Ensaio

Direitos humanos, paz e casa comum: como se reescreve um Papa?

| 18 Set 21

Promover o desenvolvimento e a paz, defender os direitos humanos ou preservar a casa comum. Estas ideias, presentes nos discursos dos últimos quatro Papas na Assembleia Geral da ONU, foram depois traduzidas em processos de reescrita jornalística, que olham para o Papa como um agente religioso-político, que intervém em ambas as dimensões ou mais numa delas do que na outra. Uma análise crítica discursiva a partir de uma investigação de Márcia Dias Sousa, no âmbito dos Estudos de Tradução e dos Media, associados aos Estudos de Religião, de Cultura e do Discurso.

Papa Francisco. ONU

O Papa Francisco nas Nações Unidas há seis anos, em 25 de Setembro de 2015: intervenções relevantes ao nível das relações internacionais. Foto: Direitos reservados.

 

As intervenções de um Papa na Assembleia Geral das Nações Unidas (AGONU) aconteceram em cinco momentos da História e resultaram de um estatuto jurídico reconhecido internacionalmente ao líder máximo da Igreja Católica, incomparável quer relativamente aos líderes das outras religiões, quer aos das nações. Isto, por si só, é relevante a nível da política e das relações internacionais. Seria também de interesse um estudo sobre a tradução destes discursos no campo jornalístico e concentrado no contexto da imprensa portuguesa, em particular?

Tais participações na AGONU são demarcadas por um período de cerca de meio século: em 4 de outubro de 1965 pelo Papa Paulo VI; em 2 de outubro de 1979 e, novamente, 5 de outubro de 1995 pelo Papa João Paulo II; em 18 de abril de 2008 pelo Papa Bento XVI; e em 25 de setembro de 2015, pelo Papa Francisco. Nos cinco discursos, reconhecem-se sinais de cada uma das épocas, bem como da missão e/ou do trajeto pessoal dos pontífices.

Por exemplo, nas palavras de Paulo VI encontramos referências ao Concílio Vaticano II, que estava a decorrer na altura e que enquadrava não só a visita oficial aos EUA e à ONU – a primeira alguma vez realizada por um Papa –, mas também a vontade de abertura da Igreja ao mundo. No caso, especificamente com vista a incrementar o diálogo direto e eficaz com os dirigentes governamentais, para assim chamar a atenção para os mais vulneráveis, combater a fome, promover o desenvolvimento e a independência das nações e apelar à paz – a corrida das duas superpotências mundiais aos armamentos gerava um clima de instabilidade à escala global.

Em 1979, o contexto de Guerra Fria ainda dominava a conjuntura internacional. Natural da Polónia, João Paulo II conhecia bem a realidade dos países subjugados ao bloco comunista e soviético, pelo que não causa admiração o facto de, no seu primeiro discurso na Assembleia Geral, ter abordado as sérias questões que tal subjugação colocava a respeito dos direitos humanos fundamentais. Nessa linha de pensamento, referiu-se ao propósito da ação política – servir o Homem e providenciar o bem comum – e enalteceu a ONU e a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) como meios imprescindíveis ante as vicissitudes no percurso da humanidade.

 

Novo milénio, novos temas
João Paulo II ONU em 1995

João Paulo II na AG de 1995: um elogio às revoluções pacíficas da Europa de Leste. Foto: Direitos reservados.

 

Na segunda intervenção, em 1995, sobressai a sua perspetiva quanto ao novo milénio e ao processo de recuperação da Europa no pós-queda do Muro de Berlim. Criticando o totalitarismo moderno e enaltecendo as revoluções pacíficas da Europa Central e de Leste, João Paulo II vincou a estreita correspondência entre a visão católica e os compromissos morais expressos na Carta das Nações Unidas relativamente à liberdade dos povos, procurando consciencializar o seu auditório quanto à necessidade de se impedir qualquer forma de negação do Outro, como acontecera no passado e marcava, na altura, a situação vivida nos Balcãs.

Bento XVI visitou a ONU num ano em que se assinalava o sexagésimo aniversário da DUDH, sendo várias as passagens do seu discurso onde constam, novamente, referências à defesa dos direitos humanos universais. A nível global, a agenda era dominada pela conjuntura que se seguiu aos atentados contra as Torres Gémeas de Nova Iorque, em 2001: a invasão militar do Afeganistão e do Iraque, num processo liderado pelos EUA com o apoio de poucas nações e sob forte contestação internacional. A este tema parece estar associado o esclarecimento do Papa quanto à imprescindível conjugação – e não separação – de esforços face aos novos perigos com que o mundo se deparava, resultantes da imensa e rápida evolução das sociedades e que se fazia sentir, de um modo muito particular, no campo da segurança, impondo-se a proteção das populações.

Por fim, em 2015, vemos nas palavras de Francisco um reflexo da sua causa pró-ambientalista bem conhecida. Com efeito, boa parte da mensagem que dirigiu aos líderes governamentais foi beber à sua encíclica Laudato Si’, publicada também nesse ano e da qual fez várias citações. Isso é sobretudo percetível nas suas considerações acerca da injustiça social e de diversos flagelos humanitários, quando associou à “cultura do descarte” o descuido para com a Mãe Natureza e os instintos de ambição de poder. Francisco depositou também a sua esperança na Cimeira do Clima a celebrar semanas depois em Paris, sublinhando que o mundo reclamava de todos os governantes uma vontade efetiva, prática e constante de proteção do ambiente e, portanto, da vida humana.

 

Um novo texto e contexto
Paulo VI ONU 1965

Paulo VI na ONU em 1965, numa altura em que o Concílio Vaticano II se aproximava do final. Foto: Direitos reservados.

 

A reescrita – entendida como tradução – destes cinco discursos na AGONU pela imprensa portuguesa foi objeto de investigação com base nos seguintes pontos de partida: em primeiro lugar, estudos recentes de Alfredo Teixeira sobre a religião em Portugal, que mostram que a tradição católica se tem mantido maioritária no país, apesar das mudanças sociais e políticas por que tem passado. Se não houve nenhum “sobressalto religioso” (como diz Teixeira), o relevo de um ato discursivo do líder espiritual da maioria da população seria, em princípio, elevado para a comunicação social portuguesa nos vários episódios em questão.

Em segundo lugar, a existência de uma situação histórica paradoxal na relação entre a Igreja Católica e os media (em geral): por um lado, a Igreja reconhece o importante valor destes meios para a sua missão de anunciar a Boa Nova; por outro, tem consciência dos perigos inerentes à difusão em massa do que pretende comunicar. Então, se a permanência em contextos de mudança indiciava uma partilha de valores no polissistema português de tradição católica, já o perigo da proliferação de sentidos lançava a questão: num sistema como o dos media, poderiam ter existido diferenças entre vários órgãos no entendimento, no tratamento e na veiculação das mensagens pontifícias iniciais? A acontecer, seria o indício de uma reinterpretação particular dos pontos de vista do Papa.

Foi, portanto, sobre o novo entendimento e a apresentação das mensagens pontifícias num novo texto (e contexto) que o estudo foi projetado. O objetivo principal passou pela compreensão de como diferentes redações do nosso país descodificaram e retransmitiram para o cidadão comum os discursos em causa, redigidos e proferidos inicialmente num contexto oficial e em línguas estrangeiras.

 

A tradução como comunicação e como reescrita
Papa João Paulo II ONU, 1979

João Paulo II no seu primeiro discurso na ONU, em 1979: servir o bem comum como propósito da ação política. Foto: Direitos reservados.

 

Devido a constrangimentos de tempo e de espaço na tese, foram analisados apenas três jornais portugueses, organizados segundo a seguinte hierarquia: (i) o Diário de Notícias (DN), enquanto jornal de referência em Portugal desde que foi fundado, no século XIX; (ii) o Jornal de Notícias (JN), contemporâneo daquele e também com uma distribuição muito significativa no país; e (iii) o Diário dos Açores (DA), com uma dimensão apenas regional, mas fundado na mesma época e cumprindo, tal como aqueles, os requisitos de ser um diário generalista e de não ter uma posição política nem religiosa assumida.

O enquadramento teórico de base pode ser resumido da seguinte forma: uma consideração da tradução como comunicação e como reescrita, aplicada especificamente ao campo jornalístico e segundo a ideia de que, através de atos discursivos – oficiais (por um lado) e sociais (por outro) – materializados em textos redigidos para um público e num registo e numa língua em particular, os agentes (de partida e de chegada) exteriorizaram um conjunto de valores próprios a um agrupamento cultural mais ou menos vasto, assim manifestando um modo de ser e de estar no mundo, i.e., uma ideologia (no sentido althusseriano do termo), no caso, especificamente relacionada com o património cultural religioso católico.

Foi através de uma análise crítica discursiva de base histórica, subdividida em quatro etapas, que os dados foram objeto de estudo. A primeira etapa disse respeito aos levantamentos preliminares, determinando os conteúdos selecionados por cada jornal a partir das versões de partida. Na segunda etapa – a macroanálise –, essa determinação foi transposta para a estrutura de uma pirâmide invertida, enquanto a mais habitual no relato jornalístico (pelo menos, durante o predomínio da imprensa em papel).

Com base nesta reorganização dos conteúdos selecionados, houve lugar, na microanálise, a uma restrição do estudo: uma concentração nas citações e/ou paráfrases apresentadas nos elementos de captação – a primeira página, toda a titulação e o lead. Sendo essas as parcelas mais lidas pelo público e, consequentemente, também aquelas onde os jornais mais darão a conhecer a sua leitura sobre os assuntos, os argumentos reescritos em tais componentes das notícias corresponderiam, então, ao que teria sido definido como cerne das mensagens por cada uma das redações.

Papa Bento XVI na Assembleia Geral em 2008. ONU

Bento XVI na Assembleia Geral em 2008: um alerta para os novos perigos com que o mundo se deparava no início do novo milénio. Foto: Direitos reservados.

 

Nesta terceira etapa, houve algum espaço para olhar para os despachos das agências de notícias mais influentes no contexto da imprensa portuguesa: a Lusa (no passado, ANI e ANOP), a Agence France-Presse e a Reuters. Na última fase da análise, também espaço para replicar o estudo para um segundo conjunto de agentes de partida: líderes governamentais contemporâneos de cada papa que discursaram naquela assembleia em alturas próximas e cujas intervenções foram também reescritas pelo mesmo conjunto de jornais. Os principais resultados das observações foram os seguintes:

(i) Não existiram diferenças significativas a nível dos sentidos quando comparadas as versões de partida dos discursos pontifícios com as publicadas nos jornais, mas sim destaques de algumas mensagens e não de outras. De um modo geral, foram notados entendimentos específicos quanto ao que era importante “ouvir” o Papa dizer relativamente à conjuntura internacional, em cada altura.

Por exemplo, se, em 1965, os três jornais deram destaque aos apelos de Paulo VI à paz mundial, tão relevante num mundo bipolarizado e marcado pela ameaça constante de uma guerra atómica, o DN distinguiu-se pela apresentação de duas citações bíblicas na titulação de primeira página – uma situação que poderá ter resultado do facto de ter sido um órgão conivente com o regime do Estado Novo, fortemente sustentado naquilo que entendia como valores do catolicismo.

Em 1979, enquanto o DN colocou o enfoque do seu relato na exortação de João Paulo II à conciliação internacional, o JN preferiu destacar a referência do Papa à situação apátrida do povo palestiniano e o DA evidenciou o apelo ao fim da (ainda) corrida aos armamentos. Em 1995, houve uma leitura bastante semelhante entre o DN e o DA das palavras de João Paulo II: um entendimento do pedido de elaboração de um documento análogo à DUDH que visasse salvaguardar os direitos das nações como cerne daquele discurso; por sua vez, para o JN, mais relevante foi a proposta feita pelo Papa de transformação da ONU num centro moral e numa família de nações.

Em 2008, com o estudo já reduzido aos jornais nacionais devido à ausência de notícias publicadas no DA (ao que foi possível apurar, devida à falta de dados disponibilizados no serviço menos dispendioso e, por isso, mais reduzido contratado com a Lusa), foi evidente a grande primazia da causa dos direitos humanos no conjunto das palavras reescritas de Bento XVI no JN, destacada em vários elementos de captação do jornal, em particular, na única chamada de primeira página identificada nos dois últimos anos do estudo. No que se refere ao discurso de Francisco, o JN pautou-se por uma clara concentração na sua crítica ao sistema de empréstimos internacional, gerador de maior pobreza e exclusão, ao passo que, no DN, se destacaram os vários temas por ele abordados: a defesa do ambiente, a sede de poder, o acordo nuclear com o Irão e os modelos de vida contemporâneos.

(ii) Da análise comparativa diacrónica com o segundo conjunto de agentes de partida, sobressaiu a mudança de perspetiva a partir de 1995 no retrato do Papa, com os jornais a darem maior destaque às suas considerações já não somente sobre as problemáticas da paz e dos direitos humanos, mas também sobre o sistema da ONU, as relações internacionais e a ação política – temas associados aos dirigentes político-governamentais de modo consistente e contínuo no decorrer do meio século em apreço.

(iii) Numa perspetiva global, a leitura que cada jornal pode fazer de um discurso oficial é própria, independentemente de quantos e de quais possam ser os intervenientes no circuito da tradução jornalística. Mesmo que o jornalista-redator inclua no seu artigo o texto tal como o recebe de uma agência noticiosa, tem sempre espaço para dar um toque pessoal (por exemplo, no título), sendo também bastante frequente, sobretudo desde o início do novo milénio, a recolha de apenas algumas passagens dos despachos: aquelas que foram mais ao encontro do modo como o jornalista ou a redação descodificou e pretendeu recodificar as mensagens dos agentes de partida para o público.

Isso foi notório quer na reescrita dos discursos dos papas na AGONU, quer na dos discursos dos líderes das nações. O caso porventura mais flagrante foi o de Mahmoud Ahmadinejad, antigo Presidente do Irão, que naquela assembleia, em 2008, fez várias referências a Deus e à importância de uma vivência na fé; no entanto, nenhuma delas foi tida em consideração por nenhum dos jornais. Quer isto dizer que a escolha quanto ao que reescrever ou não e quanto ao que destacar dentro do que é selecionado não mostrou dever-se à entidade de partida em si mesma, mas à visão que cada um dos agentes de chegada tem sobre ela e sobre o tipo de função que ela exerce na cena política global. Ou seja: deve-se a uma questão ideológica, resultante de um posicionamento muito particular das redações no país e no mundo.

 

Tendências nos processos de reescrita
O Papa Francisco no seu discurso em 2015. ONU

O Papa Francisco no seu discurso em 2015: os textos na imprensa representam um novo entendimento das palavras dos pontífices. Foto: Direitos reservados.

 

(iv) Identificaram-se as seguintes tendências nos processos de reescrita das mensagens pontifícias desenvolvidos por cada um dos jornais: 1. no DN, um retrato do Papa como um agente religioso-político, i.e., tido como o líder espiritual da maioria da população portuguesa e assumindo um papel distinto relativamente aos líderes das nações, mas sendo importante dar igualmente a conhecer a sua opinião quanto ao que vai marcando o panorama internacional; 2. já no JN foram várias as semelhanças entre a recodificação dos discursos pontifícios e a dos proferidos pelos chefes das nações, tendo sido neste jornal que a dimensão política do estatuto do Papa mais se fez notar; 3. no DA, foi notória uma prevalência da dimensão religiosa do estatuto, tendo sobressaído um entendimento preciso do lugar ocupado por cada tipo de protagonista na cena mundial.

(v) Os dados permitiram ainda verificar o que o atual secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin, afirmou em entrevista para a investigação: que o jornalista acaba por agir como um aliado do Papa, uma vez que contribui para o grande objetivo de fazer chegar as mensagens aos destinatários de forma compreensível e sem deturpação do sentido. Com efeito, embora as versões veiculadas na imprensa tenham representado um novo entendimento das palavras dos pontífices, o que circulou nos três contextos de receção não interpretou de forma incorreta as mensagens, nem causou uma incompreensão das mesmas junto do público. Já na reescrita das intervenções de alguns dos chefes governamentais foram atribuídos argumentos que não foram por eles apresentados na AGONU e existiram trocas de afirmações entre diferentes participantes naquela assembleia, o que leva a ponderar ter existido um maior cuidado na reprodução dos discursos pontifícios comparativamente aos dos demais agentes.

(vi) Por último, a reescrita das mensagens dos papas por parte da imprensa portuguesa pareceu contribuir para a permanência do património cultural católico, uma vez que a tradução do que cada um deles afirmou nas Nações Unidas representou, em rigor, uma forma de exteriorização dos valores religiosos predominantes no polissistema português. Assim sendo, é possível considerar que os jornalistas, para além de serem profissionais de uma redação – que os faz escolherem aquele ângulo de abordagem e não outro – são, também (ou antes de mais) membros da sociedade. Logo, com maior ou menor consciência, redigem os seus artigos igualmente em conformidade aos valores vigentes – e isto independentemente de se afirmarem como crentes ou como não-crentes.

Recuperando a questão central do estudo: então, como se reescreve um Papa? Tanto por espelho, como por reconstrução da realidade, num circuito de produção-receção-reprodução de conteúdos e mediante um recurso (mais ou menos direto) à tradução, no qual a cultura é determinante nas opções tomadas e nos retratos veiculados.

 

Márcia Dias Sousa teve experiência profissional em jornalismo, comunicação institucional e animação sociocultural; este texto aborda o tema da sua tese de doutoramento, defendida em 24 de junho último, na área de Estudos de Tradução, na Universidade Católica Portuguesa.

 

Nós somos porque eles foram. E nós seremos nos que vierem a ser.

Nós somos porque eles foram. E nós seremos nos que vierem a ser. novidade

A homenagem aos que perderam as suas vidas nesta pandemia é uma forma de reconhecermos que não foram só os seus dias que foram precoce e abruptamente reduzidos, mas também que todos nós, os sobreviventes, perdemos neles um património imenso e insubstituível. Só não o perderemos totalmente se procurarmos valorizá-lo, de formas mais ou menos simbólicas como é o caso da Jornada da Memória e da Esperança deste fim-de-semana, mas também na reflexão sobre as nossas próprias vidas e as das gerações que nos sucederão.

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Parlamento aprovou voto de solidariedade com vítimas da pandemia e iniciativa cidadã

Jornada da Memória e da Esperança

Parlamento aprovou voto de solidariedade com vítimas da pandemia e iniciativa cidadã novidade

A Assembleia da República (AR) manifestou o seu apreço pela Jornada de Memória e Esperança, que decorre neste fim-de-semana em todo o país, através de um voto de solidariedade com as vítimas de covid-19 e com as pessoas afectadas pela pandemia, bem como com todos os que ajudaram no seu combate, com destaque para os profissionais de saúde.

Fale connosco

Pin It on Pinterest

Share This