Na diocese de Coimbra

Do carmelo à prisão, em mãos ou de avião, os símbolos da JMJ vão tornar esta Páscoa “ainda mais especial”

| 6 Abr 2023

receção dos símbolos da JMJ na diocese de Coimbra, 2 de abril 2023, foto COD Coimbra

Os símbolos da JMJ chegaram no dia 2 de abril a Coimbra, onde foram acolhidos por milhares de pessoas nas ruas. Foto © COD Coimbra.

 

Chegaram de comboio, vindos de Aveiro, e foram recebidos em clima de grande entusiasmo por “milhares e milhares” de pessoas em Coimbra, no passado domingo, 2 de abril. A Cruz Peregrina e o ícone de Nossa Senhora Salus Populi Romani, símbolos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), permanecerão nesta diocese até 30 de abril e, ao longo dos próximos dias, a sua presença promete tornar as celebrações pascais “ainda mais especiais”.

Quem o garante é Hugo Monteiro, coordenador do Comité Organizador Diocesano (COD) de Coimbra da JMJ Lisboa 2023, destacando que, já esta quinta-feira, 6 de abril, os símbolos marcarão presença nas missas evocativas da Última Ceia de Jesus em duas paróquias da diocese: Pedrógão Grande (pelas 18 horas) e Penela (às 20h30). Na Sexta-feira Santa, a cruz e o ícone chegam a Miranda do Corvo, onde integrarão a via-sacra local, “uma tradição muito antiga, até ao Alto do Senhor da Serra” e que este ano contará com encenação pelos jovens. Regressam depois ao centro de Coimbra, onde, às 21h30, participarão na via-sacra que irá percorrer as ruas da cidade, “saindo do Seminário Maior em direção à Sé Nova”, conta Hugo Monteiro ao 7MARGENS.

O responsável, de 41 anos, assinala também vários “momentos fortes” agendados para sábado: pelas 11 horas, ainda na Sé Nova, haverá um período de oração destinado aos vários movimentos eclesiais. “Depois, os símbolos irão até ao Carmelo de Coimbra, para um momento de oração com os institutos de vida consagrada”, partilha. “À noite, estarão na grande vigília pascal da diocese”, na Sé Nova, agendada para as 21h30.

No domingo de Páscoa, “respondemos ao convite do Papa para irmos às periferias e vamos visitar e celebrar a eucaristia no Estabelecimento Prisional de Coimbra”, revela o coordenador do COD, sublinhando que “a presença dos símbolos é muito importante para os jovens que vão participar na JMJ, mas também para os reclusos, os idosos, os doentes, as autarquias, e para o nosso dia a dia enquanto comunidades”.

Ainda na manhã de domingo, a Cruz Peregrina e o ícone de Nossa Senhora regressam à Sé Nova para a eucaristia de Páscoa, às 11h, que contará com transmissão através da Rádio Renascença, e à tarde rumam ao aeródromo de Cernache, onde às 15 horas entrarão num avião para fazer uma “visita pascal aérea”. Depois, já em terra, os símbolos serão transportados pelos Bombeiros Voluntários de Coimbra para a “tradicional visita pascal”, na paróquia de Trouxemil.

 

Em breve, faltarão apenas 100 dias para a JMJ

coro COD Coimbra, 5 de março de 2023, em miranda do corvo, foto COD Coimbra

O Coro COD Coimbra vai dinamizar uma noite de oração na Sé Velha de Coimbra, a 23 de abril, quando faltarem precisamente 100 dias para o início da Jornada. Foto © COD Coimbra.

 

Durante todo o mês de abril, os símbolos da JMJ percorrerão as 268 paróquias da diocese de Coimbra, antes de serem entregues à diocese de Leiria-Fátima, na cidade de Pombal.

Antes dessa passagem de testemunho, Hugo Monteiro destaca “outro fim de semana muito especial, de 21 a 23 de abril, em que teremos o  Encontro Nacional de Alunos de Educação Moral e Religiosa Católica, que trará cerca de quatro mil estudantes a Coimbra”.

Nesse mesmo fim de semana, dia 22 de abril, “será assinalado o Dia de São Jorge, padroeiro dos escuteiros, com um encontro de escuteiros de toda a região de Coimbra”, e no dia 23 haverá a celebração nacional “Faltam 100 dias para a JMJ”, no Jardim Municipal da Figueira da Foz, com a presença do bispo de Coimbra, Virgílio Antunes, e do bispo auxiliar de Lisboa e presidente da Fundação JMJ 2023, Américo Aguiar. O fim de semana terminará com uma noite de oração na Sé Velha de Coimbra, “que será dinamizada pelo Coro COD Coimbra”, assinala ainda Hugo Monteiro.

 

Igreja portuguesa “muito afastada da juventude”

hugo monteiro, coordenador COD Coimbra, bispo virgilio antunes e bispo americo aguiar, na rececao aos simbolos da JMJ em Coimbra, a 2 abril 2023, foto COD Coimbra

Hugo Monteiro, coordenador do COD de Coimbra (ao centro), lamenta que muitos párocos não deem a devida importância aos jovens. Foto © COD Coimbra.

 

Recordando que a diocese de Coimbra “é muito grande, abrangendo parte dos distritos de Leiria, Aveiro, Viseu e Santarém, além do distrito de Coimbra”, o coordenador do COD destaca que, na organização de toda a peregrinação dos símbolos, estão envolvidas “cerca de 1.200 pessoas” e que ainda há muito trabalho a fazer até à JMJ.

“Estamos a preparar-nos para receber cerca de 20 mil jovens durante os Dias nas Dioceses, que precedem a Jornada, e para isso queremos chegar às cinco mil famílias de acolhimento”, afirma Hugo Monteiro, reconhecendo que esse objetivo ainda está longe de ser atingido. “Ultimamente, temos recebido inscrições [de famílias] com mais frequência e acreditamos que vamos conseguir… Já sabemos que os portugueses costumam deixar as coisas para a última da hora”, diz o responsável.

Apesar de estar otimista, o coordenador do COD Coimbra lamenta que só recentemente se tenha começado a falar mais da JMJ. “Até há pouco tempo, era um evento que pouca gente conhecia… As pessoas estiveram muito tempo focadas na pandemia, depois veio a guerra na Ucrânia, e a Jornada não tinha protagonismo”, refere.

Além disso, o trabalho de preparação da JMJ tem sido particularmente exigente pelo facto de a Igreja portuguesa estar demasiado distante dos jovens. “Temos uma igreja muito desequilibrada, muito desorganizada, muito afastada da juventude, que nos obriga por vezes a trabalhar o dobro ou o triplo”, diz Hugo Monteiro, que já pertenceu Secretariado da Pastoral Juvenil de Coimbra e atualmente integra o Secretariado da Pastoral da Família.

“A Igreja quer ter os jovens, mas não os sabe cativar e tem muita dificuldade em comunicar com eles e dar-lhes importância”, continua o responsável, assinalando que “isto acontece sobretudo nas zonas rurais, mas também nas zonas urbanas”.

Outro “problema”, denuncia, é o facto de a Igreja contar quase exclusivamente com trabalho que é realizado em regime de voluntariado. Pela experiência que tem tido na preparação da Jornada e na interação com as Igrejas de outros países, há vários em que já se trabalha de outro modo. “Recebemos a visita de quatro pessoas da Igreja sueca, que irá trazer 600 jovens para participar nos Dias das Dioceses, e todas elas trabalhavam profissionalmente para a Igreja”, exemplifica Hugo Monteiro. “Em Portugal, também temos de sair um bocadinho do amadorismo. Entrámos no ‘desenrasque’ e a Igreja não se constrói na base do ‘desenrasque’. As pessoas precisam de poder dedicar-se inteiramente à causa”, conclui.

Hugo Monteiro espera, por isso, “que todo este dinamismo da JMJ seja aproveitado ao máximo para o futuro da nossa Igreja, que se quer jovem, renovada, cativante e próxima”.

 

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