Por entre um conflito sem fim à vista no Médio Oriente, o cardeal Pierbattista Pizzaballa, patriarca latino de Jerusalém, estará à conversa (através de videoconferência) com jovens portugueses sobre paz, reconciliação e esperança.
Este debate acontece a 25 de julho, inserido na oficina “Ler a Paz”, no âmbito do “Rejoice” — Jornada Nacional da Juventude, em Lamego, que decorre nesta diocese de 24 a 26 de julho, e conta já com mais de 800 participantes inscritos de todo o país, segundo a organização.
Num comunicado agora divulgado, o Departamento Nacional da Pastoral Juvenil recorda que “Pizzaballa é a voz cristã mais próxima do conflito no Médio Oriente. Vive em Jerusalém, acompanha de perto a devastação em Gaza e tem sido uma das figuras mais consistentes no apelo ao diálogo, à reconciliação e à preservação dos Lugares Santos. Em abril deste ano, denunciou o fracasso da comunidade internacional e alertou para o risco de a guerra se tornar ‘um culto idolátrico’, uma expressão que percorreu o mundo.”
Então, numa carta pastoral, o patriarca latino de Jerusalém reconhecia “que o conflito é já ‘parte integrante da vida’ da Igreja da Terra Santa e do seu quotidiano e que se tornou ‘parte da cultura desta terra’”. Para Pizzaballa, numa terra “onde os contornos da identidade são tão ferozmente defendidos”, os cristãos são, assim, chamados a “testemunhar um estilo de vida particular, mesmo no meio do conflito”.
“Nós — escreveu então o patriarca — somos a Igreja de Jerusalém, e a Cidade Santa é o coração não apenas geográfico, mas também espiritual da nossa comunidade eclesial”. E esta Igreja tem um rosto multifacetado, “pela sua essência, plural, já que Jerusalém é mãe de todos os povos”, mas “há muitos séculos está imersa predominantemente num contexto árabe”.
Recorde-se que, no Domingo de Ramos, a polícia israelita tinha proibido o cardeal Pierbattista Pizzaballa, juntamente com o custódio da Terra Santa, o padre Francesco Ielpo – que “ocupam as mais altas responsabilidades eclesiásticas pela Igreja Católica e pelos Lugares Santos” — de entrarem na Basílica do Santo Sepulcro, para onde se dirigiam para celebrar a missa desse Domingo de Ramos.
Para o padre Tiago Torres, diretor do Departamento Diocesano da Pastoral dos Jovens de Lamego, o debate que terá lugar tem um significado particular. “Quando alguém que vive no centro de uma guerra aceita falar com os nossos jovens, isso diz tudo sobre o que é o Rejoice. Não queremos um encontro onde se fala de paz em abstrato. Queremos que os jovens ouçam alguém que a constrói todos os dias, mesmo quando parece impossível”, disse Tiago Torres, citado no comunicado.
Este convite, adianta o texto, nasceu também de um compromisso assumido no Jubileu dos Jovens, celebrado em Roma a 30 de julho de 2025, onde a delegação portuguesa apresentou o documento “Uma Juventude em Manifesto”, no qual assumem: “A paz não é apenas um desejo, é uma decisão. Queremos ser geração de paz: nos gestos, nas palavras, nos ambientes digitais e nos lugares esquecidos. Não nos conformamos com a guerra em lado nenhum.”










