religioso não é uma estratégia para sobreviver em tempos de forçada pluralidade, mas trata-se de uma atitude existencial que implica toda a pessoa”, diz o jesuíta catalão Javier Melloni no seu livro Para Um Tempo de Síntese – Presente e futuro das religiões (ed. Fragmenta), que acaba de ser publicado e que o próprio apresentará em Portugal, a partir desta segunda-feira, 23 de Maio, em quatro conferências públicas – que terão, ainda assim, temas e abordagens diferentes e que incluirão também a apresentação de um outro livro, editado há três meses em Portugal: O Cristo Interior (Editorial AO).

Doutorado em Teologia, Melloni é um dos mais importantes teólogos contemporâneos na área da mística comparada e do diálogo inter-religioso, na esteira do também catalão Raimon Pannikar (a quem dedica o livro) e do belga (igualmente jesuíta) Jacques Dupuis.

Professor na Faculdade de Teologia da Catalunha, também licenciado em Antropologia Cultural, e membro do grupo catalão Cristianismo e Justiça, Melloni vive na Cova de Sant Ignasi, em Manresa, onde faz acompanhamento espiritual de pessoas e reflecte sobre as diversas manifestações da experiência de Deus.

Enquanto experiência espiritual, o diálogo inter-religioso pode resumir-se com cinco características, propostas por Melloni no livro Para Um Tempo de Síntese: é desde logo “uma palavra desarmada”, que deve “cuidar a própria maneira de falar para que não se exalte a própria tradição nem se desprezem as outras tradições”; é também “uma palavra despojada”, talvez o seu “paradoxo mais radical”, já que tem de se despojar da pretensão de absoluto do Absoluto que se proclama”; é ainda “uma palavra descentrada”, que procura não a troca de informação mas “o encontro com o outro”.

O diálogo inter-religioso é “uma palavra silenciosa”: para que seja uma manifestação de Deus deve “nascer do silêncio e ser partilhada em silêncio”. E, finalmente, é “uma palavra criadora” que, depois de desalojar o espaço da identidade pessoal e colectiva, produzirá “a fecundidade di encontro inter-religioso”, um dos “maiores desafios espirituais que hoje são colocados às religiões”.

Ao longo do livro Javier Melloni aborda a questão das alteridades, da partilha de plenitudes como alternativa à competição “entre totalidades”, das interpenetrações entre Oriente e Ocidente (falando do ioga, do budismo, da new age ou da mística) e de quatro co-inspirações: a integração cosmoteândrica e as vias mística, ética e ecológica.

As conferências desta semana em Portugal serão sobre o diálogo entre as religiões (segunda, 23, Centro Universitário Padre António Vieira, em Lisboa, às 21h30), a interioridade e a oração (Casarão, Évora, dia 24 às 21h30) e o mundo num tempo pós-pandemia (Centro de Reflexão e Encontro Universitário, no Porto, dia 25, às 21h30). A sua última conferência, no Centro Universitário Manuel da Nóbrega, em Coimbra, (dia 26, às 21h30) terá como tema “De Inácio de Loiola para um mundo globalizado”, tendo em conta que a Companhia de Jesus se encontra a celebrar o Ano Inaciano, que evoca a conversão do fundador dos jesuítas e se prolonga até 31 de Julho próximo.

 

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