O documentário abre com Carlos Fiolhais professor de Física na Universidade de Coimbra, a recordar que a Bíblia é o livro mais traduzido e divulgado de sempre – também na língua portuguesa. E que frases conhecidas como “No princípio criou Deus o céu e a terra” têm, em português, um responsável maior: João Ferreira Annes d’Almeida, o primeiro tradutor da Bíblia para português, trabalho que realizou no Oriente, para onde foi ainda jovem e onde acabaria por morrer.
“Calcula-se que existam ou tenham existido 200 milhões de cópias” das sucessivas edições da Bíblia traduzida por João Ferreira d’Almeida, que hoje continua a ser usada sobretudo nas comunidades protestantes e evangélicas, quer em Portugal, quer no Brasil e restantes países lusófonos.
O documentário, que passou quarta-feira na RTP 2 e está agora disponível na RTP Play, é realizado por Miguel Costa e tem a participação de vários especialistas e alguns actores, que reconstituem alguns passos da vida d’Almeida – porventura um dos aspectos menos conseguidos do filme, pela pouca criatividade dos textos e recriações, bem como pela imobilidade das cenas.
Emitido justamente no Dia Internacional da Tradução, proposto em 1991 pela Federação Internacional de Tradutores, esse dia foi escolhido também com a Bíblia como motivação: 30 de Setembro é o dia da morte de São Jerónimo, primeiro tradutor da Bíblia para latim – acontecimento evocado também nesta última semana, com a publicação de uma carta sobre Bíblia , escrita pelo Papa Francisco, como o 7MARGENS noticiou.
Passando em revista o nascimento de João Ferreira d’Almeida em 1628, em Chãs de Tavares, a sua ida para Lisboa, onde teria estudado com um tio padre e de onde, aos 13/14 anos, saiu para Amesterdão e, depois, para Malaca, o documentário centra-se depois no modo como João Ferreira d’Almeida se lançou à empreitada de tradução da Bíblia, num tempo em que a leitura do texto estava vedada aos fiéis comuns.
A sua adesão ao protestantismo levou-o a essa aproximação e a importância do seu trabalho acaba por se traduzir no número de cópias que a sua versão continua a vender actualmente: entre três e quatro milhões de exemplares. O filme passa também em revista vários exemplares da Bíblia guardados nas bibliotecas da Universidade de Coimbra e no Palácio Nacional de Mafra, bem como a importância do trabalho evangelizador de Ferreira d’Almeida em várias regiões do Extremo Oriente.
Fica a faltar, no documentário, uma incursão pelas diversas versões da tradução empreendida por Ferreira d’Almeida, nomeadamente a última, que aliou ao texto – fixado pelo agora cardeal Tolentino Mendonça – as imagens das pinturas de Ilda David’.

Uma das ilustrações de © Ilda David, Bíblia Ilustrada, tradução João Ferreira Annes d’Almeida, apresentação e fixação do texto José Tolentino Mendonça, ed. Assírio & Alvim/Círculo de Leitores










