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Mariana Matias a tocar “Modinha" (suite Mirim), de Guarnieri

Diários de quarentena (21): “Modinha”, uma suite ao piano; uma lua sagrada; e uma Semana Santa ressurrecional

| 07/04/2020

Diários de quarentena (21): “Modinha”, uma suite ao piano; uma lua sagrada; e uma Semana Santa ressurrecional

by | 7 Abr 20

Suite Mirim, de Camargo Guarnieri, por Mariana Matias ao piano

 

Esta é uma das variadas formas que tenho arranjado para tentar ocupar da melhor forma o meu novo dia-a-dia. Apesar das razões para nos encontrarmos dentro de nossas casas serem extremamente entristecedoras, acredito que podemos aproveitar este aparentemente interminável tempo para nos dedicarmos àquilo que nos desculpamos de falta de oportunidades para fazer noutras ocasiões.

Mariana Matias é estudante do 1º ano da licenciatura de Design de Moda (Universidade do Minho, polo de Guimarães) e ex aluna de Educação Moral e Religiosa Católica do Agrupamento de Escolas José Estêvão (Aveiro)

 

A lua sagrada. Santarém, 2008.

A lua sagrada. Santarém, 2008. Foto © António José Paulino

 
Semana Santa Ressurrecional

O sentimento quase universal da contingência humana, associado à pandemia, insere-se bem na vivência da Semana Santa; e tanto mais quanto a pandemia se reflete na quase paralisação da economia e no agravamento da situação social, particularmente sob a forma de empobrecimento e desigualdades sociais. Estas desigualdades, que sempre existiram, revestem agora a forma de contraste enorme entre as condições de subsistência dos vários estratos sociais.

Vive-se, em cada momento, o risco do contágio e da morte, a par do agravamento da situação social; e, ao mesmo tempo, também se vivem, ressurrecionalmente, as pequenas-grandes vitórias da ajuda mútua, da prestação de cuidados, das curas ou expectativas de evoluções favoráveis, da abertura de perspectivas para um futuro mais fraterno que o passado…

No fundo, cada “estação” desta “via sacra” é, simultaneamente, morte e ressurreição: morte, nas vivências negativas, incluindo as inúmeras mortes biológicas; e ressurreição, nas vivências positivas, incluindo as curas de pessoas infetadas. Nada repugna incluir nesta ressurreição – bem pelo contrário – a fé na vida eterna, articulada com a eternidade da vida; se a vida eterna aponta para a vida depois da morte, a eternidade da vida aponta para todo o mistério de cada vida humana, em comunhão com todas as outras, independentemente de estarmos vivos ou mortos no sentido mais corrente.

Procedem muito bem os cristãos ao viver a Semana Santa em comunhão com suas comunidades e com o Papa, recordando os acontecimentos de há dois mil anos; mas que isso não impeça a comunhão e vivência dos acontecimentos atuais… que, no fundo, partilham daqueles e são vividos em toda a parte.

Acácio Catarino é consultor social

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