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Pormenor da capa do livro "Moçambique, meu país: o que vi, vivi e senti", onde surge retratado Tomaz Salomão.

[Moçambique, margem Sul]

Dos Templos aos Cadillacs: uma leitura crítica de “Moçambique, meu país”

| 24/03/2026

Tomaz Augusto Salomão publicou, em 2019, a obra Integração Regional: Memórias ao Serviço da SADC – Um Relato Pessoal sobre Realizações e Desafios. Na capa, uma inscrição sem aspas assemelhava-se a um lema: “O grande Zambeze, o leito que nos une…”. Voltarei a ela.

Aquele livro traça parte da trajectória de Tomaz Salomão – as suas origens, infância e formação – mas foca-se, sobretudo, no seu percurso profissional. Trata-se de um registo de memórias biográficas e históricas de um período específico: a sua missão ao serviço da SADC [Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, da sigla em inglês], incumbência que cumpriu com o zelo que lhe é característico.

Li a obra “de fio a pavio”. Mesmo possuindo um cunho biográfico – o que não é desvantagem, por ser o relato de um protagonista – testemunho que é uma obra de destaque para o uso didáctico. A metodologia (etnografia, observação participante, mesas-redondas) ajudou a expurgar equívocos de tradições orais, utilizando a racionalidade indutiva para gerar conhecimento histórico útil sobre a actuação de Moçambique na região.

Tomaz Salomão demonstra, neste livro, que tem muito mais a dizer, para além do que viveu e observou ao serviço da SADC. E o que é que eu ou os outros leitores poderemos colher dele?

O primeiro aspecto que me chamou a atenção foi ter constatado que, aquilo a que designei lema, mais acima, i.e., a inscrição “O grande Zambeze, o leito que nos une…”, aparece, desta feita, entre aspas. Parece ser algo que ficará como marca da vida do autor. Trata-se de uma frase simbólica e de muito impacto, que, em meu entender, demonstra a preocupação de Tomaz Salomão com as suas origens e com os laços que essa sua origem pode estabelecer com outras origens e nações, no país ou no exterior. Falo em união entre pessoas e nações, que constitui grande parte do trabalho que tem vindo a desempenhar, em cumprimento do seu dever patriótico.

Tomaz Salomão nasceu em Moçambique, lugar no qual esse rio desagua; mais ainda, passa por países da SADC, com os quais, muitas vezes, teve de estabelecer conexão, no âmbito do seu trabalho enquanto secretário executivo da SADC, ministro dos Transportes e Comunicações, entre outros cargos políticos que ocupou enquanto patriota deste país. Além disso, a frase surge como uma metáfora que nos sugere que o rio é tal e qual um país, que segue o seu curso, ora turbulento, ora calmo, marcando a sua história. Há simbolicamente um rio por percorrer, um caminho traçado e nuances por enfrentar, o que, claramente, é típico desse recurso natural.

 

Figura central

2-capa livro Moçambique, Meu País

Este é o primeiro de quatro volumes previstos.

Ao abordar este lema, fica claro que inicio a apresentação do livro, começando pela sua capa. Ela contém informação bastante para nos remeter ao assunto abordado na obra. Para quem conhece Tomaz Salomão, reconhece-o, através da fotografia artística. Isso foi, para mim, o primeiro indicativo de subjectividade na obra. Essa subjectividade é confirmada através do título do livro Moçambique, meu país: o que vi, vivi e senti; o que nos remete para uma narrativa na primeira pessoa; que, desde logo, acautela o leitor para um relato pessoal do cidadão Tomaz Salomão.

Ainda na capa, o marco histórico que apresenta – a saber: de 1974 até à tragédia de Mbuzine (quando o avião do primeiro Presidente moçambicano, Samora Machel, se despenhou na África do Sul) – encaminha-nos para o contexto político-histórico de Moçambique. É um livro de uma figura central sobre o contexto histórico-político do país. Este é o primeiro de quatro volumes previstos, tal como nos informam a capa e a contracapa.

O livro é composto por três capítulos e tem 182 páginas de texto e algumas fotografias (maioritariamente de homens)[1]. De um modo geral, mostra como a independência de Moçambique nasceu sob o signo de esperança, mas, rapidamente, enfrentou pressões internas e externas, conflitos regionais e desafios económicos, culminando na tragédia de Mbuzini. Destaca, ainda, as transformações políticas e sócio-económicas do país entre 1974 e 1986 e salienta o papel de marechal de Samora Machel, enquanto líder e estratega militar.

Deve ser lido por se tratar de um livro de memória histórica, não apenas de Tomaz Salomão, mas do país. É um livro que pertence a todos. É revelador do modo como a independência deste país foi gerida, desde o seu início. Informa-nos sobre os protagonistas e o papel desempenhado, as dificuldades e as virtudes passadas. Mais do que isso, inspira para aquilo em que o país se deve tornar, pois os pormenores narrados são o trilho a partir do qual o desenvolvimento pode ser realizado. Oferece exemplos de referência do que se deve incrementar na gestão do país e há revelações inéditas.

Sobre o período seleccionado, há informações, avaliações, interpretações e reflexões acerca do passado do nosso país, num contexto no qual o autor é um dos participantes, deixando claro de que lado da História se coloca. Não se trata de mera narração, até porque o autor questiona e interpela determinados actores históricos e faz referência a alguns livros biográficos destes.

 

O fim do fascismo português

Populares em festa num carro de combate em Lisboa, durante a Revolução dos Cravos. Foto © Centro de Documentação 25 de Abril, CC BY 4.0 , via Wikimedia Commons.

O 25 de Abril de 1974 em Portugal levou à independência das antigas colónias portuguesas. Foto © Centro de Documentação 25 de Abril, via Wikimedia Commons.

Adicionalmente, a obra é constituída por duas partes distintas; a primeira, em texto corrido, informa factos históricos, equivalentes à de outras biografias moçambicanas de seus contemporâneos ou que confluem com algum conhecimento histórico que se tem ou se deve conhecer acerca de Moçambique; e uma segunda parte, em caixilhos, que mais do que ser emotiva, corresponde a uma homenagem sentida e pessoal acerca de determinados atores históricos que o marcaram. E há revelações acutilantes.

No primeiro capítulo, aborda-se a derrocada do fascismo em Portugal e os Acordos de Lusaka. Este capítulo explica a queda do regime fascista em Portugal, através da Revolução de 25 de Abril de 1974 e as suas consequências para as colónias portuguesas. Este processo revolucionário teve repercussões imediatas em Moçambique, onde a luta de libertação nacional, conduzida pela Frelimo, já se encontrava avançada. Descreve ainda o processo de negociações entre Portugal e a Frelimo, que culminou com a assinatura dos Acordos de Lusaka, em Setembro de 1974.

Estes acordos abriram caminho para a independência de Moçambique, momento vivido com grande esperança, mas também marcado por tensões, incertezas e traições. Por um lado, a expectativa de um novo estado, livre e soberano; por outro lado, a persistência de divergências internas, receios quanto ao futuro sócio-político, bem como a necessidade de reorganizar as estruturas administrativas e militares.

Outros dois grandes momentos mencionados neste capítulo são o assalto ao Quartel de Omar e o Massacre de Wiriamu[2].

Quanto ao assalto ao Quartel de Omar, em Namatil, em 1974, onde 100 soldados portugueses capitularam, destaca-se o papel de Atanásio Salvador Mtumuke, major general na reserva, que o conduziu. Entretanto, Tomaz Salomão, neste livro, coloca-nos a possibilidade de confrontar dados; por existirem outras fontes sobre este acontecimento, sugiro a sua leitura cruzada. Trata-se, designadamente de Ombro, Arma! Um moçambicano no exército português (1973-1974), de Luís Loforte, publicado em 2025 e Quase memórias: do colonialismo e da descolonização, de António de Almeida Santos, datado de 2006. Mais ainda, para uma leitura rápida, há um relato em texto digital on line, da autoria de Helena Matos.

 

De Wiriamu aos acordos de Lusaka

wiriamu, Guerra Colonial, Moçambique

Monumento às vítimas do massacre de Wiriamu, protagonizado pelo exército português em 1971, e denunciado por padres católicos à imprensa internacional (pormenor). Foto: Direitos reservados

Valorizo a menção ao massacre de Wiriamu, em 1972, na província de Tete, facto que tem sido historicamente pouco abordado, tratando-se dos maiores ataques violentos já visto e que brutalmente vitimou civis. Esta inserção é importante, atendendo a que é um dos antecedentes marcantes do ano 1974, que colocou o Estado Novo português com muito baixa reputação internacional. E a foto do monumento dos heróis, nesse massacre, revela o quanto ainda nos falta fazer, em termos artístico-culturais, para criar uma memória mais consentânea com o reconhecimento que temos desse momento histórico.

O autor introduz um contexto histórico, consubstanciado por documentos, cujas fotos foram integradas na obra; além de livros de outros autores moçambicanos, como o caso de O Fim da Luta de Libertação Nacional em Moçambique: Operação Omar, publicado em 2021, por Atanásio Mtumuke, e Mafalala – Memórias do 7 de Setembro – A Grande Operação “galo, galo, amanheceu 1974”, de Aurélio Le Bon, bem como alguns periódicos nacionais, entre outras fontes de informação. Essas leituras estabelecem uma ligação pessoal com os acontecimentos narrados.

De um modo geral, o processo da historiografia decorre com a interpretação dos seus intervenientes. Dizia antes que este livro deixava claro o lado da História no qual participou Tomaz Salomão, que corresponde ao da Frente de Libertação de Moçambique, a julgar pela forma como a intervenção do Gumo (Grupo Unido de Moçambique) e dos papéis de Joana Simeão e de Máximo Dias são relatados, entre outras questões que têm a ver com o “outro lado da História”.

No capítulo dois, o autor escreve sobre os Acordos de Lusaka e a independência. Descreve o período de transição até à independência, marcado pela reorganização do Estado, tensões políticas e preparação da nova nação, descrito como um período de transformação acelerada.

De acordo com o autor do livro, o processo de independência não foi linear; mesmo antes da sua proclamação formal, o país enfrentava incertezas, dificuldades logísticas e instabilidade política, devidamente geridas por Samora Machel. Em resposta a estas tensões, foi constituído o Governo de Transição, responsável por assegurar a administração do território e a proclamação da independência. Foram criados, assim, os Grupos Dinamizadores, estruturas destinadas a mobilizar a população e a promover a reorganização social e política, de acordo com os princípios defendidos pela Frelimo. Paralelamente, intensificaram-se os preparativos para a independência, proclamada a 25 de Junho de 1975.

 

Um “ritual estranho”

Samora Machel

Samora Machel: a sua morte foi “prevista” pelos pavões do jardim do palácio presidencial? Foto: Direitos reservados

Dos caixilhos nos quais o autor deixa notas emotivas, vale destacar um ponto alto da sua reflexão sobre a pluralidade da narrativa histórica. Neste quesito, rende homenagem a Daviz Simango, edil da cidade da Beira, falecido em 2021; o que demonstra uma abertura ao diálogo democrático. Reflecte sobre como a História de Moçambique pode ser narrada de diferentes formas, integrando o “outro lado da História”, no caso, a dos outros intervenientes históricos que privaram politicamente com os protagonistas da Frente de Libertação de Moçambique.

O terceiro capítulo é o mais longo e tem, na sua essência, revelações incisivas e reveladoras. Surpreendeu-me a orientação governamental do Presidente Samora Machel, no sentido de se alterar a Constituição da República, para integrar o cargo de primeiro-ministro, que não existia em 1975. Refira-se, portanto, que o Governo de Transição foi assegurado por Joaquim Chissano. Entretanto, a escolha da pessoa que ocuparia o cargo de primeiro-ministro em Moçambique traz-nos dados inéditos, surpreendentes e indagadores. Leia-se, por exemplo, a página 136.

Tomaz Salomão recorda-nos o vaticínio sobre a morte de Samora Machel, realizado por Carlos Cardoso. Informa-nos e reflecte a respeito da escuta que ele próprio fez ao “Fly Deck Recorder”, do Tupolev TU-134 C109, que transportou Samora Machel e outros tripulantes, no dia 19 de Outubro de 1986. Este há-de ser, na minha óptica e, em função dos relatos no livro, dos momentos mais difíceis da sua carreira. Em termos de escrita, essa escuta consubstancia o carácter investigativo desta obra; recomendável para Estudos de Desenvolvimento, História, Ciências Políticas, Economia, Relações Internacionais, entre outras áreas do saber.

Mais do que economista, gestor e dirigente político, Salomão revela, neste livro, a sua sensibilidade pela cultura e a sua simbologia. Conta a lenda veiculada acerca do dia de partida de Samora Machel para Mbala, que antes da sua saída do Palácio da Ponta Vermelha, os pavões do jardim desse palácio tiveram um “ritual estranho” à volta do Mercedes presidencial, quase que a dizer ao Presidente Samora Machel que não viajasse (página 155).

O autor coloca “ritual estranho” entre aspas. Julgo o facto dever-se ao respeito pelos leitores cépticos em assuntos místicos. É compreensível. Entretanto, a esses, recomendo uma visita à sabedoria da cultura popular, que é carregada de ensinamentos relativos à comunicação animal. Do ponto de vista da cultura escrita, o livro de Penelope Smith é esclarecedor nesse desiderato.

 

O fluxo de vida que o rio transporta

Tomaz Augusto Salomão na apresentação do seu livro: “uma leitura metafórica”. Foto © João Salomão, cedida pelo autor.

Tomaz Augusto Salomão na apresentação do seu livro: “uma leitura metafórica”. Foto © João Salomão, cedida pelo autor.

Outro aspecto marcante e relatado com coragem é a referência à decisão de execução dos “presos políticos”, nomeadamente: Joana Simeão, Uria Simango, Mateus Gwengere, Lázaro Kavandame, Adelino Guambe, entre outros, facto contado ao autor do livro pelo general na reserva, o sul-africano Constand Viljoen.

Sistematizados os temas do livro, julgo ser pertinente fazer algumas afirmações sobre o que em mim a obra suscita. Trata-se de uma primeira leitura e a partir da aferição que faço e que tem a ver com a minha formação. Entretanto, cada um de nós, em função do (des)conhecimento que tenha sobre o assunto, fará as suas leituras.

Volto, então, à simbologia do rio, do fluxo de vida que ele transporta, mais do que isso, das intempéries a que nos pode sujeitar. O livro pauta-se por um marco histórico que nos diz respeito a todos: a independência nacional, preparada em 1974 e proclamada em 1975. O período da narração vai até o ano de 1986. A partir da história contada e considerando a fase em questão, ficou-me sugerida uma leitura metafórica, em função do meu horizonte de formação, a literatura e a cultura. Permitam-me, por isso, deixar como referência de reflexão sobre o livro o poema de José Craveirinha, intitulado “Civilização”, que diz:

Antigamente,
(antes de Jesus Cristo),
os homens erguiam estádios e templos
e morriam na arena como cães.
Agora…
também já constroem cadillacs.

Estádios e templos, nesta convenção, seria a independência de Moçambique, construída numa altura em que o nosso conhecimento científico, cultural e de desenvolvimento humano ou o conhecimento do que deve ser um país, para os seus cidadãos, ainda era pouco robusto. Entretanto, foi construído esse imponente e grande edifício, que nos permitiu termo-nos libertado do jugo colonial. Isso foi, portanto, e na sequência do poema, “antes de Jesus Cristo”. Depois disso, com os anos que correm, com a formação que cada um de nós tem recebido, ou seja, com o investimento que o país tem feito na educação, já somos capazes de construir cadillacs (ou seja, carros de luxo). Supostamente, nessa sequência, seriamos cidadãos melhores e não morreríamos na arena como cães. Mas morremos. Tal é o caso, por exemplo, da tragédia de Mbuzini e de outras mazelas. O mundo ainda vive desastres humanitários numa era em que a barbárie já devia ter terminado.

 

Não basta construir cadillacs

Sessão de apresentação do livro; a partir da esquerda, vê-se Sara Jona Laísse, o autor do livro e o Presidente moçambicano, Daniel Chapo. Foto © João Salomão, cedida pelo autor.

Sessão de apresentação do livro; a partir da esquerda, vê-se Sara Jona Laísse, o autor do livro e o Presidente moçambicano, Daniel Chapo. Foto © João Salomão, cedida pelo autor.

Ou seja, não basta que construamos cadillacs com o nosso saber. Deveríamos apresentar melhores índices de desenvolvimento humano, uma vez que já construímos estádios e templos em tempos de “vacas magras”. Isso é o que me sugere o livro; os tais altos e baixos representados pelo leito do rio. Esse rio que é nosso e que é, também, dos países que nos rodeiam. Os nossos templos já não deveriam ser alvo de intempéries humanas; e sendo, já deveríamos ter uma boa capacidade de resposta.

Mais ainda e “contas feitas”, devo recordar que o livro é de esperança e revela um trabalho abnegado de quem ajudou a construir um país. Deve, entretanto, para manter esse legado, ser partilhado e estudado, por diferentes actores sociais: académicos, políticos, estudantes, organizações da sociedade civil, gestores e outros intervenientes sociais. Sobretudo, há uma leitura crítico-analítica que deve ser realizada, a fim de valorizar os feitos positivos.

Como nota final para os próximos volumes, sugiro que o papel das mulheres seja desenvolvido com mais detalhe, uma vez que neste nos é contada uma parte do trabalho de Amélia Salomão, Teresa Caliano e Joana Simeão na construção do país. Além disso, é para nós vital conhecer outras agentes, especialmente considerando que o Destacamento Feminino foi criado em 1967 e que os Arquivos da PIDE já se encontram abertos a público para consulta.

E grata, por fazer parte deste momento histórico, em que um filho de Moçambique devolve, ao seu país, um registo impactante e necessário para conhecimento, análise, crítica e acção futura, termino recorrendo a um poema de Armando Artur:

“Gratidão de ser
contemporâneo deste tempo
em que a esperança sobrevive
na lonjura dos caminhos.”

 

 

Sara Jona Laisse é docente universitária e membro do Graal, Movimento Internacional de Mulheres Cristãs. Contacto: saralaisse@yahoo.com.br. Este texto corresponde à intervenção do livro referido. Os subtítulos são da responsabilidade da Redacção.

O 7MARGENS aceita e incentiva a reflexão e o debate livre e plural. Os textos de opinião publicados traduzem a opinião dos seus autores.

 

Notas:
[1] Um estudo sobre questões similares a esta, pode ser consultado em “Quem quer ser apagada?”, texto de R. Cabecinhas e S. Laisse (2021), em Vista (8), e021010. https://doi.org/10.21814/vista.3517.
[2] Foi publicado, em 2008, o livro com o título Massacres em África, de Felícia Cabrita. Em 2016, um outro livro intitulado O Massacre Português de Wiriamu: Moçambique, 1972, de Mustafah Dhada, inclui dados que podem contribuir para o nosso conhecimento acerca desse acontecimento.

 

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