Diário de viagem VIII: Domingo, dia de descanso, tango e preces (também futebolísticas)

| 11 Fev 19 | Cooperação e Solidariedade, Últimas

A viagem tem sido tão exigente para veículos e ocupantes, que se impunha um tempo de descanso. Foi o que fizemos nesta única, extraordinária e movimentada Dacar (Senegal), para mim de grata memória.

Pela primeira vez nesta viagem, não houve hora para levantar (oh graça tão divina e tão ansiada!), mas apenas a obrigação de irmos à missa das 11h30, a fim de cumprirmos o preceito, dando graças ao Senhor que se fez nosso companheiro nesta aventura (na “pilecas” e no jipe havia um lugar reservado para Ele).

Assim se passou uma bela manhã.

Domingo foi um dia para celebrar, descansar, visitar e descontrair… (Fotografias: Direitos reservados)

De tarde, enquanto cinco entraram em letargia, três foram visitar a Ilha de Gorée, por ser tão rica em beleza e tão única em história (aqui, triste história portuguesa!, relacionada com o tráfico de escravos)…

Só o Teixeira, mecânico, e o Almiro, gestor da frota, trabalharam afincadamente para consertar uma ferradura do pé do jipe que já vinha com uma maleita. Foi uma operação que se julgava simples, mas que acabou mais que demorada. Mas como os dois parecem irmãos gémeos na têmpera e na férrea vontade de nunca se deixarem vencer,  lá cantaram vitória levando a deles avante, tendo como prémio uma valente suadela.

Por ser domingo, decidimos que o jantar tinha de ser melhorado. Foi no restaurante Relai Sportif, na extraordinária marginal de Dacar, que comemos um tradicional peixe regado com cerveja e acompanhado com ruidosas gargalhadas e saborosa cavaqueira.

Quando regressámos a casa para deitar o Almiro e os companheiros, o carro do padre Moisés e do padre Michelle, que tão gentilmente nos receberam na Missão Espiritana de Dacar e a quem tínhamos convidado para o jantar, dançava o tango, ora agarrando-se à direita da estrada, ora abraçando-se à faixa esquerda, enquanto os passeios se desviavam para não serem atropelados pelos bruscos e inesperados movimentos. O António, o André e o Luís Pedro participaram na dança; o Luki, o Tito e o Miro limitaram-se a assistir, enquanto o Tex registava em filme a inédita dança que só acabou bem por ter demorado uns sete minutos.

Chegados a casa sãos e salvos, demos graças ao Senhor e deitamos as nossas carcaças em camas com rede por cima e em toda a volta, para nos livrarmos dos malfadados mosquitos, que depois de nos roubarem o sangue nos deixam o medo da malária. Não sei por que razão ou com que intenção fez Nosso Senhor tão bizarras e estranhas criaturas. Deviam picar somente no Luki e no Tito, que estavam inchados com a vitória do SLB por 10 a 0. Cá para mim, como gastaram hoje os golos todos, vão andar um mês sem meter mais nenhum. 

Ó meu bom Deus, Vós que fizestes o céu azul e branco, ouvi-me e atendei- me! 

 

Padre Almiro Mendes

(O 7MARGENS acompanha desde domingo, 3 de fevereiro, através de um diário de viagem, a expedição do padre Almiro Mendes e dos seus sete companheiros rumo à Guiné-Bissau para entregar um jipe, uma pick-up e outras ajudas a várias missões católicas e organizações não-governamentais)

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Limpar uma praia porque o planeta está em jogo

Sensível ao ambiente, à poluição e ao seu impacto sobre o mundo animal e o planeta em geral, Sylvia Picon, francesa residente em Portugal, decidiu convocar um piquenique ecológico na Praia do Rei (Costa de Caparica, Almada), no próximo sábado, 20 de abril. A concentração será no parque de estacionamento da Praia do Rei e ao piquenique segue-se uma limpeza do areal desta praia da Costa de Caparica.

União Europeia acusada de financiar trabalho forçado em África

A Fundação Eritreia para os Direitos Humanos (FHRE) e a Agência Habeshia alertaram para o facto de o financiamento da União Europeia (UE) poder estar a ajudar na promoção de situações de semi-escravatura de militares jovens, através dos fundos para a construção de estradas na Eritreia, até à fronteira com a Etiópia, e que supostamente se destinam a combater a “migração irregular”.

Bispos do México fazem frente a Trump e ajudam migrantes nas fronteiras

Os bispos católicos do nordeste do México uniram-se para receber comboios de imigrantes que tentam entrar nos Estados Unidos da América e ficam retidos na fronteira com o seu país. Para tal estão a ser tomadas várias medidas de apoio como a criação de novos centros de acolhimento de migrantes em dioceses transfronteiriças, à semelhança do que já acontece na diocese de Saltillo.

Boas notícias

República Centro Africana: jovens promovem acordo de não-agressão entre bairros

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Dois jovens centro-africanos – Fabrice Dekoua, cristão, e Ibrahim Abdouraman, muçulmano – decidiram promover um pacto de não-agressão entre as populações dos bairros de Castores (de predominância cristã) e Yakite (maioria mulçumana), na capital da República Centro-Africana, Bangui, para tentar mostrar que é possível pôr fim à violência que assola o país.

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Cultura e artes

As Sete Últimas Palavras

Talvez muitas pessoas não saibam que a obra de Joseph Haydn As Sete Últimas Palavras de Cristo na Cruz foi estreada em Cádis, na Andaluzia, depois de encomendada pelo cónego José Sáenz de Santamaria, responsável da Irmandade da Santa Cova.

Laranjeiras em Atenas

Há Laranjeiras em Atenas, de Leonor Xavier (Temas e Debates/Círculo de Leitores, 2019) reúne um conjunto diversificado de textos, a um tempo divertidos e sérios, livro de memórias e de viagens, de anotações e comentários… O gosto e a surpresa têm a ver com pequenos pormenores, mas absolutamente marcantes.

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O título de “melhor professor do mundo” foi atribuído no final de Março a um queniano de 36 anos, Peter Tabichi. O titular da distinção, frequentemente considerada como o “Nobel da educação” ou o “Nobel dos professores”, é também frade franciscano. O Global Teacher Prize tem sido concedido anualmente, desde há cinco anos, pela Fundação Varkey, do Dubai.

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A falta de compreensão do sentido da Páscoa tornou-se generalizada no mundo ocidental, apesar de a celebrar, por força da tradição e da cultura. A maior parte dos que se afirmam cristãos revela enorme dificuldade em entender o facto de a época pascal ser a mais significativa no calendário da fé cristã.

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