O que significa ser humano hoje, numa era marcada por conflitos, solidão, novas formas de pobreza, crises ambientais e desafios relacionados com o progresso tecnológico? O Encontro Mundial sobre a Fraternidade Humana 2025, que terá lugar em Roma nos próximos dias 12 e 13 de setembro, tem como objetivo encontrar respostas, propondo “ao mundo o horizonte da fraternidade como pedra angular de uma possível nova ordem política, económica e social da existência humana”.
Quem o diz é o cardeal Mauro Gambetti, arcipreste da Basílica de São Pedro e Presidente da Fábrica de São Pedro, e responsável pela organização do encontro, que chega este ano à sua terceira edição. Ao apresentar o evento numa conferência de imprensa esta sexta-feira, 29 de agosto, Gambetti defendeu que “o princípio da fraternidade universal pode oferecer a estrutura para escrever a história desta mudança de época” de “maneira construtiva, isto é, atenta às pessoas, respeitosa das diferenças, em harmonia com a criação e garantia da liberdade e da igual dignidade de cada ser humano”. Nesse sentido, prosseguiu o cardeal, encaixa-se o convite do Papa Leão XIV na homilia do início do seu pontificado: “Juntos, como um só povo, como todos irmãos, caminhemos em direção a Deus e amemos uns aos outros”.
O padre Francesco Occhetta SJ, secretário-geral da Fundação Fratelli Tutti, que é parceira na organização do encontro, destacou, entre a programação, o papel das 15 mesas temáticas previstas para 12 de setembro, dedicadas a setores como agricultura, arte e literatura, economia, educação e trabalho. “As mesas pretendem sinalizar o valor da fraternidade e destacar a raiz humana que conecta todos. São o resultado de uma jornada cultural e espiritual de três anos, com comunidades já formadas em torno de espaços de diálogo”, explicou.
O evento culminará no sábado, 13 de setembro, com a Assembleia do Humano, realizada na Sala degli Orazi e Curiazi, no Capitólio, coordenada por diferentes vencedores do Prémio Nobel e representantes de instituições internacionais. Entre os participantes, estarão Graça Machel Mandela, ativista e política moçambicana, cofundadora e vice-presidente da The Elders e ex-Ministra da Educação e Cultura de Moçambique; e Maria Ressa, jornalista e empreendedora filipino-americana, cofundadora e CEO da Rappler e vencedora do Prémio Nobel da Paz de 2021.
Na noite de sábado, as atenções irão voltar-se para a Praça de São Pedro, onde atuarão Andrea Bocelli, Pharrell Williams o coro gospel Voices of Fire, John Legend e o coro da Diocese de Roma, seguindo-se um espetáculo de luzes e drones inspirado na Capela Sistina. “Este não é apenas um evento artístico”, enfatizou Occhetta, “mas um momento para vivenciarmos juntos o conteúdo das mesas, entrelaçando música, palavras e luz.”
Entrevistado pelos média do Vaticano, Gambetti sublinhou que a iniciativa visa “mostrar como a fraternidade também pode ser a resposta à capacidade de conciliar as inúmeras variáveis que entraram na história, que nos questionam e nos desafiam, até mesmo recentemente, como a Inteligência Artificial”. E concluiu: “o sentido” desta iniciativa “é justamente buscar um futuro, um futuro para as nossas vidas e para as vidas também das gerações mais jovens”, num cenário em que “esta mudança de época afeta a antropologia e a sociedade”. “Esperamos que as diversas discussões avancem com propostas e iniciativas que possam traduzir o que emergiu da reflexão sobre o entrelaçamento entre fraternidade e ação”.










