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Moradora intimada a sair até Março

Diocese do Porto garante que “ainda há tempo” para evitar despejar inquilina na “ilha da Oliveira”

| 23/09/2021

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Sé do Porto: a diocese garante que está à procura de soluções. Foto © Laszlo Daroczy/Wikimedia Commons.

 

“Ainda não há solução, mas estamos tranquilos e com tempo”, garante ao 7MARGENS o padre Samuel Guedes, ecónomo da Diocese do Porto, a propósito da notícia de que uma inquilina de uma “ilha” habitacional na cidade iria ser despejada, porque o conjunto tinha sido vendido a um novo proprietário.

A informação do despejo foi divulgada pelo Público no dia 15, quarta-feira da semana passada, onde se contava que Maria Luísa, a inquilina que será despejada, tinha sido surpreendida por uma carta a dar-lhe conta de que o conjunto tinha sido vendido a um novo proprietário e que teria de sair até Março de 2022. (ligação só para assinantes)

Nesse mesmo dia, o 7MARGENS remeteu à Diocese, através do respectivo gabinete de informação, quatro perguntas. Na sexta-feira, a resposta recebida remetia para os comunicados divulgados dois dias antes, na própria quarta-feira, dizendo que nada mais havia a acrescentar.

Nesta quarta, 22, o novo proprietário do imóvel, Mário Lourenço Moreira, disse ao 7MARGENS que está apalavrada uma reunião com o ecónomo da diocese. Este ligou ao empresário na sequência do contacto do jornalista do Público e ainda antes da publicação da notícia, mas a data para o encontro ainda não está fixada.

“Neste momento não tenho projecto definido para a ‘ilha’, irá ser para arrendamento”, diz Mário Moreira. “O objectivo do negócio é não deixar cair as casas, mas ainda não sei quando avançarei com as obras nem como…”

No comunicado, a diocese diz que o imóvel da “ilha da Oliveira” foi “adquirido numa doação ao seminário maior do Porto” e que neste momento “apresenta muito más condições para habitação”. O comunicado descreve: “condições sub-humanas e insalubres, pondo em causa a saúde pública e das pessoas que lá residem”.

De acordo com o Público, a moradora, Maria Luísa, 69 anos, que mora na ilha há 34 anos, declarava-se surpreendida com a ordem de despejo remetida por carta, pela diocese. Segundo o mesmo jornal, a carta não explicava qualquer razão para a saída nem apontava qualquer solução para o problema. Dizia apenas que, até Março de 2022, a casa teria de estar desocupada.

 

“A diocese não ficará mal no assunto”

“Temos tempo suficiente para encontrar soluções”, garante o padre Samuel Guedes. “Estamos a trabalhar na questão, a diocese nunca ficará mal no assunto. Há várias possibilidades, mas ainda não há soluções definitivas. Para já, o que temos a dizer é o que está dito no comunicado”, acrescenta.

Neste documento, afirma-se: “Mantemos a nossa maior atenção, diocese e novo proprietário, para que nos prazos estabelecidos se encontre a maior e melhor resposta para o bem de todos. Foi esta, e será sempre assim, a nossa postura. Não podia ser de outra forma.”

O mesmo texto diz que, em algumas ocasiões, a diocese fez “intervenções profundas e de urgência, ao nível de esgotos daquela estrutura, para que aqueles que lá vivem não corressem perigo”. E que não se pode “manter pessoas a viver naquele lugar, com aspecto de ruína e acrescentos completamente ilegais e inseguros que ao longo dos anos, os inquilinos foram construindo”.

A diocese do Porto assegura ainda que tentou “garantir o bem-estar das pessoas ao alienar aquela ‘ilha’” e que tem feito “tudo, quer no diálogo com o novo proprietário quer nos serviços centrais de gestão do património diocesano para arranjar soluções para estes inquilinos”.

Uma das perguntas do 7MARGENS pretendia saber como é que se garante o bem-estar das pessoas alienando a ilha e se foram tomadas medidas cautelares para que essa afirmação faça sentido. No comunicado, a única alusão indirecta à questão é quando se reafirma que estão a ser feitas “obras de requalificação” em apartamentos no centro do Porto, que ficarão prontos em breve e que se destinam “a situações de emergência como esta”.

Outra pergunta que o 7MARGENS fazia era exactamente sobre a relação com os moradores: “A Diocese do Porto surge nas notícias e nas declarações de alguns dos habitantes da Ilha como uma empresa que procura fazer o seu negócio, deixando para segundo plano os dramas humanos do negócio decorrentes.  Não contradiz este modo de actuar a mensagem evangélica de Jesus, que a Igreja é chamada a anunciar?”

Num segundo comunicado, destinado a jornalistas e não disponível na página da diocese, reafirma-se que o prazo até Março será “mais do que suficiente para resolver a situação do realojamento” e que “todas as situações serão tratadas com cada um em particular, em tempo oportuno”. E conclui-se que não pode “haver dúvidas” de que a Diocese do Porto está a dar “a maior atenção a este dossier”.

Uma outra pergunta pretendia saber se a venda da ilha da Oliveira se destinava a colmatar os vários problemas financeiros de que a diocese vem sofrendo nos últimos anos – e que atormentaram bastante o anterior bispo, D. António Francisco, que morreu há quatro anos. Na curta conversa com o 7MARGENS, o ecónomo garante que “não há problemas financeiros na diocese” e que a venda do imóvel “nada tem a ver com problemas financeiros” da diocese.

 

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