José Quintas em Lisboa

Director da Cáritas Angola preocupado com seca e fome

| 28 Jun 21

“Ser inclusivo é chamar todas as sensibilidades para que se criem políticas mais reais, mais práticas, mais visíveis.” Foto © Agência Ecclesia

 

O director da Cáritas Angola manifestou preocupação com o impacto da seca no país africano e a “dependência” económica do petróleo, pedindo políticas mais inclusivas.

“Ser inclusivo é chamar todas as sensibilidades de angolanos para que se criem políticas um pouco mais reais, mais práticas, mais visíveis, que não tenham diferenças nem cores partidárias, mas que reflictam o projecto de Angola, para sair desta dependência apenas do petróleo”, referiu José Quintas, convidado da entrevista semanal Renascença/Ecclesia, publicada e emitida ao domingo.

O responsável reconhece o mérito de programas para o combate à pobreza, como o Kwenda, mas aponta “falhas na implementação” dos mesmos.

“Vejo que, dentro das políticas do Plano Nacional de Desenvolvimento e de Combate à Pobreza, há indicadores, há vontade política de se combater a pobreza, mas depois vemos certos mecanismos que podem falhar: a supervisão, a implementação, a capacitação das pessoas que estão num programa”, adverte.

José Quintas lamenta a existência de atitudes de “ganância, corrupção”, esperando que se desenvolva a ideia de trabalhar para o bem comum. José Quintas diz ainda ser necessário um reforço do apoio às PME, que representam 90% da economia angolana, para limitar os efeitos da crise pandémica na população.

O presidente da Cáritas Angola gostaria ainda de ver o Governo envolver a instituição no processo de vacinação, sublinhando o papel da Igreja Católica no país e as suas várias instalações, espalhadas pelo território.

“Angola vive a questão da seca, fome, estiagem, peste de gafanhotos, nas províncias do sul. Em parceria com algumas instituições públicas, a Cáritas está lá para dar o seu suporte”, informa.

A Caritas de Angola lançou este ano a Rede de Desenvolvimento Rural e Agricultura Sustentável (REDRAS), procurando auxiliar comunidades isoladas “através de uma agricultura sustentável, familiar”.

Na próxima terça-feira será apresentada na sede da Universidade Católica Portuguesa (UCP), em Lisboa, a plataforma “Cáritas Lusófonas em Rede”, com a participação de José Quintas, entre outros. A entrevista pode ser lida na íntegra na Ecclesia.

 

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

“A longa viagem começa por um passo”, recriemos…

“A longa viagem começa por um passo”, recriemos… novidade

Inicio o meu quarto ano de uma escrita a que não estava habituada, a crónica jornalística. Nos primeiros três anos escrevi sobre a interculturalidade. Falei sobre o modo como podemos, por hipótese, colocar as culturas moçambicanas e portuguesa a dialogarem. Noutras vezes, inclui a cultura judaica, no diálogo com essas culturas. De um modo geral, tenho-me questionado sobre a cultura, nas suas diferentes manifestações: literatura, costumes, comportamentos sociais, práticas culturais, modos de ser, de estar e de fazer.

Fale connosco

Pin It on Pinterest

Share This