Diários de quarentena (38): Somos todos frágeis, todos iguais e todos preciosos (uma oração)

e | 23 Abr 20

Senhor,
Ajuda-nos a compreender este tempo, com o céu estrelado na escuridão e o silêncio do dia e da noite.
Ajuda-nos a compreender as vezes sem conta em que o dia e a noite envolvem a nossa vida.

Senhor,
Ajuda-nos a partilhar com os últimos, como caminho para um mundo mais humano e fraterno, onde ninguém seja excluído e marginalizado, qualquer que seja a sua idade e condição social ou da sua saúde. Traz luz onde há escuridão, e conduz a nossa vida para um mundo melhor.

Senhor,
Abre-nos os olhos para ver como vens ao nosso encontro e dá vida à nossa fé de forma a aprendermos a identificar e a viver do essencial.

Senhor,
Ajuda-nos a entender que temos de deixar de ser gente muito ocupada a fazer coisas inúteis, aprendendo a cuidar dos outros.

Senhor,
Ajuda-nos a ter fé, nesses momentos em que Deus não nos deixa sozinhos, mas faz-Se presente e dá resposta às questões decisivas sobre o sentido da nossa existência: Quem sou eu? O que andei a fazer? O que posso fazer diferente e melhor?

Senhor,
Ajuda-nos a descobrir, neste tempo de privações, o que fizemos ao longo da nossa vida, nos tempos apressados em que nos deixamos levar pelo prazer imediato e não demos valor ao essencial da vida.

Senhor,
Na tragédia que estamos a atravessar, com os nossos medos e as nossas incertezas, reconheçamos que somos frágeis. Precisamos de Ti, que para além das nossas fragilidades, nos dês a descobrir a esperança em melhores tempos, diferentes dos que vivemos até agora.

Senhor,
É tempo de removermos as desigualdades, de sanar a injustiça que mina pela raiz a saúde de toda a humanidade.

Senhor,
Fomos surpreendidos por uma tempestade inesperada. Ajuda-nos a entender que estamos no mesmo barco, todos frágeis e desorientados, mas ao mesmo tempo importantes e necessários: todos chamados a remar juntos, todos carecidos de mútuo encorajamento. E que, neste barco, estamos todos.

Senhor,
Ajuda-nos a ver na Tua misericórdia, que não esquece quem fica para trás.
Que a indiferença egoísta não se apodere de nós, vendo que não há diferenças nem fronteiras entre aqueles que sofrem.
Somos todos frágeis, todos iguais e todos preciosos.

20.Abril.2020
Oração inspirada nos textos do Papa Francisco
António José Boita Paulino e Ana Maria Nunes Gonçalves

Árvore. Almeida, 2003

Foto © António José Paulino

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