O novo Vídeo do Papa para o mês de junho coloca o desporto no centro da reflexão ética e espiritual. Na sua intenção de oração mensal divulgada esta terça-feira, 2 de junho, Leão XIV convida os católicos a rezar para que o desporto seja “um instrumento de paz, encontro e diálogo entre culturas e nações”, promovendo valores como o respeito, a solidariedade e a superação pessoal.
A mensagem surge num momento particularmente significativo, a poucos dias do início do Campeonato do Mundo de Futebol de 2026, organizado pelos Estados Unidos, México e Canadá. E coincide com um apelo público da Amnistia Internacional (AI) para que aquela que é uma das maiores competições desportivas do planeta decorra sem discriminação e com pleno respeito pelos direitos humanos.
A nova petição da organização de defesa dos direitos humanos pede à FIFA e aos governos dos países anfitriões que garantam a proteção dos protestos pacíficos, ponham fim a detenções em massa e deportações arbitrárias e assegurem que todas as pessoas possam participar no evento sem discriminação. Sob o lema “Mundial 2026: Não ao medo, não à repressão, não às desculpas!”, a iniciativa pretende evitar que «um festival de alegria» se transforme «num festival de medo».
A Amnistia Internacional tem vindo a alertar para riscos associados ao Mundial, nomeadamente no que diz respeito aos direitos de migrantes, adeptos, jornalistas, trabalhadores e pessoas LGBTQI+, defendendo que o torneio deve ser um espaço de inclusão e liberdade.
Embora partam de lugares distintos, os dois apelos encontram-se num terreno comum: a convicção de que o desporto não pode ser reduzido à competição ou ao espetáculo. Na visão expressa pelo Papa, o desporto deverá ser sempre “escola de fraternidade e não de rivalidade vazia, espaço de encontro e não de exclusão, caminho de paz e não de violência”. Leão XIV assinala ainda como o desporto tem uma “linguagem universal que aproxima culturas, une povos e promove respeito, solidariedade e superação pessoal”.
Num contexto internacional marcado por tensões políticas, debates sobre migrações e restrições a direitos fundamentais, tanto a mensagem do Papa como a iniciativa da Amnistia Internacional recordam que os grandes palcos do desporto mundial são também lugares onde se joga a credibilidade dos valores humanos que dizem representar.










