Os meios de comunicação do Vaticano lançam esta terça-feira, 21 de abril, um documentário de 26 minutos sobre o “Papa da misericórdia” e o “Papa das periferias”, como forma de assinalar o primeiro aniversário da morte do Papa Francisco, ocorrido faz precisamente na terça-feira um ano.
O documentário, legendado em italiano, inglês e espanhol, destaca, por meio de imagens de arquivo e sequências simbólicas, as expressões e gestos mais emblemáticos do pontificado do argentino Jorge Mario Bergoglio.
Por sua vez, a Basílica de Santa Maria Maior recorda o primeiro aniversário da morte do Papa Francisco nesta terça-feira, 21, a partir das 17 horas: haverá a recitação do terço, seguida, uma hora depois, pela celebração da Eucaristia, transmitida em direto por vários meios.
Nessa ocasião, será lida uma mensagem do Papa Leão XIV, que se encontra em viagem apostólica pela África. Será também dada a conhecer, no lado direito da Capela Paulina, uma placa evocativa do vínculo especial entre o Papa Francisco e a imagem da Salus Populi Romani, o ícone bizantino da Virgem com o Menino. Segundo refere o Vatican News, a placa apresenta uma inscrição em latim, feita em bronze e composta por 160 caracteres de dois tamanhos diferentes, que diz: “Francisco, Sumo Pontífice, que 126 vezes se deteve em oração devota aos pés da Salus Populi Romani, por sua vontade repousa nesta Basílica Papal – 21 de abril de 2026 – primeiro aniversário da morte”.

Ícone de Maria, “Salus Populi Romani”, na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, junto do qual o Papa Francisco se recolheu 126 vezes em oração. Foto © António Marujo/7MARGENS.
Uma evocação multitudinária que lembrou o Papa Francisco ocorreu no último fim de semana na histórica Plaza de Mayo, em Buenos Aires, de onde ele era natural. O espetáculo foi protagonizado pelo padre e DJ português Guilherme Peixoto e juntou música eletrónica e mensagens espirituais.
Este padre DJ alcançou projeção internacional em 2023 durante a Jornada Mundial da Juventude em Lisboa, onde se apresentou para mais de um milhão de jovens como animador principal da noite que antecedeu a missa presidida pelo Papa Francisco.
O espetáculo, intitulado “Francisco vive en el encuentro”, decorreu no coração da capital argentina, em frente à catedral metropolitana, casa de Jorge Mario Bergoglio por quinze anos e foi organizado pela Associação Miserando sob o lema “Todos, todos, todos”.
Continuidade, não rutura, entre Francisco e Leão

Túmulo do Papa Francisco na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma: “Francisco não está enterrado”, diz o prefeito do Dicastério da Doutrina da Fé. Foto © António Marujo/7MARGENS
O cardeal Victor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé (DDF) veio entretanto a público defender que o pontificado do Papa Leão XIV, longe de constituir uma rutura, representa de forma assumida uma continuidade com o pontificado de Francisco.
Numa entrevista ao italiano Il Giornale, o cardeal prefeito afirmou que o Papa Leão “expressou de várias formas a necessidade de continuar a receber o magistério de Francisco”.
Como exemplos, referiu que, antes do último consistório, ele pediu aos cardeais que relessem a exortação apostólica Evangelii gaudium e depois convidou-os a refletir novamente sobre sua aplicação. Agora, convocou os presidentes das conferências episcopais para retomar a receção da Amoris Laetitia.
“Esses são sinais que nos ajudam a descobrir que Francisco não está enterrado. Certamente, para aqueles que rejeitaram todos os seus ensinamentos ou para aqueles que o receberam apenas na aparência, o seu pontificado deve ter sido apenas um mau parêntesis”, disse o prefeito do DDF.
O cardeal Fernández observou ainda que “cada papa tem seu próprio estilo e prioridades pessoais, mas dizer que o Papa Leão quer apagar o que foi feito no pontificado de Francisco é desonesto. Cada Papa que chega colhe os frutos do seu predecessor e trabalha pelo bem da Igreja, seguindo em frente. Há muitos pontos em comum entre Leão e Francisco; mais do que a oposição, deveríamos ver complementaridade”, concluiu.










