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Polémica levou a retirada

Documento da UE queria propor saudações “festivas” omitindo Natal

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O documento propunha mudar as referências ao Natal para “festas”, justificando que “nem todos o celebram da mesma maneira”, porque os europeus têm sensibilidades e tradições religiosas diferentes. Foto: Direitos reservados.

 

Um documento interno da Comissão Europeia que pretendia promover a linguagem inclusiva e propunha que se dessem felicitações pelas “festas” e não pelo Natal foi retirado, depois de ter provocado várias reacções, incluindo do secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin.

De acordo com o Religión Digital, a comissária para a Igualdade, a maltesa Helena Dalli, anunciou a retirada do guia interno que tinha sido proposto por uma estrutura por ela tutelada e que gerou controvérsia. Numa mensagem publicada terça-feira na sua página na rede Twitter, a comissária reconheceu que o documento “não era um documento maduro e não satisfaz os padrões de qualidade da Comissão”. Helena Dalli admitia ainda que as recomendações precisavam “claramente de mais trabalho”. Por isso, anunciava a sua retirada, prometendo “continuar a trabalhar sobre ele”.

De acordo com a mesma fonte, o documento propunha mudar as referências ao Natal para “festas”, justificando que “nem todos o celebram da mesma maneira”, porque os europeus têm sensibilidades e tradições religiosas diferentes.

A comissária defendia que o objectivo desta orientação linguística era “ilustrar a diversidade cultural da Europa e sublinhar a natureza inclusiva da Comissão Europeia em relação a todas as formas de vida e crenças dos cidadãos europeus”.

Mais tarde, um porta-voz do executivo da UE insistiu, quando questionado sobre o assunto numa conferência de imprensa em Bruxelas, que se tratava de um documento interno que não se destinava a ser tornado público e que, em qualquer caso, seria revisto para reformulação. Também salientou que o documento propunha “recomendações” sobre comunicação e não orientações obrigatórias sobre como utilizar a língua.

O presidente da Comissão dos Episcopados da União Europeia (Comece), cardeal Jean-Claude Hollerich, reagiu à polémica, afirmando que respeita o direito da Comissão Europeia a dar forma à sua comunicação escrita e verbal e que aprecia a importância da igualdade e da não discriminação. Mas acrescentava que não pode deixar de se manifestar preocupado com a impressão de que um preconceito anti-religioso caracteriza algumas passagens do projecto de documento.

“Neutralidade não pode significar relegar a religião para a esfera privada. O Natal não é apenas parte das tradições religiosas europeias, mas também parte da realidade europeia”, afirmou. “O respeito pela diversidade religiosa não pode levar à consequência paradoxal de retirar o elemento religioso do discurso público.”

O presidente da Comece considera ainda que “embora a Igreja Católica na UE apoie plenamente a igualdade e a luta contra a discriminação, é igualmente claro que estes dois objectivos não podem conduzir a distorções ou à auto-censura. A valiosa premissa da inclusão não deve levar ao efeito oposto da exclusão.”

Apesar de ser este o aspecto mais polémico, o documento divulgado e logo retirado também previa outras recomendações sobre igualdade e inclusão de género, propondo que se evitasse o uso de pronomes ou discursos dirigidos a “senhoras e senhores”, optando antes por “colegas”, e a promoção do equilíbrio de género nos painéis.

Segundo o jornal italiano La Repubblica, o documento sugeria que não se deveria fazer referência a “género, etnia, raça, religião, deficiência e orientação sexual”.

O cardeal Parolin, secretário de Estado do Vaticano, reagiu também dizendo que é justa a preocupação de eliminar todas as discriminações. Esse “é um caminho sobre o qual temos adquirido cada vez mais consciência e que, naturalmente, deve traduzir-se também no campo prático”. Mas com a forma proposta por este documento corre-se “o risco de destruir e aniquilar a pessoa”.

Parolin acrescentava duas razões: a “diferenciação que caracteriza o nosso mundo”, contra a qual a tendência “infelizmente é de padronizar tudo”; e o esquecimento de que “quem vai contra a realidade coloca-se em sério perigo”. Além de anular as “raízes, sobretudo no que diz respeito às festas cristãs, à dimensão cristã também da nossa Europa”. E justificava, em declarações ao Vatican News: “Sabemos que a Europa deve a sua existência e a sua identidade a muitas contribuições, mas não se pode esquecer que uma das contribuições principais, senão a principal, foi precisamente o cristianismo.”

 

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