Diários de quarentena (25): A luz como companhia – diariamente a iluminARTE!

| 10 Abr 20

Vivemos dias únicos e especiais! Únicos porque nunca vividos e especiais porque, através de um simples clique, chegamos a todo o lado. O espaço contrai-se e o tempo relativiza-se.

Nos últimos dias ainda na sala de aula, falava de iluminuras, essa arte tão profunda que, no auge da Idade Média, tinha o poder de trazer a luz, de pôr a claro a mais sublime das mensagens: a palavra que confere sabor à vida e que é representativa da luz espiritual. No silêncio orante dos mosteiros, os monges ornavam de luz os textos sagrados, de tal modo que o brilho chamava a atenção sobre os textos – que, desse modo, procuravam alimentar o espírito imbuídos de uma estética singular. As cores vivas da ilustração continuam hoje a maravilhar-nos e podemos lançar sobre elas o mesmo olhar contemplativo. Focadas nos temas bíblicos, estas obras de arte pretendiam instruir, reforçar a importância dessa “boa notícia”, para que todos a pudessem entender, num sentido profundamente igualitário (independentemente de serem ou não letrados).

Evitar, hoje, a contaminação do vírus requer que nos refugiemos no espaço sagrado das nossas casas e sejamos capazes de aproveitar este silêncio criador. Regressámos ao seio da família. Reaprendemos o valor e a importância do nosso lar. Tal como os barcos, aportamos ao porto de abrigo. Pais e filhos partilham tarefas e propósitos.

Por outro lado, e bem, multiplicamo-nos em homenagens a todos quantos procuram, nessa corrida contra o tempo, cuidar dos que estão doentes e mais dependentes.

De todas as formas possíveis, procuram-se resguardar os mais vulneráveis: os idosos.

Então porque não usar um clique para criar redes e estabelecer encontros com os mais vulneráveis?

Foto Misericórdia de Bragança - covid-19; Idosos

Um das pessoas do lar da Misericórdia de Bragança, com uma das iluminuras criadas pelos alunos de Educação Moral e Religiosa Católica. Foto © Misericórdia de Bragança

 

Surgiu então este projeto: pais e filhos criarem, em conjunto, uma iluminura destinada a trazer luz de esperança à população mais idosa [do lar da Misericórdia de Bragança]. Alunos e pais abraçaram de forma entusiasta este repto a partir das suas casas. De clique em clique vamos recuperando o sentido espiritual das iluminuras, levando a que, hoje como ontem, a esperança de uma boa notícia possa ser luz para quem dela precisa. E tu, aceitas iluminARTE?

 

Dina Pinto é professora de Educação Moral e Religiosa Católica no Agrupamento de Escolas Abade de Baçal, de Bragança; uma galeria de imagens com os desenhos feitos por alunos da disciplina pode ser vista na secção Olhar.

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