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Cartaz em Sintra - covid-19

Diários de quarentena (22): Um cartaz em Sintra e um poema de Drummond

| 08/04/2020

Diários de quarentena (22): Um cartaz em Sintra e um poema de Drummond

by | 8 Abr 20

Separados, mas juntos – por todos e pela namorada também

Obrigado como todos nós a ficar em casa, Luís estendeu uma bandeirola na varanda do seu apartamento, em Sintra: “Separados mas juntos!” Quem passa pela pequena praceta onde ele mora, sorri ao abraço. Não sabe é que o autor do bom grito, um jovem técnico de iluminação, 28 anos, desempregado, mandou o seu recado ao mundo quando também perdia a namorada. O 7MARGENS bateu-lhe à porta num daqueles dias de nevoeiro tão sintrenses. “Fiz o cartaz quando tudo se complicou para as pessoas, por causa da pandemia. Foi uma forma de lhes dizer que, apesar das paredes, continuamos juntos, que não vamos continuar sozinhos. Por acaso coincidiu com o fim do meu namoro, mas não foi por isso, foi por todos; enfim acabou por ser pelas duas coisas”, reconheceu, encostado, de T-shirt e shorts, ao umbral da porta. E isso não se arranja? “O quê, o namoro? Hummmm, talvez.”

Texto e foto de Fernando Sousa

Cartaz em Sintra - covid-19

 

Provisoriamente

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
[…]
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

Carlos Drummond de Andrade, Congresso do Medo (poema sugerido por Lucy Wainewright)

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