O Papa Francisco esteve à conversa com o programa ‘Che tempo che fa’, do canal Nove, na Itália, emitido este domingo, dia 19. No programa, abordou vários assuntos da atualidade, desde logo o plano de Donald Trump para a “maior operação de deportação” da história dos EUA, como o próprio classificou em conversa com alguns apoiantes hoje, em Washington. “Isto, se for verdade, será uma desgraça, porque faz com que os pobres coitados que não têm nada paguem a fatura das desigualdades”, criticou o Papa.
Francisco retomou a sua posição de que cada migrante deve ser “acolhido, acompanhado, promovido e integrado”. “Atualmente há uma grande pobreza. Pensemos numa coisa: explicaram-me, aqueles que percebem destas coisas, que se não se fabricassem armas durante um ano, o problema da pobreza e da fome estaria resolvido. Em vez de armas, deem comida. A fome no mundo é grande. É grande! Há muitas crianças com fome e temos de pensar nisso”, acrescentou, citado pela Ecclesia.
Ainda no programa, Francisco retomou a ideia que já tinha reforçado de manhã, no Angelus, ao pedir uma solução de dois estados para Israel e Palestina. “Acredito que é a única solução. Alguns têm essa vontade, outros não. E temos de convencer, temos de convencer com essa retórica suave que convence. A paz é superior à guerra, sempre. Sempre”, sustentou.
A conversa foi ainda para a área da administração do Vaticano, onde Francisco anunciou que o próximo governador do Estado da Cidade do Vaticano será uma mulher, mais especificamente a Ir. Raffaella Petrini, que já desempenhava as funções de secretária-geral do Governatorato desde 2021. “O trabalho das mulheres na Cúria é algo que avançou lentamente e foi bem compreendido. Agora temos muitas. Por exemplo, para escolher os bispos: na comissão há três mulheres que escolhem os novos bispos. No Governatorato, a vice-governadora vai tornar-se governadora em março, é uma religiosa”, referiu Francisco.
Libertação de presos é “gesto de grande esperança”
O Papa agradeceu, no Vaticano, a libertação de 553 pessoas que estavam a cumprir penas, nas cadeias de Cuba, como resposta ao seu apelo para uma amnistia, no Jubileu 2025. “Há alguns dias, foi anunciada a libertação de um grupo de prisioneiros das prisões cubanas. Trata-se de um gesto de grande esperança, que concretiza uma das intenções deste ano jubilar”, disse, após a recitação da oração do ângelus, desde a janela do apartamento pontifício, citado pela Ecclesia.
Francisco deixou votos de que, nos próximos meses, “continuem a realizar-se iniciativas deste género nas várias partes do mundo, que incutam confiança ao caminho das pessoas e dos povos”.
O Governo de Cuba anunciou na última terça-feira a libertação de 553 pessoas, “no espírito do Jubileu ordinário de 2025”.
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