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O Papa Francisco com o xeque Ahmed el-Tayeb, em fevereiro de 2019, depois da assinatura do documento sobre a fraternidade humana. Foto © Eissa Al Hammadi/Ministry of Presidential Affairs.

Revelação do Papa

“Documento sobre a Fraternidade Humana” nasceu de um almoço

| 06/11/2022

O Papa Francisco com o xeque Ahmed el-Tayeb, em fevereiro de 2019, depois da assinatura do documento sobre a fraternidade humana. Foto © Eissa Al Hammadi/Ministry of Presidential Affairs.

O Papa Francisco com o xeque Ahmed el-Tayeb, em fevereiro de 2019, depois da assinatura do documento sobre a fraternidade humana. Foto © Eissa Al Hammadi/Ministry of Presidential Affairs.

 

Um jornalista libanês perguntou ao Papa Francisco, na viagem de regresso do Bahrein, se o “Documento sobre a Fraternidade humana” está a dar frutos tangíveis. Referia-se àquele documento “em prol da paz mundial e da convivência comum”, que Francisco assinou na sua viagem a Abu Dhabi, juntamente com o Grande Imã de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyeb, em 4 de fevereiro de 2019.

“Tenho pensado muito nestes dias – e conversamos sobre isso com o Grande Imã – sobre como surgiu a ideia do Documento que fizemos juntos”, começou por dizer o Pontífice. E contou como foi: “Ele tinha vindo ao Vaticano para uma visita de cortesia: após nosso encontro protocolar, estava quase na hora do almoço e ele estava de partida, e enquanto eu o acompanhava para me despedir dele, perguntei-lhe: ‘Mas, aonde vai almoçar? Venha, vamos almoçar juntos’.”

Recordando esse momento, o Papa comentou, no encontro com os jornalistas: “Foi algo que veio de dentro”. “Depois – prosseguiu – já sentados à mesa, ele, o seu secretário e dois conselheiros, eu, o meu secretário e um meu conselheiro, pegámos no pão, partimos e demo-lo um ao outro. Um gesto de amizade, oferecendo o pão. Foi um almoço muito agradável, muito fraternal. E no final, não sei quem teve a ideia, dissemos um para o outro: mas por que não escrevemos sobre este encontro? Assim nasceu o Documento de Abu Dhabi.”

Dito e feito. A partir desse momento, o texto começou a ganhar forma. De novo a narrativa de Francisco: “Os dois secretários começaram a trabalhar, com rascunhos a ir e a vir, e a voltar com novas versões.  No final, aproveitámos o encontro de Abu Dhabi para o tornar público. Foi uma coisa de Deus, não se pode entender de outra forma, porque nenhum de nós tinha isto em mente. Surgiu durante um almoço amigável, e isso é uma coisa importante.”

Esta “coisa de Deus” estava destinada a dar ainda mais frutos. De novo o Papa: “Depois continuei a pensar no assunto, e o Documento de Abu Dhabi tornou-se a base da [encíclica] Fratelli tutti. O que aí que escrevi sobre amizade humana é baseado no Documento de Abu Dhabi.”

Francisco relê todo este processo, com estas palavras: “Acredito que não se pode pensar neste caminho sem pensar numa bênção especial do Senhor. Penso que é justo que vocês saibam como o Senhor inspirou este caminho. Antes, eu nem sequer sabia o nome do Grão Imã, depois tornámo-nos amigos e fizemos algo como dois amigos, e agora conversamos de cada vez que nos encontramos. O Documento é atual, e estamos a trabalhar para o tornar conhecido.”

 

 

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