Dois terços dos educadores na Guiné-Bissau não têm formação especializada

| 9 Jul 19

Só 22% das crianças de 3 a 5 anos frequentam um espaço pré-escolar mas em muitos casos, fazem-no sem condições mínimas. Foto © FEC

 

Só 22% das crianças de 3 a 5 anos frequentam um espaço pré-escolar. Primeiro levantamento do ensino pré-escolar no país recomenda aposta na formação académica e em regime contínuo dos profissionais.

 

A falta de formação superior e especializada dos educadores na Guiné-Bissau (apenas 32,7% têm grau universitário) é uma das lacunas apresentadas na primeira Caracterização Nacional do Pré-Escolar no país, desenvolvido pela FEC – Fundação Fé e Cooperação em parceria com o Ministério da Educação da Guiné-Bissau e que foi divulgado por aquela instituição portuguesa. Ao mesmo tempo, num país em que 10% da população se concentra no curto grupo etário dos três aos cinco anos, apenas 22% dessas crianças têm oportunidade de frequentar um espaço pré-escolar.

O nível escolar mais representativo dos educadores guineenses é o 12.º ano (30,6%) e têm em média 32-33 anos. A sua experiência profissional ronda, em média, os seis anos e o salário médio situa-se entre o equivalente a 34-49 euros. Cada educador tem a seu cargo, em média, 32 crianças e a maioria não tem prática de planificação em termos de gestão pedagógica do espaço e das actividades com os meninos. Algumas acções de formação ministradas sobretudo por Organizações Não Governamentais e entidades religiosas têm ajudado a suprir a menor formação dos profissionais, observa o relatório.

O estudo recomenda a necessidade de “definir funções de recursos humanos afectos à educação de infância”, nomeadamente a de “coordenador pedagógico, educador e auxiliar”. O documento valoriza contudo o facto de os trabalhadores dos jardins de infância serem, em geral, pessoas jovens e no início do seu percurso laboral, “factor que deve ser aproveitado pois, mediante estímulo e apoio, estes profissionais podem revelar-se um grande potencial de desenvolvimento a vários níveis”.

 

Capacitar infra-estruturas e facilitar o acesso aos centros pré-escolares

 

A pressão demográfica, traduzida numa taxa de crescimento populacional prevista de 2,3% ao ano, evidencia desequilíbrios na oferta educativa do pré-escolar difíceis de combater na Guiné-Bissau, de modo a poder aumentar a resposta às necessidades das famílias e comunidades e possibilite a mais crianças frequentarem a pré-escola. Os meninos que conseguem aceder a um centro educativo têm, no entanto, de percorrer em média mais de 2,5 quilómetros para lá chegarem.

O país está classificado como um dos que têm mais baixo nível de desenvolvimento humano (177.º lugar em 189 países no respectivo índice de 2018, da ONU) e onde permanecem vários elementos essenciais ainda deficitários nas próprias infra-estruturas.

Oito em cada dez edifícios do ensino pré-escolar não têm acesso a energia eléctrica e mais de metade não tem acesso um ponto de água. A resistência dos materiais ao clima, contudo, está presente em 62% dos edifícios e 41% apresenta acessibilidades para pessoas com necessidades especiais. Mais de três quartos funcionam sem alvará de funcionamento. Para dar resposta aos constrangimentos existentes, o estudo recomenda ao Ministério da Educação guineense a aprovação e divulgação de um “Guia de Critérios Mínimos para o Funcionamento de Serviços Pré-escolares”.

O documento indica que “aexpansão da rede de pré-escolar na Guiné-Bissau e o grande aumento de efectivos neste nível deve-se sobretudo a iniciativas privadas, em particular associadas a entidades religiosas sem fins lucrativos.”

A recolha de informação foi realizada entre Dezembro de 2017 e Fevereiro de 2018 junto de 744 jardins de infância e 1050 educadores de infância de todo o território da Guiné-Bissau.

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