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Do Porto a Bissau: um diário de viagem no 7MARGENS dá origem a livro

| 12/12/2019

Do Porto a Bissau: um diário de viagem no 7MARGENS dá origem a livro

by | 12 Dez 19 | Boas Notícias, Newsletter diária - título, Últimas

Grupo de padres e leigos portugueses junto da sé do Porto, com o bispo Manuel Linda (esqª), no início da viagem para levar um jipe e outros bens à diocese da Guiné-Bissau e aos missionários naquele país. Fevereiro 2019. Foto Direitos reservados

 

A viagem começou a 3 de Fevereiro, diante da Sé do Porto: “Quando estacionámos o jipe em frente à catedral do Porto, às 15h30, a aragem fria que fustigava o morro da Sé ameaçava o calor ténue do sol que desmaiava o seu brilho no Rio Douro.” Terminaria doze dias depois, em Bissau: “Esta África está a pedir, em silêncio e já há muito tempo, uma obra de aglutinação de esforços da comunidade internacional, Igreja incluída, para sair do marasmo e atonia de uma pobreza endémica que tem funestas consequências.”

Por desafio do 7MARGENS, surgiu um diário de viagem, que agora deu origem a um livro. Como os Ramos na Videira será apresentado nesta sexta-feira, 13, no Auditório da Paróquia de Mafamude (Vila Nova Gaia), a partir das 21h30, para contar a aventura: quatro padres e outros quatro leigos católicos da diocese do Porto atravessaram Portugal, Espanha, o Mediterrâneo, Marrocos, Sara Ocidental, Mauritânia, Senegal e Guiné-Bissau para entregar um jipe e uma pick-up a missionários católicos e aos voluntários da ONG A Rota dos Povos que trabalham neste país lusófono africano.

Durante os dias da viagem, o padre Almiro Mendes relatou as peripécias e sobressaltos, contou histórias e falou da História, registou os cansaços e fez humor. Ao sétimo dia, Ao mesmo tempo, fotografias de vários dos companheiros de viagem mostravam o caminho, o quotidiano, os cansaços, o convívio e a boa disposição da viagem.

“Não foi sem padecimento que tecemos estas reflexões, quase todas sentadas no colo do cansaço que uma viagem destas sempre impõe e adormecidas nos braços longos das noites e horas curtas que tivemos”, descreve o autor do diário, na apresentação escrita para a edição do livro. “Nasceram todas de um parto difícil e com uma só intenção: tornar mais conhecido, admirado, e sobretudo socorrido, o querido Povo da Guiné.”

Crianças na Guiné-Bissau com o grupo de padres portugueses. Fevereiro 2019. Foto Direitos reservados

Partilhar experiências e coordenar acções

No final da expedição, o padre Almiro escrevia também: “As palavras semeadas no nosso diário não buscaram a eloquência; são, apenas, vivências manifestadas, sentimentos expostos, dores caladas, problemas narrados, lágrimas choradas, silêncios experimentados e alegrias incontidas. Tudo tímida e envergonhadamente revelado. Apesar disto, ficamos esperançados que todos os que perfuraram a rocha da inércia e leram esta “peregrinação” tenham encontrado nos acontecimentos singelos e nas palavras simples, um caudaloso canal de fertilização do espírito.”

Pelo caminho, não faltou o inesperado de dar com um hotel que não existia e de ter de procurar abrigo alternativo; ou de aguardar sete horas, ao sétimo dia – e contá-lo no 7MARGENS… – para atravessar uma fronteira, por causa da fila de camiões, dos falhanços da internet ou da meia hora em que os guardas fecharam a alfândega para rezar…

Ao longo do percurso, e do diário, ressaltava também uma realidade que, tão perto de Portugal, é tão desconhecida no país, com as cores, sabores, sons e necessidades diferentes daqueles que habitam os quotidianos portugueses.

No prefácio do livro, o bispo do Porto, Manuel Linda, que em nome da diocese ofereceu o jipe para os missionários que trabalham na Guiné-Bissau, compara a viagem dos oito portugueses e os missionários aos heróis “das modernas ‘novelas de cavalaria’.

E, num outro texto de apresentação, o padre Alípio Barbosa, responsável do Secretariado Diocesano das Missões do Porto, escreve: “Estas memórias serão para todos os que as saborearem o relato vivo e apaixonante de quem ficou muito mais feliz porque saiu, partiu, enfrentou a aventura e o perigo para servir e partilhar com a Guiné.” E acrescenta: “Nas linhas, mas sobretudo nas entrelinhas deste diário, perpassa o fogo da missão, mas igualmente o dom da contemplação, da escuta de Deus nos caminhos da missão, na comunhão com os povos diferentes, a irmã natureza e a diversidade cultural.”

Antes da apresentação do livro, o padre Almiro Mendes reunirá com meia centena de responsáveis de 20 associações e organizações não-governamentais que trabalham com a Guiné-Bissau. “Queremos conhecermo-nos, partilhar experiências e ver que sinergias podemos estabelecer para trabalhar em conjunto”, explica ao 7MARGENS. O objectivo é mesmo passar a fazer um encontro semelhante uma vez por ano, acrescenta, para coordenar acções futuras de apoio à Guiné-Bissau.

Criança na Guiné-Bissau. Fevereiro 2019. Foto Direitos reservados

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