Sínodo sobre a sinodalidade

Diocese de Braga propõe criação de ministério para o acolhimento e escuta

| 17 Abr 2024

‘Tendo em conta “a opção preferencial da Igreja pelos pobres”, considera-se necessário “reorientar a missão dos diáconos permanentes para o serviço a pessoas em situação de vulnerabilidade e necessidade”.`

Apontar para a criação de novos ministérios na Igreja Católica e repensar os já existentes, apostando na formação de leigos para esse fim e tornar os conselhos pastorais efetivos nas comunidades cristãs, com funções consultivas, mas também “executivas” são alguns dos caminhos propostos pela Arquidiocese de Braga, no âmbito da consulta sinodal tendo em vista a segunda sessão do Sínodo sobre a Sinodalidade, que ocorrerá em outubro, no Vaticano.

Este ponto dos ministérios é especialmente sublinhado na síntese bracarense  que acaba de ser tornada pública pela Equipa Sinodal diocesana. Assim, propõe-se a “instituição de um ministério específico para a escuta e o acompanhamento”, incluindo o acompanhamento espiritual, no âmbito das comunidades e “criação de estruturas próprias de atendimento e acompanhamento pastoral a nível diocesano”.

Por outro lado, tendo em conta “a opção preferencial da Igreja pelos pobres”, considera-se necessário “reorientar a missão dos diáconos permanentes para o serviço a pessoas em situação de vulnerabilidade e necessidade”.

Relativamente ao clero, a síntese diocesana de Braga considera ser necessário repensar “a centralidade do pároco na vida das comunidades”, “muitas vezes sobrecarregado com questões ao nível da gestão de instituições e recursos, que não são prioritárias na sua missão como pastores”.

A opção deveria ser por caminhos assentes na partilha de responsabilidades entre clero e leigos, na valorização do compromisso laical e do reconhecimento da “diversidade de sensibilidades e carismas na comunidade”. Nessa linha, importaria confiar tarefas e ministérios e repensar os processos de tomada de decisões, nas paróquias e na diocese, visando aquilo que o documento chama a “desclericalização das mentes”.

A valorização do “papel das mulheres na vida eclesial” é, neste contexto, um ponto sensível, sendo crucial assegurar que “possam participar nos processos de decisão e assumir papéis de liderança na pastoral e nos ministérios”. A síntese de Braga faz mesmo a sugestão de “pensar ministérios específicos ligados às características femininas”, que não sejam meras “réplicas dos ministérios pensados no masculino”.

No caminho a percorrer, preconizado nesta síntese, concebe-se a Igreja-comunidade em caminho, onde “todos são iguais e servem mutuamente… sem preconceitos ou aceção de pessoas, numa peregrinação conjunta de escuta e ajuda mútua, incentivando a participação ativa de todos… e privilegiando o diálogo e a mútua compreensão”.

É, além disso, “uma comunidade que reza e celebra”, que “cuida da vida e caminho espiritual de cada um dos seus membros”, “respeitando e acompanhando os diferentes ritmos” de cada membro. “Estar, escutar e acolher, sem a urgência de obter de forma imediata todas as respostas e soluções, mas cultivando a abertura ao Espírito e o discernimento” é outro dos aspetos sublinhado.

Na tensão entre as estruturas e processos que urge criar ou mudar, na vida da Igreja, e a “conversão pessoal e comunitária”, a síntese dá prioridade a esta última, colocada como condição prévia para que a primeira possa verificar-se.

O contributo bracarense, enviado como achega para a síntese nacional, de que a Conferência Episcopal está a tratar, teve como base sobretudo uma reflexão feita pelo Conselho Pastoral Arquidiocesano. Ainda que fosse possível que grupos e movimentos eclesiais e mesmo pessoas individualmente tivessem enviado contributos, “as respostas recebidas [por esta via] foram residuais”, refere-se no texto.

 

LOC/MTC: “trazer os pobres para o centro da vida eclesial”

encontro loc mtc de braga, 1 de abril 2023, foto loc mtc

‘Para aquele grupo da LOC/MTC, o caminho sinodal que a Igreja vive “é uma oportunidade de intensificar (…) o combate à pobreza (…) e de trazer os pobres para o centro da vida eclesial, tratando-os com “respeito, acolhimento e reconhecimento”.’ Foto: Encontro LOC/MTC de Braga, 1 de abril 2023. © LOC/MTC

Um dos contributos que a Equipa Sinodal diocesana bracarense deverá ter recebido foi o de um grupo da LOC/MTC (Liga Operária Católica / Movimento de Trabalhadores Cristãos) do Arciprestado de Braga, que já participou noutras etapas do processo sinodal. Várias das propostas que faz à diocese e à Igreja universal, no texto ao qual o 7MARGENS teve acesso, surgem de alguma forma no texto diocesano. Sublinhamos, no entanto, alguns aspetos específicos deste contributo.

Para aquele grupo da LOC/MTC, o caminho sinodal que a Igreja vive “é uma oportunidade de intensificar (…) o combate à pobreza (…) e de trazer os pobres para o centro da vida eclesial, tratando-os com “respeito, acolhimento e reconhecimento”.

Citando o Documento-Síntese da primeira sessão do Sínodo romano, onde se refere que, “para a Igreja, a opção pelos pobres e descartados é uma categoria teológica antes de ser cultural, sociológica, política ou filosófica”, para os membros daquele movimento da Ação Católica, os pobres são também “os migrantes, as vítimas de violência, de tráfico, minorias, os idosos abandonados, os trabalhadores explorados”. “Sentimos ainda o apelo permanente ao compromisso e ao cuidado que a Igreja deve ter em “educar para uma cultura do diálogo e do encontro, combatendo o racismo e a xenofobia”, refere o contributo.

Da extensa lista de propostas e apelos dirigidos aos planos diocesano e universal, destacamos o apelo a que a Igreja mostre “mais sensibilidade e atenção aos trabalhadores e aos reformados, que vivem com parcos rendimentos, com fracas condições económicas”; que preste mais atenção às “condições de vida dos que são explorados no trabalho, que têm profissões pouco valorizadas pela sociedade, que não se sentem reconhecidos e realizados nas suas tarefas e nas remunerações, que trabalham em condições indignas, sem segurança e sanidade”.

A LOC/MTC de Braga pede também que, nas paróquias e nos conselhos paroquiais, se procure conhecer como é que as pessoas vivem e se relacionam entre si, se procure estar atento a quem chega de novo à paróquia e se atue no sentido de os cristãos de cada comunidade apoiarem no acolhimento e integração dos pobres, dos imigrantes, das vítimas de abusos de poder”, procurando, nas respostas a dar, ir além do assistencialismo e das ações pontuais.

Por fim, o grupo do Movimento de Trabalhadores Cristãos defende a criação de espaços de formação para o estudo do Evangelho e da Doutrina Social da Igreja. Tal formação deveria “alimentar e enriquecer a vida cristã”, “respeitar e escutar cada pessoa, a partir do que ela é e do que sabe”, “a partir da vida e para a vida”.

 

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